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Memória: José Tomaz Cardoso 100 anos, o tributo de um filho

Texto escrito por Júlio César Cardoso homenageia José Tomaz Cardoso, marcando os 100 anos de seu nascimento.

Foto: Divulgação

Essa matéria eu produzi para o Portal de Notícias Sul in Foco e, certamente, causará boa repercussão pelas lembranças do saudoso José Tomaz Cardoso, marcando os 100 anos de seu nascimento caso ainda estivesse entre nós.

Meus agradecimentos especiais para o diretor e jornalista Samuel Madeira que nos abriu esta janela para o mundo conhecer e muitos relembrar de José Tomaz Cardoso.

Apesar de não ter a formação jornalística, mas como professor universitário e radialista, tenho muito orgulho de compartilhar com os leitores essa bela história de gente que fez pela sua gente pela sua comunidade e pelo nosso município:

“José Tomaz Cardoso 100 anos – o tributo de um filho”

Júlio César Cardoso mantém viva as lembranças do pai, no ano que marca o centenário de seu nascimento.

“No dia 10 de outubro de 1993, por volta de dezenove horas de uma noite de domingo, me assustei com uma visita rara em minha casa. Dilnei, meu irmão mais velho, dentre os que ainda estão vivos, batia na porta avisando-me do falecimento do pai! Falei para ele: fui visita-lo ontem mesmo no hospital São José em Criciúma, estava se recuperando bem da cirurgia, talvez estivesse de alta na segunda! O pai morreu? Eu não queria acreditar”, recorda emocionado mesmo após 25 anos da perda do seu ídolo, amigo, professor, José Tomaz Cardoso, ou simplesmente Zé Cardoso. Júlio César tinha então apenas 24 anos, e a perda prematura do pai o marcou muito. “Ele não foi só meu pai. Foi meu amigo, meu professor, e quando ele morreu eu fiquei completamente sem chão. Tenho saudades dele até hoje”.

Nascido em 14 de abril de 1918, filho de Tomaz João Cardoso e Queledônia Rachadel, irmão de Otávio, Joaquina, Manoel, Adília, Clarinda, Maria, Santos, Augusto e João. José Cardoso estudou somente até o quarto ano primário na Escola de Santa Clara, no município de Orleans. Muito ativo e com boa comunicação, expressão e raciocínio rápido o jovem “boa pinta”, o ‘Zeca’, já se destacava como líder, e recebeu também alguns “castigos”. Mas, apesar de poucos anos de escola, poderia dar aulas a muitos graduados daquela época e de hoje. Caligrafia impecável e Português invejável; Leitura e dicção perfeitas; Matemático nato: sem papel e lápis nas mãos era capaz de fazer multiplicação por três números apenas em pensamento, dando o resultado em segundos. Uma memória fotográfica de história, geografia, ciência e religião. Homem culto, trabalhador, estudioso e temente a Deus; religioso, Católico-praticante.

No Exército, serviu no 14º Batalhão de Caçadores de Florianópolis (hoje 63º B.I.) onde o fato de conhecer as letras e os números lhe rendeu uma especialização. Após servir a Pátria Amada, sim, ele era patriota de se emocionar ao ouvir Hino Nacional Brasileiro, voltou à Orleans. Mas, o grande eldorado da época (1939) não era a Colônia Conde D’Eu, mas sim, “As Mina” – Barro Branco. Um projeto iniciado no Governo Imperial, mas que começou a produzir no Governo Getúlio Vargas com o empreendedorismo de Henrique Lage. Queria trabalhar, constituir família no final da linha do trem da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina. Com porte militar e boa conversa, não foi difícil convencer o captas a lhe empregar na Companhia Nacional de Mineração de Carvão do Barro Branco. As galerias eram em Barro Branco Velho, e o gerente geral era Walter Veterlli.

Apaixonado por Maria dos Santos, a “Ica”, colega de infância na Santa Clara, após uma jornada de trabalho semanal, ainda tinha disposição para caminhar pelos trilhos do trem de Barro Branco a Santa Clara á pé. No sábado à noite ou domingo à tarde, uma domingueira pra dançar com sua amada. Logo a levou para Barro Branco e foram morar no Rio Bonito. Deste matrimônio nasceram Volnei (em memória) Dilnei, Zulamar, e mais dois natimortos (fato comum para época). Quando Ica completara trinta e um anos, com três filhos pequenos, sofreu uma forte crise de apendicite, que diagnosticada tardiamente em Orleans, levou-a ao óbito em Tubarão. Sozinho com três crianças, Zeca não poderia ficar se virar entre o trabalho e os serviços da casa. Era preciso encontrar uma mãe para os seus filhos. Como já mencionei acima: boa pinta, não lhe faltou pretendentes. Dizem que eram muitas as candidatas.

