Saúde

”É o meu presente”: aos 69 anos, morador de Criciúma transforma aniversário em doação de sangue

Luiz Ernesto Cavalcanti de Albuquerque doa há mais de 50 anos e mantém uma tradição especial: reservar o aniversário para um gesto que pode ajudar a salvar vidas.

Foto: Sul in Foco

Há mais de cinco décadas, o aniversário de Luiz Ernesto Cavalcanti de Albuquerque tem um significado diferente. Em vez de apenas receber presentes, o morador do bairro Linha Batista, em Criciúma, escolheu oferecer algo a quem muitas vezes nem conhece: sangue. Aos 69 anos, ele segue fazendo da solidariedade uma tradição.

“Eu doo todos os anos, principalmente no dia 17 de agosto, porque é o meu presente, a satisfação de doar, a boa sensação de ajudar o próximo”, conta.

Do tipo sanguíneo A+, Luiz começou a doar em 1975, quando ainda vivia no Rio de Janeiro. A iniciativa surgiu depois que leu, em uma barbearia, uma reportagem sobre crianças que precisavam de doação de córneas. Sensibilizado, cadastrou-se como doador e, posteriormente, realizou a primeira doação de sangue.

Desde então, manteve uma rotina de aproximadamente quatro doações por ano. Com o passar do tempo, também começou a doar plaquetas por aférese e se cadastrou como doador de córneas e órgãos. Há cerca de 12 anos e meio, desde que se mudou para Criciúma, passou a realizar as doações no Hemosc.

Uma das lembranças mais marcantes aconteceu no Rio de Janeiro. Durante uma doação, Luiz encontrou o pai de uma criança que estava internada em situação delicada. Ao saber que ele era doador, o homem o abraçou.

“Apareceu um pai, que soube que eu era doador, me abraçou, e eu vi a filhinha dele numa situação muito difícil. Aquilo me tocou muito”, relembra.

O exemplo também chegou à família. Quando um dos filhos completou 18 anos, pai e filho foram juntos doar sangue. Luiz conta que costuma convidar outras pessoas para acompanhá-lo e espera que o hábito incentive novos doadores.

“A minha intenção é incentivar para que venham doar sangue, porque isso é necessário. Se eu conseguir deixar esse legado para alguém aqui, eu ficaria muito feliz.”

O exemplo ganha importância diante da necessidade constante de manter os estoques. O Hemosc de Criciúma atende municípios de toda a região Sul e depende de doações regulares para abastecer hospitais e atender pacientes que necessitam de transfusões.

Em Criciúma, as doações podem ser realizadas no Hemocentro Regional, na Avenida Centenário, nº 1.700, no bairro Santa Bárbara. O Hemosc recomenda o agendamento prévio.

Aos 69 anos, Luiz não pensa em parar. Com a mudança recente nas regras, doadores regulares que estejam em boas condições de saúde poderão continuar doando após os 70 anos, mediante avaliação.

Para ele, significa poder prolongar uma história iniciada em 1975 e continuar fazendo do aniversário uma celebração da vida — não apenas da própria.

“Eu gosto de ajudar e queria que as pessoas tivessem mais essa consciência também.”

 

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