Saúde

Denúncias trabalhistas resultam em ameaça de paralisação no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma

Relatos apontam atrasos salariais, problemas com FGTS e consignados; sindicato notificou direção e fixou prazo para regularização.

Foto: Divulgação

Denúncias de irregularidades trabalhistas resultaram em ameaça de paralisação no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, após notificação oficial do SindiSaúde diante da continuidade de problemas relatados por trabalhadores. A situação envolve atrasos salariais, falhas no pagamento de direitos trabalhistas e descontos sem repasse, cenário que, segundo os profissionais, tem afetado diretamente as condições de trabalho e o atendimento à população.

De acordo com relato de uma trabalhadora, os problemas incluem atraso no pagamento de férias, falta de materiais básicos para o exercício das funções e irregularidades no repasse de valores descontados de empréstimos consignados.

“Estamos enfrentando atrasos recorrentes no pagamento de férias, além da falta constante de materiais básicos para o exercício do trabalho”, afirmou.

Ainda segundo os relatos, valores referentes a empréstimos consignados estariam sendo descontados diretamente da folha, mas sem repasse às instituições financeiras.

“Os valores estão sendo descontados, mas não estão sendo repassados, gerando prejuízos, cobranças indevidas e risco de negativação para funcionários”, relatou.

Os trabalhadores também apontam que o FGTS não estaria sendo depositado regularmente desde setembro, além de divergências no pagamento do adicional de insalubridade. Conforme os relatos, a categoria teria direito a 40%, mas estaria recebendo apenas 20%. Também há queixas sobre ausência de vale-alimentação e falhas no carregamento do cartão transporte. O cenário, segundo os profissionais, tem provocado insegurança financeira e emocional.

“Trabalhamos e não recebemos. Parece que não vamos ter pagamento no mês de fevereiro também. Eu moro de aluguel, tenho contas e filho para sustentar”, relatou uma trabalhadora.

Os funcionários também afirmam sentir receio de se manifestar.

“Nos sentimos coagidos por não poder retratar nossa indignação. Só queremos o que é nosso por direito”, disse.

Diante da situação, o SindiSaúde notificou oficialmente a direção do hospital. De acordo com o presidente do sindicato, Cléber Ricardo Cândido, a entidade já ingressou com ação coletiva para discutir direitos relacionados a consignados, FGTS e outras pendências trabalhistas. Segundo o sindicato, caso as pendências não sejam regularizadas dentro do prazo legal de 72 horas após a notificação, poderá haver paralisação dos serviços.

A entidade informou que a medida seguirá a legislação, que exige aviso prévio em casos de paralisação em serviços essenciais, como a saúde. O sindicato reforçou ainda que, caso os valores não sejam depositados até quarta-feira, a paralisação poderá ser iniciada a partir de quinta-feira, dia 5, mantendo o compromisso com a legalidade e com a defesa dos direitos dos trabalhadores da saúde. O SindiSaúde também orienta trabalhadores que se sentirem prejudicados a reunirem documentos, como extratos do FGTS e comprovantes de prejuízos financeiros relacionados a consignados, para eventual ingresso em ações coletivas.

A reportagem entrou em contato com a direção do hospital e com o IDEAS para manifestação sobre os fatos relatados, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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