Paciente de 77 anos apresentou quadro neurológico grave; superintendente de Vigilância em Saúde explica como ocorre a transmissão e por que a doença não deve provocar uma circulação intensa no estado.
Foto: Getty Images
Por Kelley Alves
A Febre do Nilo Ocidental chegou a Santa Catarina e o primeiro caso oficialmente registrado no estado ocorreu em Imbituba. A paciente, uma mulher de 77 anos, apresentou manifestações neurológicas e morreu. Um segundo caso também foi confirmado em Caçador.
O superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Fábio Gaudenzi, explica que, apesar da morte e do ineditismo dos registros no estado, os casos graves são raros. “A vasta maioria das infecções é assintomática, sendo a evolução para quadros neurológicos graves ou óbito eventos excepcionais”, afirma.
A paciente de Imbituba tinha comorbidades, como hipertensão e diabetes, fatores que podem aumentar o risco de complicações. O caso segue sob investigação epidemiológica para identificar com maior precisão o provável local da infecção.
Doença é transmitida pelo pernilongo comum
A Febre do Nilo Ocidental é uma arbovirose transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos como pernilongos comuns.
O ciclo começa principalmente entre aves e mosquitos. Segundo Gaudenzi, aves migratórias podem introduzir o vírus em uma região. Ao picar uma ave infectada, o mosquito pode adquirir o vírus e depois transmiti-lo a humanos ou outros mamíferos.
Não há transmissão direta das aves para as pessoas nem de uma pessoa para outra. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e, pelas características desse ciclo, a Vigilância considera improvável uma transmissão intensa da doença em Santa Catarina.
Segundo paciente recebeu alta
O segundo caso catarinense foi identificado em Caçador, em um homem de 56 anos. Assim como a paciente de Imbituba, ele tinha comorbidades e apresentou manifestações neurológicas. Após internação, recebeu alta hospitalar.
Embora seja novidade em Santa Catarina, a doença já é conhecida no Brasil. A Febre do Nilo é monitorada no país desde 2014 e já teve registros em 13 estados.
Na maioria das vezes, a infecção passa despercebida. Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas graves. Quando há manifestações, podem surgir febre, dor de cabeça, dores pelo corpo e mal-estar.
“Menos de 1% dos casos evolui para formas graves”, explica Gaudenzi. Nesses casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso central e provocar complicações como meningite e encefalite.
Estado reforça vigilância
Após as duas confirmações, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou as ações de vigilância epidemiológica, laboratorial, animal e entomológica para acompanhar uma eventual circulação do vírus e identificar novos casos.
A prevenção está principalmente em evitar a picada dos mosquitos. Entre as recomendações estão o uso de repelente, telas em portas e janelas, roupas que diminuam a exposição da pele e a eliminação de água parada e de outros locais que favoreçam a proliferação dos insetos.
A orientação é procurar atendimento de saúde diante de febre acompanhada de sintomas neurológicos, como confusão mental, alteração da consciência ou fraqueza, informando ao profissional sobre possíveis exposições a mosquitos.
Gaudenzi reforça que os primeiros registros exigem atenção, mas não significam que Santa Catarina esteja diante de um surto. A vigilância estadual e os serviços de saúde permanecem atentos para identificar e acompanhar possíveis novos casos.
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