Após contrair citomegalovírus ainda na gestação, Ayla passou 41 dias internada e teve a perda auditiva descoberta no primeiro mês de vida. Hoje, aos 1 ano e 3 meses, a menina vive uma nova fase após receber um implante coclear.
Arquivo Pessoal
Por Kelley Alves
Ayla Alves Kulkamp tinha pouco mais de um mês de vida quando Carla Maximiano Alves e o marido descobriram que a filha não ouvia. A menina ainda estava internada, se recuperando das complicações provocadas pelo citomegalovírus (CMV), quando um exame confirmou que ela não respondia aos sons. Em meio à recuperação da filha, uma nova preocupação tomou conta da família de Braço do Norte.
“A gente só conseguia pensar: como vai ser o futuro? Como vamos saber cuidar de uma criança surda? Será que ela vai ser tratada normalmente? Será que vai ter um futuro?”, lembra Carla.
Hoje, com 1 ano e 3 meses, Ayla é uma criança saudável, ativa e feliz. Depois de usar aparelho auditivo sem resposta, ela recebeu um implante coclear e passou a viver uma nova etapa de desenvolvimento, acompanhada de perto pela família e por profissionais.
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A história até aqui, porém, começou antes mesmo do nascimento.
Decisão que fez diferença
Durante a gestação, exames mostravam que Carla tinha citomegalovírus, mas, segundo ela, o vírus estava inativo. Cerca de um mês antes do parto, a mãe teve uma gripe forte. Com a queda da imunidade, o vírus teria sido reativado e atingido Ayla através da placenta.
Antes de completar 37 semanas, o médico que acompanhava a gestação, de Braço do Norte, decidiu antecipar a cesárea. Os exames de cardiotocografia não apontavam alterações, mas ele desconfiou de que algo não estava bem.
A preocupação se confirmou no parto. Ayla estava em sofrimento fetal, havia eliminado mecônio e precisou ser reanimada pela pediatra.
Logo após o nascimento, a médica percebeu outros sinais. A bebê apresentava aumento do fígado e do baço, além de pequenas manchas pelo corpo. Exames de imagem também identificaram calcificações intracranianas.
Naquela mesma noite, por volta das 23h, a pediatra relacionou o quadro da recém-nascida ao histórico de saúde da mãe e suspeitou de citomegalovírus. O tratamento antiviral intravenoso foi iniciado antes mesmo da confirmação dos exames.
Depois, o resultado confirmou o diagnóstico.
A descoberta da surdez ainda no hospital
Ayla permaneceu internada por 41 dias. Nasceu debilitada, com anemia severa, e os pais ainda não sabiam quais consequências a infecção poderia deixar.
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Durante a internação, ela não passou no teste da orelhinha. O exame foi repetido dias depois, novamente sem resposta. A equipe decidiu então realizar o BERA, exame utilizado para avaliar a resposta auditiva.
Foi quando a família soube que Ayla não estava respondendo aos estímulos sonoros.
“Foi um desespero. Foram dias muito tristes. A gente via que ela estava evoluindo, crescendo e ganhando peso devagarzinho, mas, ao mesmo tempo, recebeu a notícia de que ela era surda”, conta Carla.
Com pouco mais de 40 dias, Ayla começou a usar aparelho auditivo para tentar amplificar os sons. Segundo a mãe, não houve resposta, e a família seguiu em busca de outra alternativa.
O caminho até o implante
A possibilidade encontrada foi o implante coclear. O procedimento foi realizado em Tubarão e, conforme a família, Ayla foi a primeira criança a receber um implante coclear no município. Antes dela, apenas um adulto havia realizado o procedimento na cidade.
A cirurgia abriu uma nova etapa na vida da menina. Desde os primeiros meses, Ayla também faz acompanhamento fonoaudiológico duas vezes por semana, trabalho que continua após o implante.
A rotina de consultas, terapias e cuidados mudou também a vida dos pais. Carla deixou de trabalhar fora para se dedicar à filha.
“É uma luta diária. Não é só levar para a terapia duas vezes por semana. Tem os custos e tudo o que envolve os cuidados. Nossa vida mudou 100% depois que ela nasceu. Mas, graças a Deus, estamos conseguindo”, afirma.
A Ayla de hoje
Em casa, diagnósticos e exames dão lugar à rotina de uma menina de 1 ano e 3 meses. Carla descreve Ayla como calma, embora bastante ativa e sempre em busca de atenção. Ela gosta de ambientes conhecidos e sente falta de casa quando passa muito tempo longe.
Mas é a irmã quem parece ter um lugar especial no mundo da pequena.
“A presença da irmã traz segurança para ela. Não importa o lugar nem o horário. Se a mana está junto, ela fica mais tranquila”, conta a mãe.
Depois de tudo o que enfrentaram desde o nascimento, Carla decidiu compartilhar a história da filha para chegar a outras famílias que estejam diante de um diagnóstico difícil.
“Eu sei que muitos pais correm atrás, mas também sei que tem gente que desanima diante de tantas dificuldades. É por isso que conto a história da minha filha. Para as pessoas não desistirem dos filhos”, diz.
As dúvidas sobre o futuro que assustaram a família nos primeiros dias foram, aos poucos, dando espaço às conquistas de Ayla. Para Carla e o marido, a decisão é continuar buscando tudo o que estiver ao alcance para as duas filhas.
“Ela era para ser nossa do jeitinho que ela é. Ela é incrível. Hoje está saudável e, principalmente, feliz.”