Economia

Famílias pobres do país tiveram perda de 21,5% na renda na pandemia, diz estudo da UFSC

Desigualdade de renda registrada neste ano é a maior conforme índice analisado desde 2012

Divulgação

As famílias mais pobres do país tiveram uma perda de 21,5% de renda durante a pandemia, enquanto os 10% mais ricos reduziram apenas 7,16% seus rendimentos — uma retração três vezes menor —, segundo um estudo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

A análise do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) aponta que grande parte da perda de renda dos mais pobres está vinculada à expansão do desemprego, além da redução do rendimento por hora trabalhada e da própria jornada de trabalho.

A alta na desigualdade da distribuição de renda foi verificada pelo índice de Gini estadual, que mede o grau de concentração de renda e varia de 0 a 1, sendo 1 o nível máximo de desigualdade distributiva. No 4º trimestre de 2019, o indicador estava em 0,628; já no 2º trimestre de 2021 atingiu 0,646.

Conforme o estudo realizado pelo professor de Economia da UFSC, Lauro Mattei, e pelo economista e pesquisador do Necat, Vicente Loeblein Heinen, o índice de Gini estadual alcançado neste ano é o maior da série histórica iniciada em 2012. Os dados são baseados na mais recente PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

Redução do poder de compra

Conforme o texto, a crise sanitária explicitou uma série de problemas presentes no mercado de trabalho catarinense, que “tendem a permanecer mesmo com a melhora do quadro sanitário e a retomada do nível de atividade econômica”.

Um dos principais impactos da pandemia foi a redução da massa salarial, isto é, da soma de todas as rendas de trabalho recebidas no Estado.

“Em outras palavras, somente em meados de 2021 a massa de salários circulando na economia estadual retornou ao nível registrado no período mais crítico da crise da Covid-19, no 1º semestre de 2020”, dizem os economistas. Assim, isso representa uma expressiva perda de poder de compra da população.

Ainda conforme o estudo, o nível de renda atual em Santa Catarina está 6% abaixo do que seria esperado caso as tendências pré-pandemia fossem mantidas.

Outro ponto alarmante é que o número de catarinenses vivendo em casas sem quaisquer rendas de trabalho segue bastante elevado, atingindo 1,2 milhão de pessoas, ou 16,1% do total da população. O número é 2,2 pontos percentuais a mais do que registrado antes da pandemia.

O texto também destaca que o Estado conta atualmente com 109 mil pessoas que moram em casas cujos responsáveis precisam trabalhar para ter renda, mas não conseguem. Em 2019, esse número era 25% menor, com 87 mil pessoas.

Com informações do ND+

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