Produção sobre surf e preservação do oceano já foi premiada na França e também está selecionada para festivais na Finlândia e no Brasil.
Foto: Arquivo pessoal
Um documentário que nasceu como projeto de conclusão de curso de estudantes brasileiros agora atravessa fronteiras. “O Chamado do Oceano”, que tem a lagunense Maria Luisa Hoffmann, de 22 anos, como diretora de fotografia, foi selecionado para um festival de cinema no Japão.
A produção utiliza histórias de surfistas para discutir a relação com o oceano e a necessidade de preservação ambiental. O filme acompanha três personagens com trajetórias distintas, mas que têm em comum uma ligação próxima com o mar.
Para Maria Luisa, a seleção representa um reconhecimento importante para uma produção independente que começou com poucos recursos.
“É uma honra enorme ver o filme sendo selecionado para diferentes festivais, principalmente os internacionais. Esse reconhecimento ajuda a dar visibilidade ao projeto, abrir possibilidades de apoio e parcerias e mostra que todo o esforço da equipe está sendo percebido”, afirmou.
A escolha para o festival japonês ganha um significado ainda maior pela própria história contada no documentário. Um dos personagens, Rodrigo Matsuda, é brasileiro, mas vive no Japão, onde trabalha como shaper, profissional responsável pela fabricação de pranchas.
No filme, Matsuda apresenta o processo de produção das alaias, pranchas tradicionais de madeira. A fabricação utiliza materiais que não deixam os mesmos resíduos tóxicos na água, relacionando a prática esportiva à preocupação ambiental abordada pela produção.
A presença do personagem no Japão também criou uma conexão direta entre o conteúdo do documentário e o país onde ele será exibido.
“Para nós é muito especial porque o Rodrigo mora no Japão e trabalha lá construindo pranchas. A cultura do surf no país é muito forte, então ver um festival japonês selecionando justamente um documentário que também fala sobre essa realidade mostra que o filme conseguiu dialogar com aquela cultura”, explicou Maria Luisa.
Da França ao circuito internacional
Foto: Arquivo pessoal
A trajetória de “O Chamado do Oceano” no exterior começou na França. A equipe viajou para acompanhar a exibição e aproveitar o evento para conhecer outros profissionais do audiovisual.
A participação terminou com um reconhecimento dado pelo próprio público: o documentário venceu a votação popular do festival.
Segundo Maria Luisa, moradores de Laguna e Tubarão, além de familiares, amigos e pessoas que assistiram ao filme na França, participaram da votação.
Desde então, a produção ampliou o circuito de exibições. Além da seleção no Japão, o documentário também foi escolhido para um festival na Finlândia e para outra mostra no Brasil, ainda não divulgada oficialmente pela equipe.
Para a cineasta, acompanhar o filme chegando a eventos internacionais tem um significado particular porque a produção foi realizada por estudantes e com recursos limitados.
“É muito especial ver uma produção feita por estudantes, com pouco financiamento e poucos equipamentos, inserida ao lado de filmes de equipes que já estão há anos no mercado. Para nós, isso representa um reconhecimento muito grande”, disse.
Documentário deve ganhar sessões no Sul de SC
Foto: Arquivo pessoal
Apesar de ainda estar percorrendo festivais, “O Chamado do Oceano” poderá ser exibido em sessões especiais na região.
Maria Luisa pretende organizar apresentações em Laguna, cidade onde nasceu, além de Tubarão e outros municípios do Sul de Santa Catarina. As datas ainda estão sendo planejadas, mas a expectativa é que as sessões aconteçam entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A cineasta também espera que o filme provoque no público uma reflexão sobre a relação com o oceano. Segundo ela, a proposta é mostrar como o contato frequente com o mar pode despertar nos próprios surfistas uma preocupação maior com a preservação da natureza.
Ao mesmo tempo, a circulação do documentário tem para Maria Luisa um significado que vai além do cinema. Natural de Laguna, ela conta que, quando era criança, não tinha referências próximas de pessoas que trabalhavam com audiovisual.
“Eu sempre achei que trabalhar com audiovisual fosse algo muito distante da minha realidade. Hoje, conseguir levar um filme para festivais internacionais mostra para outras pessoas que esse caminho também é possível”, afirmou.
A cineasta espera que a trajetória da produção sirva especialmente de incentivo para jovens interessados em cinema e outras áreas do audiovisual.
“Quero que os jovens entendam que é possível seguir esse caminho, mesmo quando parece arriscado ou distante. Existem meios, pessoas e uma comunidade que podem ajudar a transformar esse sonho em realidade”, completou.