Turismo

Água a 34 graus reacende parque termal e muda o futuro de pequeno município do Sul catarinense

Fenômeno natural da Fonte São Pedro sustenta retomada do Hotel Thermas São Pedro, impulsiona rota turística e recoloca Pedras Grandes no mapa termal de Santa Catarina.

Fotos: Clesio Sartor / Arquivo pessoal

Por Kelley Alves

A água que brota naturalmente a 34 graus na Fonte São Pedro é o elemento que explica o passado, define o presente e redesenha o futuro de Pedras Grandes. É ela que impulsiona a retomada do antigo parque termal, viabiliza a reconstrução do Hotel Thermas São Pedro e sustenta o projeto da Rodovia das Águas Termais, que promete transformar a cidade em referência turística no Sul catarinense.

Segundo o engenheiro de minas Valdo Ávila da Silva, responsável técnico pela área, essa água quente e cristalina nasce graças a um fenômeno geológico raro: infiltra-se por fraturas profundas em rochas cristalinas, desce a grandes profundidades e retorna aquecida pelo calor natural da Terra. O processo garante temperatura estável, volume constante e pureza mineral.

“É um circuito natural perfeito. A água circula em profundidade, encontra calor e retorna espontaneamente a cerca de 34 graus. Isso diferencia Pedras Grandes do restante do estado e explica o interesse turístico e terapêutico”, explicou ao Sul In Foco.

A lama formada no entorno das surgências também mantém propriedades medicinais, ricas em sódio, cálcio, potássio e flúor, motivo pelo qual a região atraía visitantes entre as décadas de 1950 e 1980. Mesmo após anos de paralisação, Valdo garante que a qualidade permanece intacta.

“A água e a lama continuam com as mesmas características físico-químicas registradas há décadas. A área se preservou naturalmente”, explicou.

Sobre a segurança da fonte, ele é categórico.

“Para faltar água termal seriam necessários fenômenos como vulcanismo ou terremotos, que não existem no Brasil. A surgência é estável”, pontou.

Água quente que traz um parque de volta

É essa condição natural, a água constante a 34 graus, que permite a retomada do Hotel Thermas São Pedro, símbolo histórico do município e que volta ao mapa turístico depois de décadas. O empreendimento está sendo reconstruído pela família Sartor, que planeja resgatar a vocação termal original do local.

O empresário Clésio Sartor detalhou ao Sul In Foco que o projeto incluirá 128 apartamentos, cinco piscinas externas com água termal, três piscinas internas, spa, restaurante, ampla área de convivência e mais de 30 hectares de preservação ambiental. No total, serão investidos cerca de 50 milhões de reais.

“O hotel só existe por causa da água. É ela que torna tudo viável. O Thermas São Pedro está sendo reconstruído com foco nesse recurso, que é único e tecnicamente estável. Será um complexo moderno, totalmente integrado ao roteiro termal do Sul catarinense”, afirmou.

Quando uma água puxa uma estrada

A força desse recurso natural também fundamenta o projeto da Rodovia das Águas Termais, que ligará Azambuja ao Ribeirão d’Areia com pavimentação e ciclofaixa. O estudo da Amurel estima investimento de R$ 35,5 milhões, já protocolado no Ministério do Desenvolvimento Regional.

O prefeito Agnaldo Filippi destaca que tudo começa e termina na mesma origem: a água.

“É ela que nos coloca no mapa. Esse recurso natural é único e precisa estar conectado à região. A nova estrada vai transformar a água termal em desenvolvimento para Pedras Grandes e todo o Sul catarinense”, projetou.

O projeto tem apoio da deputada federal Geovania de Sá e do deputado estadual Pepê Collaço, que formalizou na Alesc a criação da Rota Turística das Águas Termais.

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