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Ação distribui vale gás para famílias de baixa renda em SC: “É triste, não vai dar para todos”

Projeto da Central Única das Favelas no Brasil (Cufa) vai atender 7,5 mil pessoas no Estado. Apenas em Florianópolis, são 3,7 mil

Divulgação

Cinco minutos após abertura dos portões, cerca de 35 pessoas formavam fila para receber vale para comprar botijão de gás no bairro Monte Cristo, em Florianópolis. O projeto nacional Mães na Favela, ação da Central Única das Favelas no Brasil (Cufa), tinha 50 vales para distribuir nesta quarta-feira (11), no bairro. Ao todo, serão entregues botijões a 3,7 mil famílias na Capital e 7,5 mil, em todo o Estado.

O cadastramento começou a ser feito nesta quarta-feira (11).

Segundo o coordenador do projeto no Estado, Alex Gabriel Rodrigues, a ação vai cobrir o valor do utensílio para as famílias cadastradas. A Cufa atende 40 favelas em Florianópolis, mas, desta vez, apenas 17 serão contempladas. As mulheres de cada família poderão retirar um botijão de gás a cada dois meses.

— Pra mim é triste, não vai dar pra atender tudo. Além do vale-gás, a gente vai distribuir cesta básica também. Igual agora aqui, se deixar vai muito mais, já passou [do total de vale-gás] — explica.

O sorriso de Rutineia Cristiane dos Santos enquanto aguardava na fila para receber o vale-gás mostra a expectativa de conseguir comprar um utensílio sem preocupação de gastos. No entanto, quando fala da atual situação financeira da família, sua expressão muda.

— Tá bem difícil. Não consigo comprar as coisas para os meus filhos. Eu estou tentando ir atrás de serviço e também não consigo e não tenho com quem deixar eles — comenta com lágrimas nos olhos.

Ruti mora no bairro Monte Cristo há seis anos e está desempregada. Ela, o marido – também sem emprego atualmente – e os dois filhos pequenos vivem apenas do Bolsa Família e recebem R$ 450 por mês.

Com o dinheiro, segundo o que conta, dá para pagar apenas o aluguel. As refeições são feitas, em sua maioria, na casa da mãe – que reside no mesmo bairro.

— Vai me ajudar um monte [vale-gás]. O meu gás está acabando, se acabasse logo eu não iria ter. A minha mãe não tem como me ajudar em tudo e eu não teria como comprar. Na minha geladeira, não tem um pacote de frango, nos armários não têm nada — comenta.

O último gás que a família comprou foi quando o preço ainda estava em R$ 80. Desde então, a moradora do Monte Cristo recebe doações ou acaba ficando sem.

Segundo a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgada na sexta-feira (6), o preço médio do gás em Florianópolis é de R$ 122.

Quem também sofre com os grandes reajustes no preço dos combustíveis é Sandra Mari da Cunha, de 41 anos. Ela mora no Monte Cristo com a mãe, de 72 anos, três filhos e o genro e gasta, em média, um botijão de gás por mês. Neste momento, o utensílio já está no fim – a última compra foi no início de abril, no valor de R$ 120.

A família vive no bairro há décadas, e a renda mensal vem de Sandra e do genro. A mãe recebe aposentadoria, mas o salário se destina apenas para remédios.

— Tá bem difícil, porque nós somos seis. A gente paga a luz e vem daquele jeito, estourado. A cesta básica tá muito cara também, tá bem difícil alimentação, pagar isso e aquilo. É muita coisa para gastar e mais esse avanço do gás, luz — conta.

O dinheiro economizado com o vale-gás, conforme conta a catarinense, vai ser destinado à comida e aos remédio da mãe.

— Já dá pra comprar o meu remédio hoje — comemorou Zenita Maria da Cunha.

Valor da cesta básica e do botijão

O valor gasto por moradores de Santa Catarina com a cesta básica e o gás de cozinha representa 71,6% do salário mínimo – que atualmente está em R$ 1.212.

Apenas a Capital catarinense teve o valor da cesta básica aumentado em 5,71% e chegou em a custar R$ 788. Ela representa a segunda cesta básica mais cara do país.

De acordo com o economista Álvaro Da Luz, a tendência é que esses preços aumentem ainda mais nos próximos meses.

— Aumentou 17 vezes de março em abril — afirma.

Mães na favela

O projeto da Central Única das Favelas no Brasil (Cufa), intitulado de Mães nas Favelas, está ativo há três anos. As ações acontecem em todo o Brasil e, anteriormente, distribuía apenas cesta básica. A partir de agora, o projeto terá também o vale-gás.

Para Santa Catarina, segundo o coordenador do projeto, apesar de ter destinado 7.500 vale-gás, a Cufa vai tentar distribuir pelo menos 10 mil em 16 cidades do Estado.

O Mãe nas Favelas tem o objetivo de levar renda para o maior número de mães moradoras desses territórios no Brasil.

Com informações do NSCTotal

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