Educação

A história da valente menina e seu dedicado professor

Foto: Secom Laguna

Foto: Secom Laguna

Silêncio na sala do pré-escolar da Escola de Educação Básica Zezuino Vieira. Olhares fixos e apreensivos. A expectativa é grande, a esperança se pudesse ser medida naquele momento ultrapassaria os portões da escola. Com uma roupa rosa e cabelos cacheados, a sorridente Valentina Duarte, 4 anos, reconhece o valor da ocasião. Ao seu lado, o incansável professor Sérgio de Jesus coloca a estudante pela primeira vez sentada na cadeira, junto com os coleguinhas. Alívio, inundados com sorrisos e aplausos. Um degrau foi alcançado.

Valentina, a Vavá, ao nascer, faltou oxigenação no seu cérebro, que teve consequências. Ela não fala e tem dificuldades motoras. O fato de poder sentar na sua cadeira, a encheu de orgulho e esperanças as pessoas envolvidas com o desenvolvimento da valente Valentina.

A menina faz parte do projeto de inclusão escolar desenvolvido pela Secretaria de Educação, através do Governo Federal. Na rede pública chegam a 25 as crianças incluídas na sala de aula com diferentes características. Cada uma tem professor especial.

A evolução destes pequenos cidadãos faz renascer as esperanças a cada dia, regadas pelo desenvolvimento. “A Valentina participa de todas as atividades na sala de aula”, esclarece o professor Sérgio. Lápis são adaptados para os exercícios. Esperta, gosta de acompanhar tudo.

A aula de Educação Física ela adora. Passa pelos obstáculos, brinca de pega-pega e dá muitas gargalhadas. Sempre rodeada pelos colegas e vigiada pelos professores.

A educadora Carina Machado de Oliveira observa a evolução de Valentina a cada dia. Junto com o professor auxiliar Sérgio, eles registram em fotos o crescimento motor, físico e afetivo da pequena.

“Todos na escola a adoram. No dia que ela não falta, a escola fica diferente”, brinca o diretor Júlio Cruzz David, dos 39 estudantes, Valentina é a única especial.

Ela é o meu diamante

Quando Valentina surgiu na mesa de parto, Jaqueline Manoel Duarte pensou que a filha estivesse morta. Era fevereiro quente de 2010, depois de uma gravidez tranquila pensou que sairia do hospital sem problemas. Passado o susto, a aceitação da realidade surgiu sem revolta. A filha tornou-se uma lição de vida para toda a família. Hoje, ela corre em busca dos direitos de Vavá. Pela manhã, ela frequenta a Escola Especial e a tarde integra a turma do ensino regular da localidade da Ponta da Barra. “Somos apaixonados pela nossa filha. Ela é o meu diamante”, conta orgulhosa que só tem elogios ao professor auxiliar Sérgio. “Ele foi um anjo em nossas vidas”, diz ela apontando o desenvolvimento da filha.

A mãe guerreira nunca imaginou entrando numa escola especial, hoje integra a presidência da entidade em busca de melhorias para outras crianças. Próximo passo será a aplicação de botox nas pernas de Valentina para ajudá-la nos primeiros passos. “Quero ver a minha filha andando”. Se depender da força da mãe ninguém tem dúvidas.

Lei

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases), uma lei criada no ano de 1996, defende uma educação especial inserida no sistema regular de ensino. O artigo 58 dessa mesma lei cita como o conceito de educação especial: “entende-se por educação especial para os efeitos dessa lei, a modalidade de educação escolar, oferecido preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores de necessidades especiais”.