Enquanto o país se choca com a morte do cão Orelha, espancado em Florianópolis, história de André Bressan mostra respeito, amor e responsabilidade na relação com os pets.
Foto: Reprodução
O caso do cão Orelha, brutalmente espancado e morto por maus-tratos em Florianópolis, chocou o país e reacendeu o debate sobre violência contra animais. Em meio à revolta e à indignação, histórias de cuidado, respeito e responsabilidade também merecem destaque. No Sul de Santa Catarina, o adestrador e empresário içarense André Bressan compartilhou a despedida de Hércules, cão que morreu aos 16 anos, como um exemplo de vínculo construído ao longo de uma vida inteira.
Vídeo da despedida de Hércules.
Hércules chegou à família em 2010 e foi o primeiro cão de André. Na época, ele trabalhava na indústria química, mas a convivência com o pastor alemão despertou o interesse pelo bem-estar animal e mudou completamente o rumo da sua vida profissional. A partir dessa relação, André passou a atuar no ramo pet, fundou uma escola especializada e hoje comanda uma das maiores escolas para cães do país, com forte presença também nas redes sociais.
Aos 13 anos, Hércules começou a enfrentar problemas de saúde. Em 2022 e 2023, chegou a haver indicação médica para eutanásia, mas o cão respondeu positivamente a terapias alternativas e teve uma sobrevida de cerca de três anos. Nos últimos seis meses, no entanto, o quadro se agravou, com falência renal, tumores e limitações severas.
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Avisado pela equipe veterinária de que o estado do animal havia piorado, André decidiu proporcionar um último dia especial. Sem planejamento prévio, levou Hércules até a praia do Rincão, onde o cão pôde sentir a areia, o vento e aproveitar momentos simples, como passeios de carro e descanso ao lado da família. O vídeo da despedida, gravado nesse dia, integra a matéria e mostra os últimos instantes de vida do animal.
Segundo André, a decisão de não prolongar o sofrimento foi tomada em conjunto com a junta médica que acompanhava Hércules. No retorno ao hospital, ele já sabia que era o momento da despedida.
“Foi um dia que eu tirei para ele, mas que, na verdade, foi um dia que ele me deu”, relatou.
Ao comentar o caso do cão Orelha, André afirmou que episódios de violência contra animais infelizmente são mais comuns do que se imagina. Para ele, o crime envolve não apenas crueldade individual, mas também falhas sociais, econômicas e legislativas. Ele defende punições rigorosas e espera que a morte do animal não seja em vão.
A história de Hércules, no entanto, surge como contraponto à barbárie. Em meio a casos que chocam o país, ela reforça que ainda existem exemplos positivos e que o cuidado com os animais passa por respeito, responsabilidade e empatia, valores que precisam ser fortalecidos diariamente na sociedade.