Casa nasceu inspirada nos pubs ingleses e comemora aniversário no dia 17 de outubro com Augusto Licks & Engenheiros no palco.
Fotos: Augusto Trevisol
Uma viagem pela Inglaterra, algumas noites conhecendo pubs, muita cerveja artesanal e uma paixão antiga pelo rock. Foi dessa combinação que Rafael Darella Colle voltou para Urussanga com uma ideia: criar por aqui um espaço inspirado na cultura que tinha acabado de conhecer de perto. Nove anos depois, o Pub Rock Hotel se prepara para comemorar o aniversário com uma história que cresceu além daquele primeiro projeto.
A celebração será no dia 17 de outubro. O palco ajuda a mostrar o tamanho desse caminho. A atração será Augusto Licks & Engenheiros, com um repertório que revisita clássicos ligados à formação GLM dos Engenheiros do Hawaii, período de Humberto Gessinger, Augusto Licks e Carlos Maltz.
Sócio-administrador do Pub Rock Hotel, empresário dos setores de hotelaria e gastronomia e produtor de eventos, Rafael lembra que receber um músico que acompanhou por tantos anos tem um significado diferente.
“Você começa pequeno, monta um palco dentro do seu pub e, algum tempo depois, está recebendo artistas que sempre estiveram na sua playlist. Cada evento abre uma porta para o próximo. E eu ainda acho que é só o começo”, conta.
Ideia que veio dos pubs ingleses
Antes do primeiro chope servido, Rafael foi buscar referências onde essa cultura faz parte da vida cotidiana. Durante uma viagem à Inglaterra, passou por diferentes pubs, principalmente em Londres, observando o ambiente, a cerveja, a música e a relação das pessoas com esses espaços.
Quando voltou, a cerveja artesanal ganhava força no Brasil, mas ainda era novidade para boa parte do público. IPA, Stout e as diferenças entre cervejas inglesas, belgas e americanas estavam longe de ser assuntos tão comuns nas mesas de bar. O Pub acabou participando também dessa descoberta.
“A gente brinca que foi quase um trabalho de ‘catequização cervejeira’ [risos]. Apresentávamos estilos, explicávamos as diferenças, incentivávamos o cliente a provar algo novo. Não queríamos simplesmente vender cerveja. Queríamos criar cultura em torno dela”, lembra.
Fotos: Augusto Trevisol
O interesse pela cerveja ganhou também conhecimento técnico. Em 2020, Rafael concluiu a formação de Sommelier de Cervejas pela Escola Superior de Cerveja e Malte, em convênio com a Doemens Akademie, da Alemanha.
O próprio nome escolhido para o negócio resume a proposta. O hotel já existia e recebia turistas, então Rafael buscava algo simples e que pudesse ser entendido por pessoas de diferentes lugares.
“Pub, Rock e Hotel são palavras praticamente universais. Se você mostra o nome para alguém aqui no Brasil, na Alemanha ou na Inglaterra, a pessoa já consegue entender do que se trata”, explica.
Quando a playlist chegou ao palco
Com os anos, o espaço mudou. A carta de cervejas aumentou, a estrutura cresceu e os shows ganharam outra proporção. Foi quando artistas que Rafael conhecia como fã começaram a aparecer no palco da casa.
Um dos momentos que marcaram essa virada foi a apresentação de Gazu, do Dazaranha. Depois vieram encontros e relações com músicos como Rafael Malenotti e Charles Master.
“Quando trouxemos o Gazu, tive uma sensação muito clara de até onde poderíamos chegar”, lembra.
Mas os nove anos não ficaram marcados apenas por quem subiu ao palco. Rafael percebeu isso ao começar a ouvir dos próprios clientes histórias de noites vividas ali muito tempo atrás.
Aniversários foram comemorados, amizades começaram entre uma mesa e outra e há frequentadores que continuam aparecendo desde os primeiros anos.
Fotos: Augusto Trevisol
Fotos: Augusto Trevisol
Ao mesmo tempo, gente nova chega e conhece o espaço pela primeira vez. “Às vezes alguém comenta alguma coisa que aconteceu no Pub cinco, seis, sete anos atrás e você percebe que aquela noite ficou na memória da pessoa. Para mim, é aí que um estabelecimento deixa de ser simplesmente um lugar onde alguém vai beber ou assistir a um show e passa a fazer parte da história da cidade e da região”, conta.
O caminho também teve períodos difíceis. Em 2018, com a greve dos caminhoneiros e o desabastecimento, Rafael chegou a usar a pouca gasolina disponível para buscar chope diretamente nas cervejarias porque as entregas haviam parado. Depois veio a pandemia, que ele considera a fase mais complicada desde a abertura.
A casa atravessou os dois períodos e chegou a 2026 reunindo quem acompanha a trajetória desde o começo e quem ainda está descobrindo o lugar.