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Cocal do Sul perde Brandinho, figura que marcou gerações

Conhecido pelo jeito espontâneo, pelas caminhadas no Centro e pela alegria que levava às ruas da cidade, Hildelbrando Cittadin morreu aos 65 anos e deixa uma lembrança que atravessa gerações de moradores.

Foto: Arquivo pessoal

Por: Kelley Alves

A morte de Hildelbrando Cittadin, o Brandinho, deixou Cocal do Sul de luto nesta quarta-feira (5). Aos 65 anos, ele morreu após um infarto agudo do miocárdio.

A notícia rapidamente se espalhou pela cidade e mobilizou moradores nas redes sociais, que prestaram homenagens a um homem que, durante décadas, fez parte do cotidiano e da memória afetiva do município.

O velório acontece na Capela Mortuária de Cocal do Sul. O sepultamento está marcado para as 16h, no cemitério municipal.

Nascido em 30 de agosto de 1960, em Urussanga, Brandinho era o filho caçula de Elias Cittadin e Harmelinda Zanelatto Cittadin. Ainda jovem, recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. Em busca de melhores condições de tratamento, a família se mudou para Cocal do Sul, cidade que passou a chamar de lar.

Com o passar dos anos, Brandinho se tornou uma figura conhecida por todos. Era comum encontrá-lo caminhando pelo Centro, sentado na praça, tomando café nos estabelecimentos, conversando com moradores, cantando, dançando ou se refrescando no chafariz nos dias mais quentes.

O jeito espontâneo e a simplicidade fizeram com que fosse acolhido e querido pela comunidade.

Segundo a sobrinha, Taise Cardoso Petronilho, a doença nunca apagou a essência alegre do tio.

“Era impossível caminhar pelo Centro sem encontrá-lo. A praça era quase uma extensão da casa dele. Gostava de conversar, cantar, dançar e seguia a vida com um sorriso, sem se preocupar com o julgamento das pessoas”, lembra.

Foto: Arquivo pessoal

Ela destaca que Brandinho será lembrado muito além do diagnóstico. “A esquizofrenia fez parte da história dele, mas nunca definiu quem ele era. As pessoas vão guardar na memória um homem afetuoso, de coração puro, que encontrava felicidade nas coisas mais simples e conquistava todos por onde passava”, diz, emocionada.

Nascida e criada em Cocal do Sul, a chefe de gabinete da Prefeitura, Katiane Cechinel, conta que cresceu vendo Brandinho pelas ruas da cidade. Mais tarde, quando passou a trabalhar no Paço Municipal, a convivência se tornou mais próxima.

“Ele ia com frequência à prefeitura para tomar um café com leite bem docinho e conversar. Gostava de perguntar sobre a família das pessoas, dizia que conhecia meu pai e sempre comentava que queria continuar na cidade, perto dos amigos. Também falava do carinho que tinha pelo prefeito Ademir e fazia questão de dizer que era bem tratado por todos”, recorda.

Segundo Katiane, Brandinho era uma pessoa tranquila e querida pela comunidade. “Ele nunca fez mal para ninguém. Todo morador de Cocal conhecia o Brandinho e tinha um carinho especial por ele. É uma pessoa que vai deixar muita saudade e que vai permanecer para sempre na memória da nossa cidade”, ressalta.

Foto: Arquivo pessoal

Ao longo da vida, Brandinho também foi acompanhado pela equipe de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde. A secretária Giovana Galato afirma que ele marcou não apenas os profissionais da saúde, mas toda a cidade.

“Brandinho deixa muitas histórias, muitos sorrisos e a certeza de que marcou Cocal do Sul. Tivemos o compromisso de acompanhá-lo ao longo dos anos, sempre buscando garantir cuidado, proteção e respeito à dignidade. À família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele, ficam os nossos sentimentos”, declarou.

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