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Bombeiro carrega cruz por 6 quilômetros em SC para pagar promessa ao vencer Covid-19

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, socorrista escolheu o feriado católico para cumprir promessa feita em um leito de UTI há cinco meses

Divulgação

Do leito de um hospital, Rafael Motta, bombeiro voluntário de Rodeio, no Médio Vale do Itajaí, prometeu que se vencesse a Covid-19 pagaria uma promessa. Católico, o homem de 38 anos se agarrou à fé quando as complicações da doença o fizeram parar na UTI. O corpo respondeu. Recuperado, cinco meses depois do diagnóstico, Motta subiu um morro de cerca de seis quilômetros carregando uma cruz no feriado de Nossa Senhora Aparecida.

Técnico de segurança do trabalho e bombeiro voluntário há 18 anos nas horas vagas, Motta não tinha medo de contrair a Covid-19. Tomava os cuidados necessários, recebeu a primeira dose da vacina e, dias antes da segunda aplicação, em maio, testou positivo para o vírus junto com a esposa.

Jovem e sem comorbidades, o socorrista não esperava que os sintomas fossem se agravar, mas aconteceu. A febre e a falta de ar insistentes o levaram ao Hospital Oase de Timbó dois dias depois da confirmação da doença. Com a saturação de oxigênio no sangue baixa, foram necessários 14 dias de internação para que Motta melhorasse.

— Eu sabia que se continuasse daquele jeito poderia prejudicar outros órgãos do corpo. Prometi que se saísse sem sequelas faria uma penitência. Não só pela cura, mas como forma de agradecer todos que rezaram por mim — conta.

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, Motta decidiu que subiria o morro que leva à igreja da santa em Rodeio. Para tornar o sacrifício maior, pegou uma cruz que usa nas encenações do Teatro Paixão de Cristo.

No dia de Nossa Senhora, na terça-feira (12), saiu de casa cedo, sob a garoa fina que caía, para pouco depois das 6h começar a caminhada. O bombeiro não comentou com quase ninguém que havia escolhido a forma e o dia de pagar a promessa, mas conhecidos o encontraram pelo trajeto e a foto dele passou a circular pelas redes sociais.

Motta chegou ao topo por volta das 8h. Participou da missa e agradeceu muito, mais uma vez. A dor nas costas que veio no dia seguinte não tirou a satisfação de concluir a missão sem parar sequer para descansar.

Venceu a Covid-19

Depois de duas semanas hospitalizado, de perder 14 quilos, de passar um mês mal conseguindo subir as escadas do prédio onde mora, foi capaz de percorrer seis quilômetros de morro com uma cruz no ombro.

Sem sequelas, voltou ao trabalho e ao voluntariado como bombeiro. Motta teve a chance de continuar e ver o filho de dois anos crescer. Oportunidade que outros 1.643 mil moradores do Médio Vale do Itajaí, mortos por conta da Covid-19 no Vale do Itajaí até esta quarta-feira (13), conforme informações do governo do Estado, não tiveram.

Com informações do NSCTotal

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