Documento reúne mais de 200 assinaturas; reivindicações envolvem pagamentos, rotas, benefícios e condições de trabalho.
Foto: Freepik
Entregadores que prestam serviço para uma plataforma de comércio eletrônico articulam uma paralisação das atividades em protesto por melhores condições de trabalho. O movimento foi organizado coletivamente nesta semana. Os trabalhadores relatam insatisfação com valores pagos, logística das rotas, falta de benefícios e ausência de negociação com a empresa responsável pela operação logística.
Na região Sul de Santa Catarina, a empresa mantém estrutura logística em Maracajá, frequentemente utilizada para carregamento e triagem de pedidos. A unidade atua principalmente como centro de distribuição, no modelo de hub logístico (cross-docking), com foco na agilidade do envio de produtos para a região.
O movimento reúne mais de 200 assinaturas em reivindicações feitas de forma on-line, mas acredita-se que uma eventual paralisação reúna por volta de 100 profissionais. Os trabalhadores afirmam não possuir representação sindical direta e apontam dificuldades relacionadas à forma de gestão das entregas. Por conta disso, o grupo procurou o líder sindical Djonatan Elias, conhecido como “Piriguete”, que se prontificou a dar apoio na comunicação e estruturação da manifestação.
Entre as principais reivindicações, estão a atualização dos valores das diárias e o retorno de benefícios e incentivos. Os entregadores alegam que houve aumento no volume de trabalho acompanhado de redução na remuneração. “Antigamente, quando era entregue 101 pacotes, recebia R$ 50,00. Hoje, entrega-se 111 e recebe R$ 10,00”, relatou um dos motoristas, que preferiu não se identificar.
A redução no valor pago por volume entregue é apontada como um dos principais fatores de insatisfação do grupo, que afirma impacto direto na renda dos trabalhadores. Outro ponto levantado é a existência dos chamados “pontos misteriosos”, locais indicados como destino principal no sistema, mas que, segundo os entregadores, acabam exigindo deslocamentos adicionais para outras entregas em diferentes distâncias, sem compensação proporcional por quilometragem.
Os trabalhadores também cobram maior transparência na distribuição das rotas e planejamento prévio no aceite das entregas. Ainda conforme os relatos, há reclamações sobre avisos tardios para aceite de entregas, enviados em horários noturnos ou de descanso, além de possíveis penalizações, como períodos sem repasse de entregas, o que impactaria diretamente a renda.
Outro problema citado é a falta de um espaço adequado para organização das cargas, já que, segundo o grupo, os entregadores não podem permanecer no pátio para organizar as mercadorias, o que aumentaria o risco de avarias e perdas. Os trabalhadores afirmam que as reivindicações foram apresentadas à empresa responsável pela operação e que aguardam retorno sobre as demandas apresentadas.
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