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Estiagem começa a provocar prejuízos na economia de Lauro Müller

Moradores já estão entrando em racionamento de água.

Foto: Guilherme Hahn

A baixa quantidade de chuva registrada nos últimos três meses é preocupante em Lauro Müller. Moradores e órgãos competentes estão em estado de alerta. A estiagem já provoca prejuízo na economia, principalmente no setor da avicultura e da bovinocultura leiteira, e faz com que moradores entrem em racionamento de água.

Conforme o coordenador municipal da Defesa Civil, José Geraldo da Conceição, nos últimos 100 dias, apenas 112 milímetros de chuva foram registrados. “Para se ter uma noção, no último dia 17 de janeiro, em apenas 15 minutos, tivemos 180 milímetros. Isso está trazendo um problema muito grave para a nossa economia”, frisou.

Segundo ele, o setor agropecuário é o que mais preocupa. “Nas localidades de Palermo, Vargem Grande e Itanema, alguns aviários já estão sem água. O Governo do Município, por meio da Secretaria de Agricultura, tem enchido as caixas de água para poder manter as atividades. Até terça-feira, cinco propriedades já haviam sido atendidas. Temos também uma perda significativa no consumo de leite, algo em torno de 10 e 15%”, apontou.

Sem chuva para os próximos dias e reservatório praticamente zerados

Para agravar ainda mais a situação, a previsão não indica chuva até o fim de setembro. “Até o dia 30 deste mês, que é até onde temos os resumos, não há perspectiva de grande quantidade de chuva. Esperamos que, no próximo mês, este índice mude”, lamenta o coordenador da Defesa Civil.

Este é um ano totalmente atípico, conforme Geraldo. “Historicamente, nos outros anos, nunca aconteceu. Nos meses de julho, agosto e setembro tínhamos ainda um pouco de chuva. Neste ano, foi totalmente incomum e estamos com os reservatórios praticamente zerados. Mês de junho, para se ter uma noção, não tivemos uma gota de chuva”.

Moradores sofrem com as consequências

A auxiliar administrativo, Catiani Vacari Ghizoni, 35 anos, moradora do distrito de Guatá, possui duas caixas d’água de 500 litros cada. Na casa, moram cinco pessoas. Ela narra um triste relato sobre como tem sido a rotina enfrentada.

Foto: Guilherme Hahn

“Nesta época e, principalmente, no fim do ano. Se você quer fazer uma faxina não dá. Muitas vezes, a gente tem que optar pelo prático e o que tiver, na verdade. Então, se todos colaborassem acredito que teria um pouco mais de qualidade também. Já cheguei a ficar uma semana sem água, até mais. Precisamos usar bombona para as necessidades mais urgentes, para consumo e para preparar a comida.  Quando não tem opção mesmo, eu vou para a casa da mãe, porque no centro a água chega de forma mais rápida e melhor”.

Casan trabalha dia e noite para manter o abastecimento de água

O diretor do escritório da Casan do município, José Nazareno Nazário, explica como funciona a rede de abastecimento em Lauro Müller. “A Casan do município conta com duas captações. No bairro do Palermo, a captação principal, que é onde abastece por gravidade, e temos a captação abaixo desta principal, em que é utilizada a bomba. Nos casos emergenciais, como é o momento, utilizamos, além da captação principal, a bomba para completar o abastecimento e não deixar faltar água em Lauro Müller. Até o momento, o abastecimento se mantém”, contou.

Não há garantia, entretanto, que isso se mantenha por muito tempo. “Na captação de Palermo, o nível da água está muito baixo. Está preocupante. A Casan está fazendo o possível. Estamos trabalhando inclusive durante a noite. Dá um problema de bomba, nós vamos resolver. O que cabe a nós, estamos fazendo. Realizamos todos os procedimentos para não deixar faltar água”, frisou.

Foto: Guilherme Hahn

Ele garante ainda que uma mobilização será iniciada para evitar que problemas como estes sejam enfrentados no futuro. “Nós vamos fazer um bom trabalho para levar aos nossos engenheiros e diretores uma solução para uma próxima captação futura. Para, quando houver outro período de estiagem forte como este, termos mais água disponível”.

No distrito de Guatá, a responsabilidade é do Governo de Lauro Müller. No local, são dois reservatórios. Um deles está com apenas 30% da capacidade. Conforme o superintende Antônio Carlos Alves, o Lageado, medidas têm sido adotadas. “Na fábrica de refrigerante, entramos em um acordo para que, durante o dia, fiquem com o registro fechado e só utilizem a água no período da noite. Fechamos o registro que distribui a água para o pessoal às 13 horas e abrimos às 17 horas”, afirmou.

Foto: Guilherme Hahn

“Seguimos pedindo e conversando com todos os moradores para colaborar e um vizinho cuidar do outro. Se não, daqui a pouco, ficaremos sem água. Se todos colaborarem, teremos água para nos mantermos. Então, a solicitação é que não lavem carros e calçadas com mangueira. A maioria está conscientizando. Sempre há um ou outro que não age de acordo com as orientações, mas a maior parte está”, acrescentou.

O coordenador municipal da Defesa Civil também reforça que esta é a única solução encontrada. “A racionalização é fundamental. Precisamos ser conscientes e racionalizar sistematicamente para que não haja desperdício de água. Não tem outro meio. Se não houver economia, vai faltar água porque, para o mês de setembro, não temos expectativa de receber chuva. Ultimamente, o que tem sido nos passado pela Defesa Civil, com relação à previsão de chuva, não está sendo concretizado. No fim de semana, tivemos chuva em praticamente toda a região, mas os municípios que não receberam praticamente nada foram Lauro Müller e Orleans”, alertou Geraldo.

Fotos: Guilherme Hahn

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