Economia

Frio antecipado fomenta em até 20% mercado de vinhos

O frio antecipado, rigoroso e típico da estação, está garantindo aos comerciantes e produtores de vinho um aumento significativo em suas vendas. Desde a primeira semana de maio, quando a primeira onda de massa polar chegou ao Estado, a comercialização da bebida cresceu em torno de 20% em mercados, vinícolas e empórios. Os vinhos tintos, dos mais variados rótulos e nacionalidades, seguem entre os preferidos. Mas, em alguns locais, as marcas mais acessíveis ao bolso estão entre os mais cotados para esse ano.

Conforme a gerente do Empório Varandas, Sara Farias, mesmo com a busca por nomes mais baratos, de abril para maio, a venda aumentou 20% e, de maio para junho, permaneceu em 15%. Isso exemplifica que a redução no investimento, não impede os adoradores da bebida de consumir e procurar pelos produtos. “Mudou um pouco o perfil porque o vinho sofreu um aumento de 40%, muito pelos impostos e o aumento do dólar. As pessoas estão preferindo consumir marcas com menor qualidade, entre R$ 40 e R$ 50. O importante é que não deixaram de tomar vinho”, destaca.

Essa mudança de preferência impulsionou os comerciantes a expandirem o número de opções comercializadas. Atualmente, o Empório conta com 800 rótulos de vinho, trazendo também produtos de três vinícolas catarinenses e sete do Rio Grande do Sul.

Dobra a procura em mercado

Talvez sejam as redes de supermercados que mais lucrem com a venda sazonal. A quantidade de garrafas de vinhos vendidos no Bistek, por exemplo, dobrou em relação ao ano anterior. Conforme o enólogo da rede, Alex Copetti de Araújo, o mercado também apresentou 70% a mais em lucro até agora. “Nos últimos 45 dias houve um aumento de 100% em número de garrafas vendidas. Atribuímos isso ao frio, mas também a modernização de nossa adega. Atualmente contamos com vinhos de 14 países diferentes”, pontua.

Para esse ano, a rede optou por complementar seu portfólio de vinhos finos com rótulos da região de Urussanga e da Serra Catarinense, totalizando sete vinícolas de Santa Catarina. Com base nas vendas, o vinho é uma grande aposta do Bistek, que, até o fim do ano, busca acrescentar marcas espanholas e italianas às suas prateleiras.

Valorização do regional

A cada ano, são as marcas catarinenses que vem ganhando espaço e se consolidando no mercado local. Conforme a gerente Sara Farias, em seu comércio os vinhos do Estado são comprados muitas vezes para presentear. “As pessoas acabam valorizando o vinho da região e compram para dar de presente para que os outros possam conhecer”, diz. A uva Goethe, de Urussanga e com certificado nacional de procedência, é um exemplo da boa comercialização.

Conforme o presidente da Associação ProGoethe, Renato Damian, somente em sua vitivinícola, Casa Del Nonno, a procura pelo produto aumentou 20% desde o início do frio. O produtor é um dos cinco associados à Associação, que utilizam a uva regional como obra prima. De uma forma geral, a ProGoethe ainda não tem um balanço de acréscimo em vendas, já que esses dados são contabilizados a cada quatro meses. Mas, a associação percebe o aumento através da procura.

“Quando o frio é mais cedo, ele é sempre bem vindo. Isso porque o vinho tranquilo, sem gás, está muito ligado ao consumo, a alimentação. Esse ano, o pessoal está motivado a consumir a bebida e com certeza percebemos um incremento em nossas vinícolas”, pontua.

Segmentos de massas e queijos

Junto com o vinho, outros segmentos de alimentos acabam ganhando destaque durante este período. Como apanhamento da bebida, massas, queijos e molhos estão entre os itens de mais procurados nas prateleiras. “As vendas em nossa padaria melhorou muito. Mas, também temos a ala de importados onde se destacam queijos, geleias europeias e azeites de oliva”, destaca o enólogo do Bistek, Alex Araújo. No Empório Varandas, torradinhas, pastas e molhos também são as opções mais recorrentes de acompamento.

Promessa de boa safra

O frio antecipado, e a previsão de um inverno com mais entradas de massas polares, garante também uma boa safra de vinho e mais lucros para os produtores no próximo ano. Conforme o coordenador regional da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri, Fernando Previ, o clima gélido deste período deve trazer para a região um bom broto nas parreiras e uma melhor colheita do fruto para o mês de janeiro. “O clima atual é muito gratificante e promissor para nós. A uva é uma planta de clima temperado, que precisa de frio para obter uma boa qualidade”, destaca.

Com informações de Denise Possebon / Clicatribuna 

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