Geral

Após fechar loja tradicional em Criciúma, Casas Bahia pede recuperação judicial; economista analisa cenário

Após o fechamento da unidade no Centro de Criciúma e diante da tentativa do grupo de renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, o Sul in Foco ouviu um economista para entender o cenário e as transformações enfrentadas pelo varejo.

Foto: Reprodução

O fechamento de uma tradicional loja das Casas Bahia na Rua Seis de Janeiro, no Centro de Criciúma, ganhou um novo capítulo nesta semana. O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite deste domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida envolve a companhia e outras nove empresas do grupo.

O objetivo é reorganizar as finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, garantindo a continuidade das operações. A empresa informou que pretende manter as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda em funcionamento enquanto avança no processo.

Em Criciúma, o anúncio ocorre poucos dias depois do encerramento das atividades da unidade localizada na Rua Seis de Janeiro, um ponto tradicional da rede na cidade. Diante do fechamento da loja e do cenário financeiro enfrentado pela companhia em nível nacional, o Sul in Foco ouviu o economista Alcides Goularti Filho, professor da Unesc e doutor em Economia pela Unicamp, para entender um pouco mais sobre a situação e o que pode estar por trás das dificuldades enfrentadas por grandes redes do varejo.

Veja também: Casas Bahia fecha loja no Centro de Criciúma após anos de funcionamento

Segundo o especialista, o momento das Casas Bahia faz parte de um processo que já atingiu outras grandes redes brasileiras ao longo das últimas décadas.

“É uma péssima notícia. Apesar de o comércio, do ponto de vista nacional, estar crescendo, nós temos um histórico de grandes redes que acabaram fechando. Tivemos empresas muito grandes nos anos 60, 70 e 80 que desapareceram. Mais recentemente tivemos outros casos de grandes varejistas enfrentando crises”, explica Alcides.

O economista avalia que o episódio também ajuda a compreender uma transformação estrutural do setor, com algumas empresas ganhando participação enquanto outras enfrentam dificuldades para acompanhar as mudanças.

“É um processo que existe no comércio de concentração e centralização. Grandes conglomerados vão sendo engolidos por outros. Mesmo em períodos em que o PIB está crescendo, algumas empresas passam por dificuldades financeiras”, afirma.

Foto: Reprodução

Para o especialista, entretanto, o cenário econômico não pode ser apontado como único responsável pela situação das Casas Bahia. O desempenho diferente entre empresas que atuam no mesmo segmento demonstra, segundo ele, a importância da administração de cada negócio.

“Isso tem a ver com gestão, não tenho dúvida. Existem outras empresas que vão muito bem no mesmo ramo. O momento da economia é favorável para o comércio, com crescimento da renda, mas umas prosperam e outras enfrentam dificuldades”, destaca.

Outro ponto citado é a transformação digital do varejo. O avanço das compras pela internet obrigou as redes tradicionais a competir não apenas entre si, mas também com grandes plataformas de comércio eletrônico.

“Alguns concorrentes conseguiram se expandir muito e também se diferenciar, principalmente no ambiente digital. Hoje existem empresas que funcionam como grandes plataformas para diferentes vendedores. Esse tipo de mudança acaba tirando espaço de quem não consegue acompanhar com a mesma velocidade”, analisa.

Na avaliação do economista, situações como a das Casas Bahia mostram que nem mesmo marcas consolidadas estão protegidas das mudanças do mercado.

“Empresas que pareciam muito sólidas também fecharam ao longo da história. Isso precisa ser entendido dentro da dinâmica da própria concorrência, em que algumas empresas crescem e outras acabam perdendo espaço”, observa.

Para ele, o processo de concentração não ocorre apenas entre pequenos e grandes negócios, mas também entre gigantes do próprio varejo.

“Eu sempre digo aos alunos que o capitalismo é coisa para poucos, inclusive para os empresários. Não há espaço ilimitado para várias grandes redes. Existe um processo de concentração e centralização”, conclui.

Em Criciúma, o encerramento da unidade da Rua Seis de Janeiro acaba sendo um reflexo local de uma transformação que acontece em escala nacional. Agora, com o pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia busca condições para reorganizar as contas, negociar o passivo bilionário e preservar suas operações.

A recuperação judicial não significa o fechamento imediato da companhia. O mecanismo previsto na legislação brasileira permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça enquanto continuam funcionando.

Para receber em tempo real as principais notícias que impactam a nossa região,
entre no grupo de WhatsApp do Sul in Foco clicando aqui

Notícias Relacionadas

Justiça suspende demissões da Casas Bahia e decisão atinge até 12 trabalhadores de Criciúma

Loja do Centro encerrou as atividades na última sexta-feira; Justiça determinou restabelecimento dos contratos após questionamento sobre falta de negociação sindical.

Casas Bahia fecha loja no Centro de Criciúma após anos de funcionamento

Unidade encerrou as atividades nesta sexta-feira (14); comunicado na fachada agradece clientes e informa a saída da empresa da cidade.

Criança de 1 ano e 6 meses morre após acidente em piscina em São Ludgero

Menino acompanhava a família em uma confraternização realizada na residência de outra pessoa, no Morro do Cruzeiro.

Duas pessoas ficam feridas após capotamento na SC-370, em Braço do Norte

Veículo saiu da pista e capotou na noite desta sexta-feira (11); vítimas foram encaminhadas ao Hospital Santa Terezinha.