Saúde

80 mil vacinados contra a Covid-19 em SC não voltaram para tomar a 2ª dose

Duas aplicações são necessárias para proteger contra a forma mais grave da doença

Divulgação

Em Santa Catarina, pelo menos 80.443 pessoas já vacinadas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19 não retornaram para receber a segunda. Apenas com proteção parcial, eles estão mais vulneráveis a contrair o coronavírus do que os 757 mil que tomaram as duas doses. Isso porque são necessárias duas doses do imunizante para proteger contra as formais mais graves da doença.

No caso da vacina Coronavac, o intervalo recomendado é de 28 dias entre a primeira e a segunda doses. Mas 61.494 pessoas não voltaram para concluir a imunização. Já a vacina Oxford/Astrazeneca exige o intervalo de três meses entre as doses. Quase 23 mil pessoas que já poderiam ter tomado a dose de reforço desse imunizante não apareceram.

Mesmo que já tenha passado o prazo, especialistas orientam que é preciso tomar as duas doses.

— Quando as pessoas recebem a primeira dose da vacina, essa resposta imune alcança um determinado patamar, um determinado nível. Então, a gente chama isso de resposta imune primária ou primeira resposta imune. Quando recebemos a segunda dose, que é considerado um reforço, essas células que já haviam enxergado essa vacina, que já haviam montado uma resposta imune, elas vão fazer com que essa resposta imune cresça em magnitude, vai ser uma resposta imune muito aumentada. Se chegamos a um determinado patamar, na segunda dose, esse patamar vai subir bastante — explica Aguinaldo Pinto, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia UFSC.

Para simplificar, ele faz uma analogia das doses da vacina e o efeito delas no organismo com um muro ao redor de uma propriedade:

— Na primeira dose, esse muro tem determinada altura, digamos um metro de altura. Quando é recebida a segunda dose, esse muro vai passar a ter cinco metros, dez metros, é um aumento muito grande da segunda dose da resposta imune em relação à primeira.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) não informou se há alguma regional de saúde onde o número dos que não tomaram a segunda dose é mais preocupante, mas garantiu que acompanha os dados e cobra os municípios.

— A Dive orienta em todas as novas remessas, em todas as notas técnicas, que os municípios reforcem a importância da conclusão do esquema, que realizem busca ativa dessas pessoas que não retornaram para a segunda dose. São enviadas regularmente para as regionais de saúde as planilhas de acompanhamento. Cada regional manda para os municípios de abrangência e orienta também que façam esse acompanhamento mais de perto para ver se realmente não retornou para segunda dose, se é questão de registro que não foi feito, para saber o que está acontecendo e tentar solucionar o problema ou resgatar a pessoa para concluir o esquema — informa Arieli Fialho, gerente de Imunização da Dive.

Apesar de terem perdido o prazo, essas pessoas podem retornar a qualquer momento para tomar a segunda dose, porque os efeitos ainda serão benéficos, explica o professor Aguinaldo Pinto:

— Certamente, mesmo depois de passado o tempo preconizado pela vacina, se a pessoa perdeu aquela data, ela pode tomar a qualquer momento a segunda dose. Não há nenhum malefício para o indivíduo receber a dose depois do prazo estipulado. Porque a resposta imune que existe no organismo está ali e vai ser aumentada a partir da segunda dose. Esse intervalo de tempo que foi avaliado nos estudos clínicos é o intervalo ideal. Mas, se passar algum tempo, certamente a pessoa vai ser beneficiada ao receber a segunda dose, mesmo depois do prazo que havia sido determinado.

Com informações do NSCTotal

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