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Assentamento Tracutinga completa 26 anos com história registrada em livro

O assentamento Tracutinga (Conquista na Fronteira), localizado em Dionísio Cerqueira/SC, comemorou ontem (24) vinte e seis anos de existência com festa na comunidade. Parte da trajetória das 60 famílias assentadas e da constituição do território coletivo construído por elas na localidade está registrada no livro “Conquista na Fronteira: desenvolvimento territorial com sustentabilidades”, escrito pelo professor doutor Antônio Carlos Moreira e publicado em 2013 pela editora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI.

A publicação é resultado dos estudos do autor para elaboração de sua tese de doutoramento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Através de visitas realizadas durante treze anos de convivência com a comunidade, realização de entrevistas e consultas a arquivos, Moreira buscou analisar este espaço em suas diferentes dimensões tais como social, econômica e cultural.

O ponto de partida para esta análise é a constituição histórica dos camponeses no Oeste de Santa Catarina, a gênese do assentamento e a construção de sua identidade a partir da íntima relação com a terra e da cooperação entre os sujeitos, num processo denominado pelo autor de “reterritorialização”. “O novo território precisaria superar o individualismo, buscando outras maneiras de se relacionar e de produzir e, para tanto, escolheram os princípios da cooperação, projetando-o, primeiramente, para a produção de alimentos e, posteriormente, para o mercado”, revela Moreira sobre a opção dos assentados pelo modo de produção coletiva. Ainda hoje, tudo no assentamento é realizado coletivamente, sobretudo a produção, organizada pela Cooperunião.

Consciência ambiental e social

Desde o princípio do assentamento, segundo o autor, houve ainda a motivação dos assentados em planejar o assentamento, “focalizados pelo respeito entre os humanos e dos humanos para com os elementos da natureza, como se eles fossem parte de um mesmo todo”, o que revela a preocupação com o meio ambiente e a pelo cultivo orgânico que vem sendo implementado no assentamento.

No texto, destacam-se, ainda, elementos que reafirmam a relevância da reforma agrária, como política que viabiliza o acesso à terra a quem realmente nela produz. Com a implantação de assentamentos como o Conquista na Fronteira, o Estado dá acesso não somente ao espaço, mas também à cidadania. “Pertencer a um lugar possibilita ao humano construir significados de vida e de convivência, por meio do uso das coisas materiais para construir sua realidade”, diz Moreira.

Para os próximos anos de vida da comunidade, o professor recomenda atenção com os jovens para reafirmar sua identidade com o território e acredita no investimento na agroecologia como forma de resistir à mecanização. “Que continuem sendo os homens e mulheres que tiveram a coragem de construir uma sociedade alternativa, coletiva e mais humana”, conclui.

Colaboração: Assessoria de Comunicação Superintendência do Incra em Santa Catarina

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