Delegado-geral Ulisses Gabriel afirma que Polícia Civil já identificou adolescentes suspeitos, aponta indícios de autoria e diz que violência contra animais não será tratada como caso isolado.
Imagens: arquivo pessoal
A adoção do cão Caramelo pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, ganhou repercussão nacional, mas, segundo ele, vai muito além de um gesto pessoal. Em entrevista ao Sul In Foco, Ulisses afirmou que a decisão representa uma resposta clara à sociedade sobre a importância do acolhimento e do enfrentamento firme aos maus-tratos contra animais.
“Não é só uma mensagem institucional. É uma mensagem para todas as pessoas, da importância de acolher esses animais. Cada um de nós pode fazer algo além”, afirmou.
Caramelo sobreviveu a uma tentativa de afogamento na Praia Brava, em Florianópolis, e hoje vive com a família do delegado.
Imagens: arquivo pessoal
Ulisses contou que esta não foi a primeira adoção. Antes de Caramelo, a família acolheu um chow chow que apareceu no sítio onde vivem sem um dos olhos. “A gente chama de Mirolho. Ele apareceu na nossa vida e acabamos fazendo a adoção”, relatou.
A tentativa de afogamento de Caramelo está ligada a um caso ainda mais grave. Segundo a Polícia Civil, os mesmos adolescentes suspeitos desse episódio também são investigados pela morte do cão comunitário conhecido como Orelha, que foi brutalmente agredido e não resistiu aos ferimentos.
De acordo com Ulisses, a Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar os maus-tratos que levaram à morte de Orelha e já identificou quatro adolescentes como suspeitos. “As agressões teriam ocorrido do dia 4 para o dia 5. Em razão dessas agressões, o cão acabou vindo a óbito”, explicou.
O delegado-geral afirmou que a investigação avançou nos últimos dias e já há indícios de autoria. “No caso do cão Orelha, existe um encaminhamento claro no sentido de apontar esses indícios”, revelou.
A apuração envolve uma força-tarefa entre a Delegacia de Proteção Animal e a Delegacia da Criança e do Adolescente em Conflito com a Lei, em razão do envolvimento de menores. Ao longo do trabalho, cerca de 20 pessoas, entre adultos e adolescentes, foram ouvidas. Também foram analisadas mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências de dois adolescentes e de um adulto.
Mais de mil horas de imagens analisadas e cerca de 20 pessoas ouvidas marcaram a apuração do caso Orelha.
Durante a investigação, a Polícia Civil também identificou a atuação de três adultos que teriam tentado interferir no andamento do caso. Dois pais de adolescentes investigados e um tio foram indiciados por constrangimento ao porteiro do local onde ocorreram os fatos. “Nós fizemos o indiciamento desses dois pais e também do tio”, afirmou Ulisses. O inquérito por coação no curso do processo já foi concluído.
Ulisses Gabriel reforçou que episódios como os de Orelha e Caramelo não são tratados como fatos isolados. Para ele, há sinais de reincidência e de um padrão de violência que exige resposta firme do Estado. “Esses casos mostram a necessidade de investigar com profundidade e responsabilizar todos os envolvidos”, afirmou.
Segundo o delegado-geral, dois dos quatro adolescentes investigados estão temporariamente nos Estados Unidos em uma viagem que já estava programada antes dos fatos. A Polícia Civil foi oficialmente comunicada da saída do país, e a previsão é que eles retornem ao Brasil nos próximos dias.
A investigação sobre os maus-tratos segue em fase final. “Estamos próximos de concluir esse trabalho e dar uma resposta à sociedade”, afirmou Ulisses Gabriel, reforçando que o combate à violência contra animais é uma prioridade da Polícia Civil de Santa Catarina.
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Imagens: arquivo pessoal