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Carvão mineral extraído na região Sul gera cerca de R$ 6 bilhões para a economia de SC

Uma das mais acessíveis e confiáveis fontes energéticas, o carvão encontrado nas reservas da região, é responsável pela geração de emprego e renda de milhares de pessoas em todo o país

Divulgação

Ele está nos carros, no cimento das casas, pontes, edifícios, panelas e em diversos produtos que fazem parte do nosso dia a dia. O carvão mineral está presente na vida das pessoas há milhares de anos e precisa ser valorizado.

Desde 1861, quando D. Pedro II concedeu autorização para exploração do carvão na localidade de Lauro Müller, a atividade de mineração do chamado “ouro negro” passou a ter grande impacto na economia do Sul de Santa Catarina. O carvão é responsável por 35% da eletricidade que chega às casas e indústrias catarinenses.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, o carvão mineral é um grande vetor desenvolvimento no estado. Sua extração movimenta cerca de R$ 6 bilhões/ano. Hoje, 85% do carvão da região são utilizados para a geração de energia elétrica. O Complexo Térmico Jorge Lacerda, de Capivari de Baixo, supre 25% da demanda de todo o estado e é considerado o maior complexo termelétrico com carvão brasileiro.

A extração de carvão gera 7,2 mil empregos diretos, chegando a 29 mil indiretos no Sul de Santa Catarina. “Os municípios da região Sul do estado que detém reservas de carvão, utilizado de forma sustentável, possuem grande importância para a geração de emprego e renda”, considera Zancan.

Para o presidente da ABCM, o Brasil não pode ser refém da energia hidrelétrica. “Um país como o Brasil precisa ter mais opções em sua matriz energética. O carvão mineral é uma solução viável para a manutenção, por exemplo, dos serviços essenciais em caso de longos períodos de estiagem e a consequente queda na produção de energia elétrica”, alega.

Ele afirma, ainda, que na questão ambiental, há anos, a produção do carvão mineral é realizada com alta tecnologia, impedindo prejuízos ao meio ambiente. “Se não fosse assim, a Alemanha, que é um dos países mais preocupados com isso, não teria 40% da sua geração de energia proveniente do uso do carvão mineral”, salientou.

Frente parlamentar em defesa do carvão mineral é liderada por deputado catarinense

Com o desafio de articular e criar políticas públicas para o setor, que envolve diretamente os três estados da região sul, o deputado federal Daniel Freitas (PSL/SC), natural de Criciúma, assumiu nesta terça-feira, 28, a presidência da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Carvão Mineral, realizada no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. “A participação de carvão na matriz de energia primária mundial em 2018 alcançou 28%, representando 38% da energia elétrica gerada. O carvão mineral é a mais acessível e confiável das fontes energéticas. O Brasil, nos próximos 20 anos, precisa dobrar seu parque de geração de energia elétrica. Com a necessidade das usinas térmicas e de produzir gás no Brasil, o carvão nacional, maior recurso energético brasileiro (66,7% do total), tem que estruturar ações que visem a sua inserção definitiva na matriz energética brasileira. Queremos modernizar esses parques, com enfoque no meio ambiente e na potencialização de todos esses investimentos. O suporte tecnológico virá da pesquisa, da inovação e do desenvolvimento, com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia; e do Ministério das Minas e Energia”, avalia Freitas.

Presente na cerimônia, o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que serão investidos R$ 400 bilhões na diversificação das matrizes energéticas do Brasil. “Esperamos que as novas usinas de carvão mineral possam fazer parte do plano de expansão, garantindo a segurança energética do nosso país”, frisou o Ministro.

Energia acessível para mais de 200 anos

Para tornar a energia acessível às populações de baixa renda, o mundo dispõe do carvão mineral, cujas reservas estão disponíveis em 75 países. Com a abundância (existem reservas de carvão para mais 200 anos) com os ganhos de produtividade na mineração e com o aumento de eficiência de 32% para cerca de 50% na geração térmica nas próximas décadas, a energia gerada a carvão continuará sendo uma das mais baratas e acessíveis àqueles que mais precisam dela.

Daniel Freitas explica que, quanto ao aspecto econômico, com a liberalização do setor elétrico e o modelo de competição no setor adotado no mundo inteiro, o carvão mineral é o combustível que permite a geração a menores custos. “Sob o ponto de vista social, a segurança do suprimento de energia elétrica no futuro é um dos mais importantes aspectos. Apesar do seu baixo preço, o uso do carvão é incentivado quando se considera a sua disponibilidade e segurança de suprimento em relação aos diversos aspectos geopolíticos e econômicos”, enfatiza o deputado.

 

Meio ambiente, pesquisa e tecnologia

A indústria do carvão tem, por conta de elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, obtido considerável avanço na preservação ambiental. Hoje é possível minerar carvão sem degradar o meio ambiente e sem comprometer a saúde dos trabalhadores. Em vários países, inclusive no Brasil, diversos programas de recuperação ambiental estão em andamento, patrocinados pela indústria do carvão.

Por outro lado, com vultosos investimentos mundiais na pesquisa e desenvolvimento, no ganho de eficiência da geração de energia e na redução das emissões (em torno de 15 a 20 anos será viável a emissão zero com o sequestro e a deposição de CO2, tornando o carvão cada vez mais limpo) farão com que o combustível dos séculos XIX e XX continue sendo o combustível do século XXI.

“As tecnologias de conversão do carvão em produtos (fertilizantes, plásticos e combustíveis líquidos) estão sendo desenvolvidas (China, EUA, Austrália), e são alternativas para atender à expansão da demanda de desses produtos de forma competitiva onde há escassez de petróleo e gás. O carvão permanecerá como fonte importante na matriz energética mundial ao longo das próximas décadas, contribuindo com o desenvolvimento sustentável do mundo. Faremos todos os esforços para alavancar essa tão importante indústria que gera emprego e renda de forma sustentável no sul do Brasil”, enfatiza o presidente da frente, deputado Daniel Freitas.

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