Planos de João Rodrigues, Jorginho Mello, Marcelo Brigadeiro e Gelson Merisio têm pontos em comum na redução da espera e na regionalização, mas seguem caminhos diferentes para ampliar o acesso ao SUS.
Montagem Sulinfoco
Reduzir filas, ampliar o atendimento especializado e evitar que pacientes precisem viajar longas distâncias estão entre os principais pontos em comum das propostas para a saúde dos candidatos ao Governo de Santa Catarina. As diferenças aparecem na forma como cada um pretende enfrentar esses problemas.
Marcelo Brigadeiro fixa prazo de até 60 dias para cirurgias e admite usar a capacidade ociosa da rede privada. João Rodrigues aposta em novos hospitais regionais, mais UTIs e uma força-tarefa para cirurgias. Jorginho Mello propõe ampliar programas já existentes, fortalecer hospitais filantrópicos e municipais e manter a expansão da rede. Gelson Merisio apresenta o maior número de programas específicos, com propostas para especialidades, saúde mental, autismo, idosos, mulheres, medicamentos e tecnologia.
Brigadeiro fixa prazo de 60 dias para cirurgias
Entre os quatro planos analisados, Marcelo Brigadeiro é o único que estabelece um prazo máximo para a realização de cirurgias.
O programa Tempo é Vida prevê que qualquer cirurgia indicada pelo SUS seja realizada em até 60 dias. Para cumprir a meta, o plano permite a contratação complementar da capacidade ociosa de unidades privadas, inclusive em horários de menor demanda.
Brigadeiro também propõe mutirões permanentes para zerar a fila de consultas com especialistas, por meio do programa Fila Zero, além de gestão por resultados nas unidades estaduais, com metas de atendimento e avaliação da satisfação dos pacientes.
Outra proposta é retomar a parceria público-privada para o Complexo Hospitalar de Santa Catarina, reunindo as operações dos hospitais Celso Ramos e Nereu Ramos, da Maternidade Carmela Dutra e do Hospital Infantil.
João Rodrigues aposta em novos hospitais regionais
João Rodrigues coloca a expansão da rede hospitalar entre os principais eixos da saúde. O plano defende a construção de novos hospitais em diferentes regiões para reduzir os deslocamentos de pacientes e a chamada “ambulanciaterapia”.
A proposta prevê que estruturas antigas possam ser reformadas e reaproveitadas como pronto-atendimento ou hospital-dia depois da transferência dos serviços para novos prédios. O documento, porém, não informa quantos hospitais seriam construídos nem em quais cidades.
Rodrigues também propõe uma Força-Tarefa Médica para zerar a fila de cirurgias, aumentar o número de salas cirúrgicas, ampliar centros de diagnóstico e distribuir melhor os serviços de média e alta complexidade pelo Estado.
O plano prevê ainda ampliar leitos, especialmente de UTI, incentivar residências médicas e dar condições para hospitais pequenos e médios realizarem mais exames e cirurgias.
Jorginho Mello propõe ampliar programas atuais
O plano de Jorginho Mello segue uma linha de continuidade das políticas atuais.
Na redução das filas, a proposta é fortalecer o Fila Zero, a Tabela Catarinense de Cirurgias e o Programa de Valorização dos Hospitais Filantrópicos e Municipais para diminuir o tempo de espera por exames e cirurgias eletivas.
Jorginho também pretende garantir o custeio dos mais de 300 leitos de UTI que, segundo o próprio plano, foram abertos durante a atual gestão e continuar a expansão da rede hospitalar.
Outra aposta são as Carretas da Saúde da Mulher e da Família, com ampliação de exames preventivos principalmente em regiões de difícil acesso.
Merisio detalha rede regional de especialidades
Gelson Merisio organiza boa parte das propostas a partir da regionalização do SUS e apresenta o maior número de programas específicos entre os quatro documentos analisados.
