Saúde

Alta de casos de Covid-19 em SC é “cenário preocupante” no início de 2022, dizem médicos

Ao comparar com o período antes do Natal, crescimento é de 218,3% nos novos diagnósticos; Estado projeta aumento para os próximos dias

Divulgação

Santa Catarina começou o ano com números da Covid-19 em alta e longas filas de pessoas à procura de testagem nas maiores cidades. Entre segunda (3) e terça-feira (4), o Estado registrou um aumento de 32,2% no número de casos ativos da doença, ao mesmo tempo que se depara com pronto-socorros lotados de pacientes.

Especialistas alertam para uma piora nos indicadores, principalmente após as festas de fim de ano, e falam em “cenário preocupante”.

De acordo com o Painel do Coronavírus, do NSC Total, em apenas um dia, o número de casos ativos foi de 4.692 para 6.203. Só Florianópolis concentra cerca de 24,45% das infecções, com 1.517 casos. A Capital, inclusive, registrou um crescimento de 42% em relação à última atualização, quando eram 1.062 casos.

Além disso, a cidade tem mais do que o dobro de casos de Joinville, que aparece como o segundo munícipio com o maior número de pacientes, com 656, e mais que o quadrúplo de São José, com 365, que é a terceira cidade com a maior quantidade de casos. Ao todo, 206 cidades têm pacientes em tratamento para o vírus.

Os números preocupam ainda ao comparar a situação do Estado com semanas atrás. De acordo com o Painel do Coronavírus, no dia 23 de dezembro, o Estado contava com 1.949 casos. Ou seja, em duas semanas, o número teve um crescimento de 218,26%.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, o aumento já era esperado, principalmente após o ataque hacker que atingiu os sistemas de dados do Ministério da Saúde. Porém, ele não descarta um novo crescimento nas próximas semanas devido às festas de fim de ano.

— Acredito que na próxima semana, na próxima matriz de risco, ou, no máximo, na outra, se tenha uma visão muito clara do que aconteceu nas festas de fim de ano — disse em entrevista à NSC TV.

Já para o médico infectologista Amaury Mielle, o motivo para o crescimento está ligado à chegada da variante Ômicron em Santa Catarina. Até esta segunda-feira (3), 54 casos haviam sido confirmados.​

— Eu diria que é uma consequência [o aumento dos casos] previsivel. Nós já tínhamos consciência dessa variante na África e aqui no Brasil não seria diferente. O que faltava era a detecção dela, mas era uma questão de tempo para ela se espalhar. E por conta da alta transmissibilidade, nada mais oportuno que esses aglomeros que aconteceram no final do ano e que continuam — pontua.

Unidades de saúde têm surtos de casos

O aumento no número de casos fez com que vários hospitais do Estado registrassem filas e horas de espera devido à demanda. Na Capital, por exemplo, o Hospital Florianópolis comunicou que entre os dias 31 de dezembro e 3 de janeiro teve um aumento de 215% nos atendimentos de casos respiratórios no Pronto Socorro.

O surto também fez com que um hospital particular da cidade atingisse o maior número de atendimentos da história. O Baía Sul registrou 659 pacientes atendidos nessa segunda-feira (3), sendo 507 deles com sintomas respiratórios.

Em entrevista ao Jornal do Almoço, da NSC TV, o secretário municipal de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, comentou que a cidade aumentou o número de pessoas atuando nas UPAs e em centros de testagem, e que também pode ter novas medidas para ampliar o atendimento.

— O mais importante disso é as pessoas evitarem se contaminar, continuarem usando máscaras e tomando os cuidados, para que a gente evite esses novos casos — afirmou.

A situação também é semelhante em outras cidades catarinenses. Em Balneário Camboriú, os hospitais viram uma verdadeira “explosão” de casos respiratórios após as festas de fim de ano. Isto também fez com que os testes rápidos de Covid-19 esgotassem nas farmácias da cidade. ​

Em Joinville, no Norte do Estado, unidades de saúde também registraram alta nos atendimentos.

Para o infectologista Amaury Mielle, a situação poderia ter sido evitada, caso houvessem restrições.

— Uma coisa lamentável é que não foi feito nada para diminuir esse impacto. Nós sabíamos que iriamos enfrentar essa variante, mas se manteve as flexibilizações, não houve limitações. Não estamos falando de algo que pegou alguém de surpresa. Agora, tudo está lotado, com filas de espera gigantescas. É lamentável. Estamos nos encaminhando para o inevitável, que é um colapso nos atendimentos — destaca.

Ele pontua, ainda, que a falta de testes também pode acarretar na subnotificação de casos da Covid-19. Além disso, o médico reforça que muitos pacientes estão deixando de fazer o teste, por conta dos sintomas leves da doença.

Impacto deve ser sentido nos próximos dias

Apesar do aumento no número de casos ativos, as internações nos hospitais catarinenses continua em estabilidade. Nesta terça-feira (4), 147 pessoas estavam internadas em UTIS de hospitais da rede pública e privada, sendo 97 casos confirmados.

Mas a preocupação está nos casos suspeitos. No dia 23 de dezembro, eram 25 internados com suspeita de Covid. Nesta terça, eram 50 pacientes. Para o infectologista, a situação está apenas no começo, principalmente porque a falta de dados concretos a respeito da pandemia também impacta no controle.

— Não temos ideia do que está acontecendo. Infelizmente, a métrica que vai acabar nos pautando são as hospitalizações, as filas nos hospitais e, por fim, os óbitos. É um cenário assustador, porque não é a qualidade da doença, nós estamos preocupados com a quantidade — reforça.

A esperança dos especialistas está na vacinação da Covid-19. Segundo a médica infectologista, Carolina Ponzi, estudos apontam que, aparentemente, a Ômicron não é tão agressiva quanto as demais variantes. Porém, só será possível ter uma real noção da potência dela nos próximos dias.

— Com a população imunizada, é muito possível que não se repita aquele cenário caótico que tivemos em março do ano passado. Porém, o aumento no número de casos significa mais pessoas isoladas, em casa e fora do trabalho. Isso do ponto de vista econômico também pode trazer uma preocupação — salienta.

O infectologista Amaury Mielle complementa que, mesmo em casos leves, ainda não é possível determinar o impacto da Ômicron em Santa Catarina.

— É necessário aguardar as próximas duas semanas, para ver o impacto nas hospitalizações. Esperamos que não esteja acompanhado com desfechos ruins. Mas o cenário é preocupante — explica.

SC não descarta novas restrições

À NSC TV, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, afirmou que mesmo que a gestão da pandemia esteja dividida com os municípios, o Estado não descarta novas restrições, caso isso seja necessário.

— O novo decreto traz para o município, que autoriza a realização de um evento, a obrigatoriedade da fiscalização. Mas claro que estamos monitorando a situação e orientando. Se preciso for, o Estado retoma algumas medidas — diz.

Enquanto isso, a orientação do secretário é que as pessoas continuem seguindo as medidas para evitar a contaminação pelo vírus:

— É importante que as pessoas entendam que a vacina é o caminho. Estamos no meio de uma pandemia, apesar dos números terem melhorado, precisamos nos comportar dessa forma.

Com informações do NSCTotal

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