Desenvolvido pela APAE, o projeto promove escuta, oferece orientações especializadas e proporciona fortalecimento emocional.
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Um projeto da APAE de São Ludgero está mudando a forma como famílias enfrentam o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Intitulado de “Além do Diagnóstico: Fortalecendo Cuidadores”, o programa oferece acolhimento terapêutico e orientação especializada aos pais de crianças com autismo, por acreditar que cuidar de quem cuida é essencial para o desenvolvimento saudável dessas crianças.
Acolhimento diante dos desafios
A iniciativa será desenvolvida ao longo do ano e surgiu após ouvir os relatos de pais a respeito dos impactos do diagnóstico na dinâmica familiar. É comum que a notícia venha acompanhada de sentimentos de angústia, medo, insegurança, solidão e despreparo. Dessa forma, a iniciativa visa oferecer um espaço seguro para compartilhar vivências, receber o devido apoio e aprender sobre o manejo do comportamento, rotinas e estimulação adequada das crianças.
Como consequência, a intenção é que as crianças estejam inseridas em ambientes mais saudáveis, amorosos e propícios ao seu desenvolvimento. “Buscamos uma redução significativa nos níveis de estresse, ansiedade e culpa dos pais, além de promover um fortalecimento emocional e maior preparo para o cuidado diário. O projeto busca desenvolver a autoconfiança dos responsáveis, fomentar o autocuidado e incentivar a construção de redes de apoio, contribuindo para uma relação mais equilibrada e saudável dentro do contexto familiar e perante a sociedade”, ressalta a psicóloga Vanessa Alexandre.
Etapas do projeto e ferramentas de apoio
O programa é composto por encontros quinzenais e é dividido em quatro fases: acolhimento inicial com entrevistas individuais; rodas de conversa terapêuticas com psicólogos e terapeutas; oficinas educativas com profissionais de diversas áreas; e encerramento com avaliação dos impactos e entrega de materiais de apoio. Os participantes também terão acesso a um grupo de apoio virtual para compartilhar conquistas e desafios e realizarão um “Diário de Progresso” com registros de pequenas avanços da criança e da família, reduzindo o foco nas dificuldades.
Segundo a psicóloga, os primeiros encontros foram marcados por forte emoção e conexão. “Os participantes compartilharam muitas experiências que mostram o quanto precisam ser fortes todos os dias, pois são os principais responsáveis pela proteção das crianças diante de uma sociedade ainda marcada pelo preconceito. Então, ali é um local seguro para que eles sejam vulneráveis. Ficamos muito felizes por realmente criar uma rede forte de apoio. A APAE tem como missão não só realizar um trabalho interno com as famílias, mas também com a comunidade, para que as pessoas entendem a importância da inclusão”.
Compromisso com a inclusão
A diretora da APAE de São Ludgero, Daniela Ouriques Nunes, especialista em Transtorno do Espectro Autista e doutoranda com foco na inclusão de alunos com autismo, é a idealizadora do projeto. Além do conhecimento acadêmico, ela agrega com sua experiência enquanto gestora da APAE. “Meu compromisso é com a inclusão e o cuidado integral. Compreendo que o acompanhamento terapêutico eficaz vai além do indivíduo, estendendo-se ao bloco familiar, fortalecendo vínculos e promovendo avanços significativos no desenvolvimento e na qualidade de vida”, afirma.
O projeto conta com a atuação integrada de uma equipe multidisciplinar composta por: psicólogo(a)s, terapeuta, fonoaudiólogo(a), terapeuta ocupacional, nutricionista, assistente social e profissionais de educação especial. Ainda em sua primeira edição, a intenção é de continuidade, seja com novos grupos ou com a ampliação do formato virtual.