Segurança

Advogada é denunciada por formação de quadrilha

Em outubro deste ano foram encontradas 28 mil pedras de crack, além de 1,7 quilo de maconha e R$ 1.200

Um inquérito sobre o comércio de drogas no Beco do Quilinho e no Morro da Caixa, feito pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Tubarão, levou o Ministério Público a denunciar 11 pessoas. A maior surpresa é quanto ao suposto envolvimento de uma advogada do município, apontada por associação ao tráfico e formação de quadrilha.

A advogada teria sido contratada para fazer a defesa do acusado de ser o principal chefe do tráfico nas duas comunidades, que também está entre os denunciados, mas teria feito serviços que extrapolam o que a sua formação permite. De acordo com os autos, ela levava informações do tráfico e do seu cliente para o alto escalão de facções criminosas no Estado.

Aproveitando-se da profissão, a advogada visitava presos em complexos penitenciários do Estado e entregava cartas enviadas pelo cliente. O suposto chefe do tráfico, ainda de acordo com a denúncia, evitava usar o celular para escapar de possíveis escutas telefônicas. 

Em caso de condenações, a denunciada pode ser sentenciada de três a 10 anos de reclusão por associação ao tráfico, mais três a seis anos por formação de quadrilha. Ela não seria a primeira advogada de Tubarão com sentença por crimes relacionados ao comércio de entorpecentes.

Em novembro de 2008, a advogada Anne Buss foi presa com o companheiro durante a Operação Metástase (a multiplicação de uma doença) da Polícia Civil. Em um sítio em Indaial foram encontradas 239 gramas de crack e mais 170 de cocaína. O nome de Anne é divulgado por já possuir condenações por tráfico e estelionato, diferentemente da outra acusada.

Suposto chefe, mãe e esposa são denunciados

Entre os 11 denunciados pelo Ministério Público com base nas investigações da DIC de Tubarão estão o suposto chefe do tráfico no Beco do Quilinho e no Morro da Caixa, a esposa e a própria mãe.

O homem foi preso no fim de maio em uma residência de Laguna. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por tráfico, associação ao tráfico, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ainda de acordo com as investigações, ele teria ligação com facções criminosas do Estado.

A companheira do acusado foi denunciada pelos mesmos crimes que o marido. Já a mãe do suposto chefe foi apontada apenas por lavagem de dinheiro, assim como outro rapaz. Este último era quem ficava com o rendimento mensal do tráfico, o que girava em torno de R$ 25 mil.

Maior apreensão de drogas

Os outros cinco denunciados foram identificados na maior apreensão de drogas feita em Tubarão. No dia 17 de outubro deste ano foram encontradas 28 mil pedras de crack, além de 1,7 quilo de maconha, R$ 1.200 e uma balança de precisão em um apartamento do bairro Dehon.

Os três jovens que estavam no imóvel foram denunciados por tráfico e associação. A namorada de um deles, que teria ajudado a alugar o apartamento, responderá por associação. Dois outros rapazes de Braço do Norte que foram flagrados adquirindo entorpecentes do grupo foram denunciados por tráfico.

Os agentes da DIC chegaram até o apartamento após seguir um dos moradores e flagrá-lo entregando porções de drogas para os acusados do Vale. Somente de crack foram apreendidos 4,1 quilos, sendo que três quilos estavam divididos em tijolos e o restante já estava fracionado em sete mil pedras, prontas para serem comercializadas. Todo o crack apreendido renderia 28 mil pedras, que seriam comercializadas a R$ 5 e totalizariam R$ 140 mil. A maconha renderia aproximadamente R$ 2 mil. 

Diário do Sul