Logo arrumou casamento, com Leonita, uma das filhas da Dona Maria Bela e do seu Neném. Era uma indicada pela falecida Ica, no leito de morte. Deste segundo casamento, vieram mais um time de futebol com reservas e tudo. Marlei, Vanderlei, Darcionei (sena), José T. C. Filho, Tomaz Tadeu, Maria do Carmo, Luiz Cesar (em memória) Carlos Alberto, Bárbara, Izabel Cristina, Edilamar (em memória) e este que vos escreve – caçulinha, que veio seis nos depois, temporão – a raspa do tacho. Diz o Sena que foi ele quem me deu o nome, porque pela lógica da nominata deveria ser Pedro, ou João, que ainda não estavam escalados, mas estavam na lista. (Sena estudava na SATC era o ano de 1969 fazia um trabalho sobre o Imperador Romano).

Ao se destacar como voluntário na comunidade, como tesoureiro ou secretário na Escola Emília Mamede Soares (Diretoria da APP), Capela de Santa Bárbara (Fabriqueiros – hoje CAEP), nas Diretorias do Clube União Mineira e até no time de futebol, o Atlético Mineiro Futebol Clube, apesar de não gostar de futebol: Pelos seus atributos da alfabetização, Zé Cardoso foi intimado a “subir” das galerias para o escritório da Cia. O Fato foi notável para as pessoas da época. Ou seria por capacidade ou por (Q.I): quem indicou.

Elevado ao posto de chefe da sessão, no escritório de Rio Bonito comandava oito funcionários, quatrocentos mineiros, oficina e transporte. Fazia os pagamentos, controle de entrega de carbureto, gasômetro, capacete, botas, ferramentas e tudo o mais. Era preciso uma cabeça, hoje comparada a um computador. Confessou-me que não gostou muito, apesar de não mais ter que fazer esforços físicos e de conviver com os perigos do subsolo. Explicou-me que a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho estava entrando em vigor no País e o mineiro trabalharia só quinze anos. Ele já tinha nove anos de mineiro e no escritório teve que trabalhar mais vinte e três para gozar uma aposentadoria que no final de sua vida não supria suas necessidades, nem os seus remédios.

Mais tarde com quatorze filhos, somados aos cinco do primeiro matrimônio… é o Velho fez dezenove, precisou que inventar algo melhorar a renda, ganhar um dinheirinho a mais, conseguiu uma concessão para explorar pequenas “minas-do-dia”. E vender carvão para a própria Cia. Reunia jovens aspirantes a uma vaga na Cia. e os filhos para ajudar. Passei algumas horas ouvindo suas histórias. Sentados, com os braços debruçados na cerquinha da área, ele, pitava seu cigarro de palha ao mesmo tempo em que os confeccionava. Ou então era lá no quintal na sua horta, onde conversávamos enquanto plantava de tudo e o que colhia dividia com seus filhos que ao visitá-lo, nunca saiam com as mãos vazias.

José Cardoso era um homem sério austero e não tolerava erros. Repreendia o erro e castigava se necessário. Não se envolveu na política, não por falta de convites, mas por entender que deveríamos ser governados por pessoas com formação. Ele acreditava que o político deveria ser exemplo desde o grau de sua escolaridade, não tendo “fugido” à escola. Devoto de Santa Barbara, Padroeira dos Mineiros, participava na organização de festas e novenas. Foi sem dúvida para nós, seus filhos, o melhor exemplo que poderíamos ter. Me orgulho de ter ouvido em seu velório frases de elogio pela sua generosidade e sua conduta, ao longo de sua vida. Ao lado de sua esposa Leonita de Souza Cardoso, criou com dignidade e muito esforço quatorze filhos tendo o desgosto e de enterrar dois deles, depois de criados, como dizia. Mas não se abateu, levantou a cabeça e segui até os seus 75 anos de idade, deixando saudades e muitos ensinamentos. Oxalá conseguirmos ser um bom percentual daquilo que ele foi.

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