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Diminuem chances de achar sobreviventes em avião desaparecido na Argentina, diz Defesa Civil

Trabalhos de busca são operados por cerca de 300 pessoas, segundo Defesa Civil no país

Divulgação

As buscas ao avião desaparecido na Argentina já assumem, nesta segunda-feira (11), uma menor possibilidade de encontrar os três brasileiros que estavam a bordo com vida, conforme os dias avançam. A operação para resgate dos tripulantes, todos eles de Florianópolis, foi iniciada na última quarta (6), quando o último contato da aeronave foi registrado em Comodoro Rivadavia.

— Na medida em que os dias passam, as expectativas de sobrevida diminuem. Mas claro que sempre vamos ter esperanças de poder encontrá-los com vida. Temos tudo preparado, o sistema de saúde preparado para nos depararmos com eles com vida — disse Jose Mazzei, subsecretário de Proteção Civil e Gestão de Riscos de Chubut, província onde se concentram as buscas, ao G1 SC.

Desde o dia do desaparecimento, o órgão tem prestado apoio aos familiares dos tripulantes. Alguns deles foram à Argentina na última quinta (7) para acompanhar os trabalhos, mas estão quase todos de volta ao Brasil, onde terão retornos agora por aplicativos de mensagem e chamadas de vídeo.

— Eu tenho duas ou três reuniões diárias com eles. Em Comodoro, restou apenas um único familiar, que está embarcando hoje [segunda] para Buenos Aires e voltando para o Brasil — completou Mazzei.

Ainda de acordo com ele, os trabalhos de busca são operados por cerca de 300 pessoas, com atuação no ar, na terra e no mar. Estão mobilizados nisso a Força Aérea Argentina, a Prefeitura Naval Argentina, autoridade marítima no país, a Armada Argentina, braço naval das Forças Armadas locais, o Exército Argentino e a Defesa Civil de Chubut, esta última da qual Mazzei faz parte.

Até aqui, a operação tem sido dificultada pelas condições meteorológicas locais, principalmente no que se refere à busca aérea. Nesta segunda, Comodoro Rivadavia amanheceu com céu claro, mas contando mais uma vez com previsão de tempo nublado e chuvas ao longo do dia. Ainda assim, o tempo está mais favorável do que o registrado no fim de semana, quando houve interrupção parcial dos trabalhos.

— Depois do meio-dia, vai ter um pouco de vento, com rajadas de até 50 km/h, e alguma coisa de chuva, mas vai nos permitir trabalhar. Ontem [domingo], tivemos problemas com buscas terrestres, por conta das condições meteorológicas que sofremos, e, igualmente às 16h30, foi possível retomar as buscas aéreas — disse o subsecretário.

Na véspera do desaparecimento, o trio de brasileiros havia estado a passeio em Comodoro Rivadavia, localizada na província de Chubut, onde participaram de uma celebração pelo aniversário de um aeroclube local. Em seguida, eles foram visitar El Calafate, cidade mais ao sul do país, também na Patagônia.

Já na manhã de quarta, o avião partiu do aeroporto de El Calafate com destino à cidade de Trelew, também no sul argentino. No entanto, na metade final do trajeto, o trio fez um último contato com a base aérea de Comodoro Rivadavia. Na ocasião, outros dois aviões viajavam juntos com a aeronave agora desaparecida e chegaram ao destino.

As autoridades argentinas à frente das buscas não comunicaram o que pode ter ocorrido com o avião. No entanto, uma hipótese foi levantada pelo presidente do aeroclube de El Calafate, Freddy Vergnole, em entrevista ao Diario Jornada. Ele esteve com o trio antes da decolagem e conversou com o piloto de um outro avião que percorreu o trecho na ocasião.

Segundo ele, por conta das condições meteorológicas, houve formação de gelo nos aviões que passaram pela região de Comodoro Rivadavia naquela altura, situação para a qual um avião pequeno não está adaptado. O gelo se acumula nas asas e produz peso sobre a aeronave, além de poder danificar o motor, exigindo habilidade do piloto para se desvencilhar da situação.

As identidades dos três tripulantes foram confirmadas na última quinta (7) pela família de um deles. Tratam-se do empresário Antônio Carlos Castro Ramos, do ramo da construção civil de Florianópolis, do advogado Mário Pinho e do médico Gian Carlos Nercolini, conforme publicou o G1 SC.

— Os três tripulantes do avião são amigos. Todos têm seus próprios aviões e são pilotos experientes — disse Adriana Althoff, prima da esposa de Pinho, ao G1 SC.

Toninho, como também é conhecido o empresário, é dono da aeronave e habilitado para pilotá-la. Familiares dos tripulantes se deslocaram para a Argentina na quinta para poderem acompanhar as buscas.

O avião não teve ativado até então um equipamento que auxiliaria em sua localização em caso de acidente, segundo afirma o órgão que controla o tráfego aéreo argentino, a Empresa Argentina de Navegação Aérea (EANA), também à frente das buscas.

Trata-se do transmissor localizador de emergência (ELT, na sigla em inglês), que é acionado pelo impacto de uma eventual queda ou pode ser ativado manualmente pelo piloto. O aparelho transmite sinais que podem ser capturados por uma base aérea, o que auxilia órgãos de busca e salvamento, e tem uso requisitado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em aeronaves civis, caso do avião agora desaparecido.

Com informações do NSCTotal

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