Segurança

Filho faz investigação paralela e usa até cachorra da família para achar mãe em SC

Carro da mulher foi encontrado em Guaratuba, mas família segue sem notícias dela desde o dia 6 de maio

Divulgação

A angústia de 18 dias sem saber o paradeiro da mãe motivou o jovem Lucas Ramos Arruda, 27 anos, a fazer uma investigação paralela à procura de notícias da mulher. Débora Arruda, 56, está desaparecida desde o dia 6 de maio, quando foi vista pela última vez saindo acompanhada de um supermercado em Balneário Piçarras. Doze dias depois, um homem buscou a polícia em Guaratuba, no Paraná, e confessou ter estrangulado Débora até a morte — sem apresentar provas. Desde então, a Polícia Civil catarinense investiga o caso, que segue cercado de mistérios.

No último domingo (22), Lucas veio a Joinville na companhia de dois amigos em busca da mãe no local onde supostamente o homem que assumiu o crime teria jogado o corpo, às margens da BR-101, no bairro Vila Nova. Na companhia de Duda, a cachorrinha da família, percorreram as ruas dos Suiços e dos Portugueses, se embrenharam na mata, mas nada foi encontrado.

Assim como o CrossFox de Débora, que foi encontrado no dia 12 de maio com o paralama batido, Duda, que estava com ela no dia do sumiço, também foi localizada em Guaratuba na casa de uma família que a encontrou na rua e a acolheu por dez dias. Fora isso, nenhum outro pertence da mulher foi encontrado, nem mesmo os documentos ou o celular.

São quase três semanas desde que falou com a mãe pela última vez e o sentimento de incerteza e aflição só aumentam. A saída encontrada por Lucas foi ir atrás de informações sobre Débora, por conta própria.

— Pelo depoimento [do homem que se entregou à polícia], ela está morta. Mas temos esperança de encontrar ela viva, é óbvio. Principalmente porque não foi achado o corpo. É angustiante ver os dias se passando e não saber de nada — lamenta Lucas.

Última conversa com a mãe

Lucas falou com a mãe pela última vez um dia antes do desaparecimento, no dia 5 de maio. Na ocasião, trocaram mensagens sobre os planos da mulher, que estava terminando de reformar sua casa em Piçarras e, ao fim das obras, pretendia viajar.

O jovem mora em Balneário Camboriú e conta que a última vez que viu a mãe presencialmente foi durante a Páscoa, quando ela lhe fez uma visita surpresa e levou uma cesta com chocolates. Desde então, mantinham contato por telefone.

— No sábado (7 de maio), mandei uma foto pra ela pelo WhatsApp e ela não recebeu. No domingo, que era Dia das Mães, tentei ligar no horário do meio-dia e caiu na caixa postal. Comecei a achar estranho, mas só soube que ela tinha desaparecido no dia seguinte, quando uma amiga entrou em contato comigo, preocupada — relata o filho.

Após a ligação da amiga de Débora, Lucas diz que correu registrar um boletim on-line e também buscou a delegacia. No meio da semana, o filho foi a Piçarras e começou a ir a locais onde a mãe costumava frequentar atrás de pistas.

Na busca por informações, o filho foi atrás do banco da aposentada, onde conseguiu o extrato bancário e descobriu que a última transação feita tinha sido às 21h30min de sexta-feira (6).

— Não tinha mais compra nenhuma, o que pareceu muito estranho. Falei com um pessoal conhecido dela, que confirmaram ter visto ela pela última vez na quinta-feira, diz 5 — comenta.

O que sabe do dia do desaparecimento

Lucas conta que, no dia do desaparecimento, Débora foi de carro a um mercado próximo de casa, que sempre costumava ir e, na saída, por volta das 21h, foi abordada por um homem pedindo ajuda.

Diante do pedido, segundo Lucas, a mulher teria convidado o homem entrar no estabelecimento para escolher a comida que gostaria.

— Compraram e saíram do mercado, mas ela ainda queria ajudá-lo de alguma forma. Às 22h, os dois entraram no carro, onde estava sua cachorrinha, que sempre acompanhava ela — relata.

Alguns metros à frente, o CrossFox foi visto parando na rua para que dois homens embarcassem. Uma hora depois, conforme Lucas, câmeras de segurança da rodovia flagraram o veículo pegando a saída de Barra Velha para a BR-101, onde passaram pelo pedágio e seguiram rumo a Joinville.

Quilômetros à frente, outra câmera de segurança filmou o veículo chegando em Guaratuba às 2h15min do dia 6, onde os homens teriam abandonado o carro próximo de um rio. Dentro do veículo, segundo Lucas, foram encontradas mochilas, roupas e três facas, que podem ter sido utilizadas para coagir Débora.

Pontas soltas

Ainda há muitas pontas soltas sobre o desaparecimento de Débora e pouco se tem de concreto. Lucas diz que a Polícia Civil não tem passado muitos detalhes para a família, que suspeita que a mãe tenha sido vítima de crime sexual.

O filho comenta, inclusive que, anteriormente, o homem que confessou o assassinato disse que tinha agido sozinho, mas, em segundo depoimento, teria mudado a versão, acusando a participação de outros dois homens que também estariam no carro.

Segundo boletim de ocorrência registrado na noite do dia 18, quando o homem de 23 anos buscou a polícia, ele teria ido na companhia de um pastor confessar o crime. O boletim de ocorrência, que a reportagem do AN teve acesso, descreve que o suspeito estava bebendo com a mulher no carro dela, na cidade do Litoral Norte, quando passou a estrangulá-la. Com ela inconsciente após a agressão, o homem disse que a deixou no banco do passageiro.

Ao assumir a direção do carro, conforme consta no registro policial, ele teria guiado até um local deserto, onde desceu a vítima e novamente a sufocou. Desta vez, até a morte. Depois disso, ele narra a ter colocado no banco de trás e dirigido até Joinville, onde teria deixado o corpo às margens da BR-101.

No meio do percurso, ele confessou ter dado carona a outros dois homens que, inicialmente, relatou ser pessoas desconhecidas. Mas na última semana, voltou atrás no depoimento e declarou que um dos homens é que, na realidade, teria matado Débora.

Apesar das buscas da família e investigação da polícia, até o momento, nenhum corpo foi encontrado. Com o passar dos dias, a esperança de encontrar a mãe ainda com vida vai diminuindo.

— Só peço justiça. Quero muito que os dois outros sejam pegos para que digam onde o corpo foi escondido para possamos saber o que realmente foi feito e nos despedir com um velório descente que minha mãe merecia. Ela tinha um coração muito bom e nobre, sempre ajudava pessoas e animais — descreve o filho.

A reportagem tentou contato com a Polícia Civil para questionar sobre o andamento da investigação, mas não teve resposta.

Com informações do NSCTotal

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