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‘Deus salve o Rei’: saiba como foi a coroação de Charles 3º em Londres

Acompanhado da esposa Camila, que também foi coroada rainha, Charles foi coroado oito meses depois de subir ao trono após a morte de sua mãe

Foto: Oli Scarf/AFP/Divulgação/ND

Em um evento que não acontecia no Reino Unido há 70 anos, Charles 3º foi coroado neste sábado (6) ao lado da esposa, Camilla, oito meses depois de subir ao trono após a morte da mãe, Elizabeth 2ª. A cerimônia solene e suntuosa, aconteceu na Abadia de Westminster, em Londres.

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O arcebispo de Canterbury, Justin Welby, líder espiritual da Igreja da Inglaterra, colocou na cabeça do monarca de 74 anos a coroa de Santo Eduardo, que não era utilizada desde a coroação de 1953, da rainha Elizabeth.

A multidão reunida nas ruas de Londres, apesar da chuva, aplaudiu e comemorou o momento. A rainha Camilla foi coroada imediatamente depois.

Os herdeiros da coroa, William e Kate, de 40 e 41 anos, acompanharam a cerimônia religiosa sentados na primeira fileira da abadia.

Quase 2.300 convidados estavam no templo, incluindo a primeira-dama dos Estados Unidos, Jill Biden, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assim como centenas de representantes da sociedade civil britânica.

O príncipe Harry, filho mais novo de Charles, que mantém uma relação tensa com a família real, sentou discretamente ao lado dos primos na terceira fileira, sem a esposa Meghan Markle, que ficou na Califórnia com os dois filhos do casal.

A coroação

“Deus salve o rei Charles!”, afirmaram os presentes para marcar o início da cerimônia, depois que Charles 3º e Camilla entraram com as capas cerimoniais na abadia, após uma breve procissão de carruagem que começou no Palácio de Buckingham.

Com a mão na Bíblia, o rei prestou juramento. Em seguida, na parte que é considerada a mais sagrada da cerimônia, o arcebispo Welby ungiu as mãos, o peito e a cabeça do monarca, que estava escondido da vista do público por uma tela.

Em substituição à tradicional homenagem dos aristocratas, o religioso convidou todas as pessoas, onde quer que estivessem assistindo ou ouvindo a coroação, a jurar lealdade ao novo rei. Essa novidade histórica que pretendia democratizar a cerimônia, provocou fortes críticas do movimento contrário à monarquia.

Joias e vestimentas com ouro

Embora o rei desejasse uma cerimônia mais moderna e simples que a de sua mãe, em um momento de grave crise pelo aumento do custo de vida, três coroas cravejadas de diamantes foram utilizadas no evento: uma para Camilla e duas para Charles 3º, porque a coroa de Santo Eduardo é usada apenas no momento preciso da coroação.

Também foram utilizadas diversas vestimentas antigas bordadas a ouro: o rei apareceu com as peças de maneira progressiva durante a cerimônia, o que incluiu três cetros, uma espada cravejada de pedras preciosas e um par de esporas de ouro.

Para seguir as convicções ecológicas do monarca, o óleo utilizado na unção era vegano, mas foi consagrado – como a tradição exige – na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém, onde os cristãos acreditam que Jesus foi enterrado.

Após a cerimônia, os monarcas, acompanhados por milhares de militares e integrantes da realeza, retornaram em uma nova procissão ao Palácio de Buckingham, onde, ao lado da família, acenam para a multidão.

O príncipe Harry não deve aparecer ao lado do pai, a menos que a família adote um gesto de reconciliação com o filho mais novo de Charles 3º, que fez duras críticas à monarquia, em particular contra a rainha Camilla e seu irmão William.

Manifestantes detidos

Milhares de fãs da monarquia se aglomeraram nas ruas de Londres, ao longo do percurso da carruagem real, para saudar os monarcas.

“Estamos muito entusiasmados, muito orgulhosos de sermos britânicos”, disse à AFP Phyllis Taylor, de 60 anos, que viajou da Escócia para Londres com o marido para “esta ocasião muito especial”.

No trajeto, no entanto, o casal real passou por cartazes do grupo antimonarquista “Republic”, com a frase “Not my king” (Não é meu rei). Ativistas foram detidos quando se preparavam para protestar.

“Prenderam seis dos nossos organizadores e confiscaram centenas de cartazes. Não disseram o motivo da detenção, nem para onde foram levados”, declarou à AFP um manifestante.

Quase 20 membros do grupo ecologista “Just Stop Oil” também foram detidos. A polícia, que mobilizou 11.500 agentes para a data, anunciou que não toleraria nenhum tipo de distúrbio.

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“Nenhum ativista do ‘Just Stop Oil’ detido tinha cola, tinta ou qualquer plano para atrapalhar a coroação”, afirmou o grupo no Twitter.

“As novas leis policiais significam que agora vivemos em um pesadelo distópico: este exagero vergonhoso é o que poderíamos esperar em Pyongyang, Coreia do Norte, não em Westminster”, acrescentou, em referência a uma lei aprovada em caráter de urgência que dá mais poderes à polícia para impedir as manifestações.

ONGs como a Human Rights Watch também criticaram o bloqueio de “protestos pacíficos”.

Com informações do ND+

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