Projeto reúne voluntários a cada 15 dias no Hospital Santa Otília, em Orleans, com música, brincadeiras e acolhimento a pacientes, acompanhantes e profissionais.
Foto: SulinFoco
Por Kelley Alves
Um nariz vermelho, uma música, uma brincadeira e até um café que provavelmente nunca será servido. A cada 15 dias, voluntários do Plantão da Alegria percorrem quartos e corredores do Hospital Santa Otília, em Orleans, para quebrar a rotina de quem está internado. Entre uma piada e outra, há pacientes que riem, cantam, entram na brincadeira e também se emocionam.
Foi o que aconteceu com Beto da Silva. Durante a passagem do grupo, as músicas mexeram com o paciente, que não conseguiu segurar as lágrimas.
“Parecia que foi Deus que veio trazer as músicas para mim. Eu senti muita calma. Chorei de alegria, não foi de tristeza. Só tenho que agradecer pela visita”, contou, emocionado.
O Plantão da Alegria nasceu de uma iniciativa do Hospital Santa Otília, com Mara e Renata à frente da preparação dos voluntários. A proposta é usar música, brincadeiras, conversas e abraços para levar conforto a quem passa por um momento difícil durante a internação. O projeto prevê justamente a humanização do ambiente hospitalar por meio da arte, do humor e da interação.
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Segundo Mara, a transformação pode ser percebida assim que o grupo entra nos quartos.
“Por um breve momento, o paciente esquece da enfermidade e se emociona com a nossa visita. Podemos sentir a emoção nos olhos de cada um e é gratificante quando vemos o sorriso no rosto deles. Saímos de lá com o coração cheio de gratidão por conseguir proporcionar um momento de alegria e amor ao próximo”, conta.
Para ela, ser uma palhaça humanitária vai além de provocar risadas. “É olhar para o paciente além da doença, enxergar a pessoa, ouvir, acolher e lembrar que o amor também pode ser uma forma de cuidado.”
“O sorriso também cura”
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O médico Gustavo Del Prato acompanha o efeito das visitas na rotina do hospital. Para ele, tirar o paciente por alguns minutos das preocupações relacionadas à internação já faz diferença.
“O sorriso também cura. Quando as pessoas saem um pouquinho daquele ambiente mais fechado, da preocupação com algum diagnóstico ou esperando algum exame, isso ajuda a confortar e deixar o paciente melhor”, afirma.
Del Prato também chama atenção para o reflexo emocional das visitas. “O Plantão da Alegria vem com uma energia muito boa para trazer alegria e ajudar na saúde mental dos pacientes. Traz bastante amor, paz e alegria.”
Um café depois da alta
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Não existe uma abordagem igual em todos os quartos. Os voluntários cantam, conversam, improvisam e adaptam as brincadeiras de acordo com a reação de cada paciente.
Uma delas é “agendar” um café na casa de quem está internado. O grupo pergunta onde a pessoa mora, combina o encontro e segue a conversa como se a visita estivesse realmente marcada.
Em outro atendimento, um cachorrinho feito de balão acabou ganhando um significado maior. Uma das voluntárias contou que entregou o presente a um paciente durante a visita. Na manhã seguinte, ele estava dormindo abraçado ao balão.
As ações previstas pelo projeto incluem interações individuais nos quartos, apresentações pelos espaços do hospital, música e brincadeiras.
“Médicos da alma”
Foto: SulinFoco
Entre as voluntárias está uma mulher com mais de 70 anos que participa das visitas ao lado da filha. Para ela, o trabalho começa pela empatia.
“A gente tem que ter empatia, se colocar no lugar do outro. Quando nós cuidamos da dor do outro, Deus cuida da nossa”, diz.
Ela encontrou uma definição própria para o papel desempenhado pelo grupo dentro do hospital.
“Aqui existem os médicos do corpo. Nós somos os médicos da alma. Fazemos uma terapia diferenciada com cada paciente e também com os profissionais que trabalham, muitas vezes estressados. Estamos aqui para que eles saiam com o coração mais acalentado.”
Outra voluntária contou que chegou ao grupo por convite da prima, Renata. Começou substituindo uma integrante que não poderia participar de uma das visitas e acabou se identificando com o trabalho.
“Eu adoro o que estou fazendo. Faz muito bem para mim e gosto de fazer bem para os outros”, relata.
Alegria também para quem trabalha
Foto: SulinFoco
O Plantão da Alegria não fica restrito aos quartos. Recepção, enfermagem e outros setores também recebem a passagem do grupo.
Mara explica que os profissionais fazem parte da proposta porque convivem diariamente com a tensão e as dificuldades próprias de um hospital.
“Buscamos levar leveza e uma mensagem de esperança para todos, desde os pacientes até os funcionários. Trabalhar em um ambiente como o hospital não é fácil. Por isso, cantamos e procuramos alegrar o dia deles também, para tirar um pouco do peso de um plantão.”
O acolhimento a familiares e profissionais de saúde está entre os objetivos do projeto.
A psicóloga Ana Paula Silva Volpato também acompanha a iniciativa, que ocorre a cada 15 dias, nos períodos da tarde e da noite.
Projeto busca novos voluntários
Foto: Reprodução
O Plantão da Alegria está aberto a pessoas interessadas em contribuir com atividades artísticas, musicais ou recreativas. Mara e Renata participam da preparação dos integrantes para as visitas. O projeto também prevê capacitação em segurança e ética hospitalar, abordagem, comunicação, palhaçaria e improviso.
Quem quiser fazer parte pode entrar em contato pelo WhatsApp (48) 9947-6412 e solicitar a ficha de inscrição.