Segurança

Atitude heroica: pai improvisa torniquete e abre clareira para salvar filho ferido por motosserra em Rio Fortuna

Resgate durou mais de cinco horas e envolveu rapel, operações de pairado e retirada da vítima por uma ribanceira com aproximadamente 60 graus de inclinação.

Foto: SAER/SARASUL

Quando percebeu que o filho estava gravemente ferido e perdendo muito sangue em meio à mata, um pai precisou agir antes mesmo da chegada do socorro. Ele improvisou um torniquete com a própria camiseta de lycra e, mesmo sob chuva, conseguiu acender uma fogueira para sinalizar a localização da vítima às equipes aéreas. Mais tarde, diante da necessidade de criar uma área para a retirada do jovem, voltou a pegar a motosserra e abriu uma clareira em plena mata.

A equipe do SAER/SARASUL divulgou novos detalhes sobre a ocorrência e revelou a dimensão da operação de resgate, que durou aproximadamente cinco horas e meia e exigiu o trabalho conjunto das equipes em uma área de acesso extremamente difícil. Pai e filho trabalhavam na extração e derrubada de eucaliptos quando o jovem foi atingido durante o corte de uma árvore. A motosserra atingiu o membro inferior esquerdo da vítima, provocando um ferimento profundo e uma hemorragia.

Diante do sangramento, o pai improvisou o primeiro torniquete utilizando uma camiseta de lycra. A localização da vítima, porém, tornou o atendimento ainda mais complexo. A região era cercada por mata, com terreno extremamente íngreme e sem condições para o pouso convencional da aeronave do SAER/SAMU Aeromédico. Durante o primeiro sobrevoo, a equipe não conseguiu localizar visualmente o jovem. Enquanto a operação era organizada e a aeronave recebia os equipamentos necessários para o resgate em local de difícil acesso, o pai conseguiu acender uma fogueira mesmo sob chuva. A fumaça ajudou a equipe aérea a identificar o ponto onde eles estavam.

Com a localização definida, um operador aerotático desceu de rapel até o local da ocorrência. Sob orientação médica, realizou a aplicação de um torniquete para auxiliar no controle da hemorragia. A equipe identificou, então, que seria necessário criar uma área que permitisse a aproximação segura da aeronave para a retirada do jovem. Foi nesse momento que o pai voltou a pegar a motosserra e passou a derrubar as árvores necessárias para abrir uma clareira em plena mata.

Com o espaço preparado, a aeronave conseguiu se aproximar utilizando a técnica de pairado, na qual o helicóptero permanece a baixa altura, sem tocar o solo, permitindo o desembarque dos profissionais. Ao chegar até a vítima, a equipe médica constatou uma importante perda sanguínea, com sinais compatíveis com choque hemorrágico grau II e sangramento ainda ativo no membro inferior esquerdo. Um novo torniquete foi aplicado e também foi realizado curativo compressivo, conseguindo controlar a hemorragia. O jovem foi estabilizado, medicado e preparado para a retirada.

O resgate ocorreu em uma ribanceira extremamente íngreme, com aproximadamente 60 graus de inclinação, em meio à mata e com grande dificuldade de movimentação. A aeronave retornou à área segura e transportou bombeiros até as proximidades, também utilizando a técnica de pairado, para reforçar a operação. Com o trabalho conjunto das equipes, a vítima foi colocada em uma maca de resgate vertical e retirada pela ribanceira até a clareira aberta pelo próprio pai. No local, o jovem foi embarcado no helicóptero durante uma nova operação em pairado.

Veja também: Jovem sofre ferimento com motosserra e precisa ser resgatado em área de mata em Rio Fortuna

Após o resgate, o jovem foi transportado para Criciúma. Da base do SAER, ele foi conduzido pela equipe do SAMU até o Hospital São José, referência regional em atendimento ao trauma, para continuidade do tratamento. A operação também contou com a atuação da equipe do Corpo de Bombeiros de Braço do Norte, que precisou enfrentar as próprias dificuldades de acesso ao local. Devido às condições precárias da estrada, com diversos pontos de atoleiro e trechos íngremes, a viatura precisou ser deixada em um local seguro e os bombeiros percorreram aproximadamente dois quilômetros a pé até o ponto de apoio. Durante o retorno, a equipe ainda precisou realizar o desatolamento da viatura, que ficou presa em pontos de atoleiro e trechos íngremes da estrada.

Durante todo esse período, o pai permaneceu ao lado do filho e auxiliou as equipes no que estava ao seu alcance. Além do primeiro atendimento, da sinalização do local e da abertura da clareira, ele acompanhou o trabalho dos profissionais até o momento em que o jovem foi retirado da mata. Segundo o relato divulgado pelo SAER/SAMU Aeromédico, a atuação do pai foi fundamental para o atendimento e para a operação de resgate.

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