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Após enfrentar a depressão, ciclista de Meleiro cruza o Brasil de bicicleta ao lado do cachorro

Roger Leal, de 34 anos, percorrerá por volta de 10 mil quilômetros em uma jornada iniciada em Santa Catarina e que segue rumo ao Nordeste e à América do Sul.

Foto: Arquivo Pessoal

O ciclista Roger Leal, de 34 anos, natural do Rio Grande do Sul e criado em Meleiro, no Sul de Santa Catarina, está atravessando o Brasil de bicicleta em uma viagem de aproximadamente 10 mil quilômetros, iniciada em março de 2025. A jornada começou como uma decisão pessoal para enfrentar a depressão após perdas vividas no período pós-pandemia e se transformou em um projeto de vida, marcado por superação, contato humano e pela companhia inseparável do cachorro Nanico.

Roger conta que a ideia surgiu em um momento de fragilidade emocional, quando buscava uma forma de se reconstruir.

“Eu sempre gostei de andar de bike. Depois da pandemia tive depressão, algumas perdas, e eu precisava me curar. Achei que essa ideia era boa e deu certo”, relatou.

Segundo ele, a primeira experiência foi dar a volta em Santa Catarina, passando por cidades como Navegantes e Chapecó, até chegar ao Rio Grande do Sul, onde percebeu que poderia ir ainda mais longe.

Atualmente, Roger já percorreu estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. O destino final no Brasil é o Rio Grande do Norte, antes de seguir por outros estados do Nordeste e avançar rumo ao Maranhão. “Tô indo pro RN de bike. Já passei por vários estados e ainda vou passar por Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará e Piauí”, afirmou.

 

Foto: Arquivo Pessoal

A escolha pela bicicleta, segundo ele, vai além do desafio físico. “É para aproveitar muito os momentos, os lugares e as pessoas”, explicou. A rotina na estrada inclui percursos diários que variam entre 50 e 100 quilômetros, com acampamentos improvisados. “Levo barraca, fogão portátil, comida, água e colchonete. Acordo cedo, faço um café ou chimarrão, arrumo tudo e sigo”, contou.

Os desafios físicos e emocionais são constantes, especialmente em trechos de serra e longas distâncias solitárias. Roger relata que mantém metas diárias para seguir em frente. “O físico pesa quando tem muita serra. O emocional a gente trabalha pensando que tem uma meta e que consegue alcançar”, disse. Em momentos mais difíceis, a fé foi decisiva. “Quando a bike quebrou e o lugar mais perto estava a 50 km, respirei fundo e pedi força a Deus. Não podia desistir”, relembrou.

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Um dos capítulos mais marcantes da viagem foi o encontro com Nanico, o cachorro que hoje o acompanha por todo o trajeto.

“Ele estava abandonado num trevo na BR-116. Dei um carinho e ele foi atrás de mim por 15 km. Foi ele que me adotou”, contou.

Desde então, o animal se tornou fonte diária de motivação. “Hoje ele é meu parceiro fiel e me dá forças todos os dias”, afirmou.

Entre os trechos mais desafiadores, Roger destaca a travessia entre Curitiba e São Paulo, pela Régis Bittencourt, sob chuva intensa. “Foram 400 km só de chuva, uma aventura”, disse. Já entre os lugares que mais o marcaram positivamente está o Espírito Santo. “O povo me abraçou. Lugar lindo. Recomendo a Praia do Coqueiral, em Aracruz”, relatou.

Após concluir o percurso pelo Brasil, o ciclista planeja seguir para outros países da América do Sul, incluindo Chile e Argentina, com passagens pela Cordilheira dos Andes, Patagônia e Ushuaia. “Sei que o frio mexe muito com o psicológico, mas é uma aventura, faz parte”, afirmou. Segundo ele, a experiência no território brasileiro é fundamental para adquirir preparo físico e emocional.

A viagem já provocou mudanças profundas em sua forma de ver a vida. “Percebi que não podemos deixar de fazer o que nos faz feliz pelo que os outros vão pensar. Não precisamos de muito para viver o extraordinário”, refletiu. Para quem sonha em mudar de vida ou encarar grandes desafios, Roger deixa um recado: “Se você quer fazer algo da vida, faça. Faça algo bem louco, o extraordinário, aquilo que muitos sonham e não têm coragem”, concluiu.

Foto: Arquivo Pessoal

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