Educação

Criolo se manifesta sobre exoneração de professor em Criciúma por clipe: “quebrar padrões”; leia

Docente foi exonerado pelo prefeito Clésio Salvaro (PSDB), de Criciúma, após exibir o clipe da música "Etérea" durante uma aula de artes em escola municipal

Divulgação

O cantor Criolo se manifestou após a polêmica exoneração de um professor de artes da rede de ensino municipal de Criciúma, no Sul de Santa Catarina. O docente foi demitido pelo prefeito Clésio Salvaro (PSDB) por exibir em aula o clipe da música “Etérea”. O vídeo performático mostra pessoas LGBTQIA+ dançando.

A atitude gerou polêmica com inúmeras manifestações, inclusive de Criolo. Além disso, Criciúma amanheceu nesta quinta-feira (26) com diversos pontos pichados com os dizeres: ‘ Homofobia é crime’ e ‘Fora Salvaro’.

Em sua rede social, Criolo postou um pronunciamento em que lamenta a exoneração do professor e reforça a importância do debate. “É necessário quebrar os padrões. É necessário abrir discussões”, publicou o cantor.

Ele ainda cita uma lista de indicações que o clipe teve, inclusive ao 20º Grammy Latino, na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.

O cantor também usou sua rede social, que tem 1,5 milhão de seguidores, para divulgar uma parada LGBTQIA+  programada para ocorrer no sábado (28), no Parque da Prefeitura de Criciúma. O evento está previsto para começar às 14h e para participar o movimento pede 1kg de alimento não perecível.

A divulgação do evento foi feita pela vereadora Giovana Mondardo (PCdoB). “Existem muitas coisas que não podem ser toleradas: Uma delas é a violência contra a população LGBT”, publicou.

A vereadora ainda informou que pretende entrar com uma denúncia no MP (Ministério Público) contra o Prefeito Clésio Salvaro. A acusação é de homofobia em razão de vídeo publicado nas redes sociais de Salvaro.

Criolo divulgou a Parada LGBTQIA+ que deve ocorrer neste sábado em Criciúma. – Foto: Reprodução/Internet

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Veja o pronunciamento de Criolo na íntegra:

”ETÉREA MASSA COMPLEXO

“É necessário quebrar os padrões. É necessário abrir discussões”.

Mais uma vez, desde seu lançamento, o clipe e o documentário da música Etérea [com a participação de representantes de coletivos LGBTQIA+ nacionais] abrem espaço para o debate na sociedade brasileira, após a lamentável demissão de um professor depois de exibir o projeto em sala.

Tanto o clipe como o doc, ambos sem nenhum tipo de restrição pelas diretrizes do YouTube, já foram exibidos em diversos festivais de cinema e instituições de arte, música e dança [como a Filmoteca da Universidade Nacional do México], ao longo dos quase dois anos de suas trajetórias internacionais.

Compartilhamos orgulhosamente o documentário novamente aqui, na esperança de que ele possa chegar mais longe, com mais pessoas entendendo e refletindo sobre o que acontece em nosso território e como o Brasil se tornou o país que mais mata sua população LGBTQIA+ em todo o planeta.

“Mas se tem um jeito esse meu jeito de amar Quem lhe dá o direito de vir me calar?”

Criolo | Etérea

Prefeito de Criciúma reafirma expressão “viadagem”

Questionado sobre o termo ‘viadagem’, usado para classificar um videoclipe exibido em sala de aula pelo professor de artes, o prefeito Clésio Salvaro ratificou a sua fala: “viadagem sim”.

E completou: “Enquanto eu estiver de plantão nesta cidade não vão transformar as escolas de Criciúma num Cine Milanez’ [último cinema de exibição de filmes pornográficos no Estado], disse ele, após exonerar o docente e condenar as imagens consideradas por ele como “erotizadas”.

“Vídeo impróprio, inadequado, erotizado para as crianças da Escola Pascoal Meller. Inadmissível, não aceitamos. A escola não pode se prestar a este papel. Educação é para o professor ensinar os alunos a ler, escrever, fazer interpretação de texto, fazer operações matemáticas, interpretar texto… Mas vamos além disso, temos aulas de robótica, curso de inglês, aulas de artes, mas não este tipo de arte, erotizada”, completou ele, que ainda negou a atitude como homofóbica.

“Não é homofobia, não sou homofóbico, inclusive, tenho grandes amigos, pessoas muito próximas, que são homossexuais. Agora, não pode, em uma sala de aula, querer plantar isso na cabeça das pessoas”, relatou.

Com informações do NDMais

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