O plano prevê Centros Regionais de Especialidades nas 16 regiões de saúde, além de mecanismos para tornar mais ágil a regulação das filas, reduzir o tempo de espera por exames, consultas e cirurgias e melhorar os encaminhamentos dentro da rede.
Também estão previstas a modernização dos hospitais estaduais e a qualificação da rede hospitalar regional e filantrópica.
Telemedicina aparece em três planos
A tecnologia para aproximar os serviços dos pacientes aparece claramente nas propostas de João Rodrigues, Marcelo Brigadeiro e Gelson Merisio.
João propõe ampliar a telemedicina e as videoconsultas, além de aumentar o número de médicos no interior.
Brigadeiro prevê consultas remotas para municípios menores, integração digital dos prontuários e uso de ciência de dados pela Secretaria Estadual de Saúde.
Merisio inclui telessaúde, prontuário eletrônico integrado, inteligência artificial e outras ferramentas digitais para melhorar o atendimento e reduzir diferenças entre as regiões.
Saúde mental e autismo ganham propostas específicas
Entre os quatro documentos, Merisio apresenta mais medidas específicas para saúde mental e transtorno do espectro autista (TEA).
Na saúde mental, o plano prevê financiamento estadual para qualificar a Rede de Atenção Psicossocial, Caps tipo III em municípios acima de 200 mil habitantes e leitos psiquiátricos em hospitais gerais e pediátricos. Também inclui ações de prevenção ao suicídio, dependência química e problemas relacionados aos jogos de aposta.
Para pessoas com TEA e outros transtornos do neurodesenvolvimento, a proposta inclui centros de reabilitação, ampliação do acesso a terapias, apoio às famílias e incentivo à pesquisa.
João Rodrigues também inclui saúde mental entre as prioridades, com ações de diagnóstico e cuidado, além da prevenção ao uso de álcool e outras drogas.
Nos capítulos de saúde analisados de Jorginho Mello e Marcelo Brigadeiro, esses temas não aparecem com o mesmo nível de detalhamento.
Mulher, criança e idoso aparecem em diferentes níveis
João Rodrigues prevê uma política estadual para a saúde da mulher e da criança, com fortalecimento do pré-natal, parto e atendimento ao recém-nascido.
Brigadeiro propõe aperfeiçoar a atenção integral à saúde da mulher e garantir atenção à saúde do idoso, sem detalhar no capítulo como essas medidas seriam executadas.
Merisio apresenta mais medidas específicas nesse ponto. O plano prevê ações para reduzir a mortalidade materna, atendimento ao pré-natal de alto risco nas 16 regiões de saúde, UTIs neonatais, ações de vacinação e nutrição infantil, envelhecimento ativo e formação de cuidadores.
Jorginho concentra essa área na ampliação das Carretas da Saúde da Mulher e da Família, voltadas principalmente aos exames preventivos em regiões de difícil acesso.
Atenção básica recebe mais espaço nos planos de João e Merisio
João Rodrigues propõe fortalecer as equipes municipais de atenção básica para prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças crônicas. Também prevê melhorar a vigilância de doenças transmissíveis e a integração entre as secretarias municipais de saúde.
Merisio também coloca a atenção primária entre os eixos de organização do SUS e propõe ampliar equipes multiprofissionais e fortalecer a integração da rede.
Os capítulos de saúde de Brigadeiro e Jorginho concentram mais as propostas em filas, atendimento especializado, hospitais e gestão.
Cannabis medicinal aparece no plano de Merisio
Uma das propostas que diferencia o plano de Gelson Merisio é a inclusão de Práticas Integrativas e Complementares e Cannabis Medicinal.
O documento prevê capacitação para o uso de canabinoides, adesão dos municípios às práticas integrativas e mecanismos para facilitar o acesso aos medicamentos prescritos.
Nos capítulos de saúde dos planos analisados de João Rodrigues, Jorginho Mello e Marcelo Brigadeiro, não aparece proposta equivalente.