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Cidades de SC determinam corte de árvore com flor tóxica que pode envenenar animais

Conhecida como Bisnagueira, a Espatódea tem plantio proibido no Estado por conta dos seus efeitos tóxicos para insetos e pássaros

Divulgação

Cidades de Santa Catarina estão determinando o corte e medidas para conter o cultivo da Espatódea (Sphatodea campanulata), uma árvore com flores tóxicas prejudiciais a insetos e pássaros. Apesar da lei estadual que proíbe o plantio de novas mudas, alguns municípios propuseram leis mais duras para extinguir de vez a espécie de solo catarinense. 

Conhecida como Bisnagueira, a planta tem origem africana e foi introduzida no Brasil como árvore ornamental e integra o paisagismo de muitas cidades de Santa Catarina. O grande número de botões, com aberturas sucessivas, garante longa floração. Além disso, as flores com formato de tulipa e de coloração forte chamam atenção.

No entanto, o néctar produzido pelos botões florais pode ter efeitos tóxicos para insetos, como formigas e abelhas nativas, e até mesmo para aves, como beija-flores, segundo o professor João de Deus Medeiros, do Departamento de Botânica da UFSC. Ele explica que a substância funciona como uma armadilha. 

— É uma substância açucarada de consistência gelatinosa. Como é uma substância pegajosa, muitos insetos ficam aprisionados no interior da flor — disse Medeiros. 

Além disso, o professor diz que a abelha contaminada poderá levar o produto para a colmeia e pode alterar o processo de confecção das ceras nos favos. Porém, ainda há poucos estudos sobre como a substância afeta a qualidade do mel. 

Lei proíbe plantio

Desde janeiro de 2019, uma lei estadual proíbe a produção de mudas e o plantio desta árvore em todo território catarinense. O infrator que descumprir a lei poderá pagar multa, no valor de R$ 1 mil por planta ou muda produzida, a ser aplicada em dobro no caso de reincidência.  

No entanto, ao menos dois municípios, Nova Trento, na Grande Florianópolis, e São Ludgero, no Sul catarinense, tinham legislação própria antes da determinação estadual. 

Depois que a lei catarinense entrou em vigor, oito municípios do Vale do Itajaí, Sul e Norte do estado, publicaram no Diário Oficial regras que envolvem a planta. Em Indaial e Pomerode, no Vale do Itajaí, há autorização de corte e poda da árvore. 

A pauta mais recente está em tramitação na Câmara dos Vereadores de Joinville, no Norte do Estado. O vereador Adilson Girardi (MDB) propôs um projeto de lei para poder modificar o Código Municipal do Meio Ambiente. Diferentemente dos outros municípios, a proposta quer restrições para outras espécies.

— A nossa proposta é um pouco mais abrangente. Inclui a possibilidade de poda da árvore em caso de não ser possível a sua retirada. Além disso, incluímos restrição para árvores tipo Ficus benjamina, cujas raízes superficiais acabam destruindo calçadas e pavimentos — explica o vereador.

Girardi afirma que o objetivo é estimular a substituição da planta por espécies nativas e, no caso de manutenção da árvore por impedimento do corte, que a poda seja feita antes da florada.

Espécies com plantio e manutenção proibidos em SC

Além da Espatódea, onze espécies de árvores consideradas como “exóticas invasoras” fazem parte de uma lista que estabelece proibições de plantio. As plantas deixam um rastro de prejuízos ambientais, sociais, econômicos ou à saúde em Santa Catarina.

Segundo o biólogo Marcos Eugênio Maes, que é coordenador de Conservação de Flora do IMA, o problema das espécies exóticas invasoras começou a receber mais atenção nos últimos 15 anos. 

— É considerado atualmente um problema bastante grave. A lista se estabeleceu a partir de uma base de dados que tem do Instituto Hórus, que tem algumas espécies monitoradas. A partir de análises de como a espécie está estabelecida no estado, se está no estágio de invasão, da quantidade de indivíduos e se já está provocando impactos, foi estabelecida a lista — explicou. 

Na lista oficial de espécies exóticas invasoras de Santa Catarina aparecem algumas árvores que estão proibidas de plantio e manutenção, sendo necessário o corte e o controle por parte dos proprietários: 

– Acácia-de-espigas (Acacia longifolia) 

– Acácia-mimosa (Acacia podalyriifolia) 

– Acácia-negra (Acacia mearnsii) 

– Casuarina (Casuarina equisetifolia) 

– Cheflera (Schefflera arboricola) 

– Cheflera (Schefflera actinophylla) 

– Cinamomo (Melia azedndarach) 

– Ipê-de-jardim (Tecoma stans) 

– Pau-incenso (Pittosporum uulatum) 

– Saboneteira (Aleurites moluccana) 

– Sansão-do-campo (Mimosa caesalpiniifolia)

Com informações do NSCTotal

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