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Cânions de SC podem sofrer deslizamentos como o da tragédia em Capitólio, diz especialista

Os pesquisadores listaram locais em SC onde já aconteceram e podem ocorrer acidentes como o de Minas Gerais

Divulgação

Os cânions e serras de Santa Catarina tornam o Estado “mais suscetível” para deslizamentos como o que aconteceu em Capitólio, em Minas Gerais, e deixou 10 mortos. É o que afirma a geógrafa e vice-presidente da União da Geomorfologia Brasileira (UGB), Maria Carolina Gomes. As informações são do g1 SC.

Segundo a especialista, a geografia do Estado aumenta o risco para acidentes como o que aconteceu no sábado (8).

— Estamos sim em um Estado bastante suscetível a ocorrências como esta. [Santa Catarina] É um Estado que concentra os maiores cânions do Brasil. Um cânion é um vale fluvial, em que o rio é cercado por paredões íngremes verticais, como em Capitólio. Esses paredões são suscetíveis a movimentos de massa. A chuva desencadeia, mas é um processo que ocorre pela ação da gravidade — explicou.

De acordo com o geólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), João Carlos Rocha Gré, os cânions do Estado e os de Minas Gerais possuem semelhanças.

— Aqui em Santa Catarina, esses blocos rochosos são observados ao longo das encostas da Serra. Por exemplo, Itaimbezinho, Serra do Rio do Rastro [no Sul do Estado] e outras localidades. Esses ambientes possuem condições geológicas semelhantes à do Capitólio — afirmou Gré.

A geógrafa Maria Carolina também listou lugares onde podem ocorrer deslizamentos.

— Arrisco desde Garuva [no Norte do Estado] até Praia Grande [no Sul], conjunto de Serra do Mar, Serra Geral, Serra do Leste catarinense — enumerou.

Segundo os pesquisadores, por serem locais muitas vezes visitados por turistas, a segurança e vigilância nesses pontos são importantes e necessárias.

— São áreas muito visitadas para práticas esportivas ou de lazer, por vezes acompanhadas de guias, por vezes não — disse Gomes.

— De uma forma geral, esses fenômenos [de deslizamentos] podem ocorrer aqui. Diria, é muito maior a chance do que lá, inclusive. Exige um monitoramento por parte do poder público — completou a geógrafa.

Estado monitora áreas suscetíveis

Em nota, a Defesa CIvil de Santa Catarina afirma que trabalha com a vigilância para poder agir rapidamente no caso de risco de acidentes.

“[A Defesa Civil] atua no monitoramento constante de áreas suscetíveis a movimentos de massa, de todas as classificações, inclusive queda de blocos rochosos, por meio da atuação das coordenadorias regionais e da equipe técnica, de forma a agir imediatamente em possíveis ocorrências, com foco direto na prevenção e isolamento das áreas antes das movimentações”

A vice-presidente da UGB definiu o trabalho de observação como “fundamental”. Maria Carolina ressaltou que o monitoramento depende de vários fatores.

— Do tamanho da área, por exemplo. Área muito grande requer metodologias compatíveis a esse tamanho, demandam técnicas diferentes. A simples observação, registro com recorrência é fundamental. Sinais de movimentação, de deslocamento. São evidências simples, mas que devem ser monitoradas com frequência, em bancos de dados — explicou.

Para o professor Gré, o poder público é responsável por manter a integridade da áreas.

— O geólogo [que faz o monitoramento] aponta risco e passa para o órgão público. Cabe a eles fazer os procedimentos — disse.

Serras como as do Rio do Rastro e do Corvo Branco são alvos de monitoramento constante da Defesa Civil catarinense.

— Apresentam grandes formações rochosas e quedas de blocos constantes em períodos chuvosos, o que acarretou na execução de obras para a mitigação dos riscos nos locais — destacou.

SC já teve acidentes com deslizamentos

Santa Catarina já registrou acidentes com deslizamentos antes. Em 2017, uma pessoa ficou ferida dentro um carro, que junto com um ônibus foram danificados em um deslizamento de pedras ocorrido na Serra do Rio do Rastro.

Em 2016, na mesma serra, um motorista ficou ferido após o carro dele ser atingido por pedras e conseguiu fugir pelo único espaço possível para escape, buraco no veículo que as pedras abriram.

Com informações do NSCTotal

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