Carlos Lacerda, o mais notório opositor, utilizava seu jornal como ferramenta de ataque a Vargas. Com isso, tornou-se alvo de apoiadores do presidente, que arquitetaram um plano para silenciá-lo, acreditando que isso poderia fortalecer o governo.
Carlos Lacerda (Foto: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro/wiki commons)
Durante o segundo governo do presidente Getúlio Vargas (1951–1954), ocorreu um dos episódios mais chocantes de sua gestão: uma tentativa de assassinato contra um de seus principais opositores, o jornalista Carlos Lacerda. No entanto, o plano foi frustrado, pois o atentado resultou na morte do guarda-costas de Lacerda e acabou se tornando o estopim para o suicídio do presidente dias depois.
Esse segundo mandato foi marcado por diversos conflitos políticos e tensões sociais que dividiam o país. Vargas era duramente criticado pela União Democrática Nacional (UDN), seu principal partido de oposição, por suas políticas populistas. Além disso, seus adversários ganhavam respaldo dos Estados Unidos, insatisfeitos com a criação da Petrobrás — vista como uma ameaça aos interesses estrangeiros na exploração do petróleo brasileiro.
As críticas contra o governo se intensificavam, levando à crescente instabilidade política. Carlos Lacerda, o mais notório opositor, utilizava seu jornal como ferramenta de ataque a Vargas. Com isso, tornou-se alvo de apoiadores do presidente, que arquitetaram um plano para silenciá-lo, acreditando que isso poderia fortalecer o governo.
No dia 5 de agosto de 1954, na Rua Tonelero, no Rio de Janeiro, um homem foi contratado para executar o ataque. A tentativa falhou, mas o tiro atingiu e matou o major da Força Aérea Rubens Vaz, guarda-costas de Lacerda, enquanto o jornalista sofreu apenas ferimentos leves. O caso ganhou enorme repercussão nacional e as investigações revelaram o envolvimento de Gregório Fortunato, chefe da segurança pessoal de Vargas, como mandante do crime.
Com a revelação dessa ligação, o governo passou a ser alvo constante de pedidos de renúncia, e o clima político se tornava cada vez mais tenso. É possível que Vargas não tivesse conhecimento prévio do plano; em declarações posteriores, afirmou ter sido traído. Em meio à intensa pressão política, Getúlio Vargas cometeu suicídio em seu quarto no Palácio do Catete, no dia 24 de agosto de 1954, com um tiro no peito.
Sua morte mudou profundamente o cenário político brasileiro. A opinião pública, antes majoritariamente crítica ao presidente, passou a condenar seus opositores, provocando uma reviravolta na conjuntura nacional.
Fonte consultada:
SILVA, Daniel Neves. “Atentado da Rua Tonelero”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/atentado-rua-tonelero.htm Acesso em 05 de agosto de 2025.