Jaqueline da Rosa de Oliveira estava desaparecida há cerca de dez meses; seus restos mortais foram encontrados nessa quarta-feira (5)
Jaqueline da Rosa de Oliveira estava desaparecida há cerca de dez meses – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
A investigação da Polícia Civil que apura a morte Jaqueline da Rosa de Oliveira, cujo corpo foi encontrado enterrado nessa quarta-feira (5), em Tubarão, revelou uma série de fatores que ligam o ex-marido, já preso, ao desaparecimento e à morte da mulher. As informações são do Portal ND Mais.
Além do histórico de violência do ex, o delegado André Monteiro Crisostomo, responsável pelo caso, informou que, logo após o desaparecimento de Jaqueline, o suspeitou se internou em uma clínica para dependentes químicos.
“Isso, naturalmente, chamou a atenção da investigação, porque esse tipo de mecanismo é comumente utilizado por autores de atos extremos, ou para fugir ou para se justificar, já antevendo algum tipo defesa”, explicou o delegado.
Fuga da clínica
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O suspeito fugiu da clínica após três meses de internação e passou a residir nas ruas de Tubarão. Em seguida, conforme a investigação, o ex alugou uma quitinete, voltou a trabalhar e estava em um outro relacionamento.
Apesar de estar vivendo uma nova vida, o suspeito seguiu no centro das investigações. “Após fugir, ele relatou para algumas pessoas que ela [Jaqueline] havia morrido, mas, na primeira oitiva, falou que não sabia onde ela estava. Então, havia ali um conflito de informações”, observou.
Além disso, os investigadores notaram que uma fonte de recursos, utilizada por Jaqueline antes do desaparecimento, estava sendo movimentada pelo ex-marido.
Antes do sumiço, ela também registrou um boletim de ocorrência contra ex-companheiro por violência doméstica, mediante lesão corporal e ameaça de morte.
Prisão e localização do corpo
Diante desse conjunto de provas, o suspeito foi preso e interrogado nesta quarta-feira, em Laguna, onde estava morando com uma nova companheira.
Conforme o delegado, durante o interrogatório, ele negou a autoria do crime e onde estaria Jaqueline, porém, em determinado momento, “desabou emocionalmente” e indicou que sabia onde estava o corpo da ex.
No local apontado pelo suspeito: a casa alugada em que o ex-casal morava, os investigadores encontraram os restos mortais de Jaqueline. A suspeita é que a vítima tenha sido morta e enterrada no quintal há cerca de dez meses.
“Durante a escavação e exumação, foi verificado que o corpo já estava esqueletizado e tinha indícios de carbonização e esquartejamento – tinha ossos cortados de uma maneira que não era combatível com o uso do fogo”, informou Crisostomo.
Apesar de confessar a ocultação do corpo, o ex-marido negou que matou Jaqueline. Segundo o suspeito, a vítima sofreu um mal súbito enquanto os dois consumiam drogas e morreu no local. “Desesperado”, ele teria ocultado o corpo.
A versão, porém, é contestada pela polícia. “A forma com que ele escondeu o corpo não é muito compatível com alguém que se desespera e toma uma atitude impensada. Para nós, não há dúvidas de que houve feminicídio”, afirmou o delegado.
Relacionamento conturbado
Segundo Crisostomo, o casal era usuário de drogas e tinha um relacionamento conturbado. “Ela já havia feito um boletim de ocorrência noticiando violência doméstica, ameaça e lesão corporal. Ele falava que iria matá-la e a agredia”.
Na época, a polícia tentou localizar Jaqueline para colher declarações, mas ela já havia desaparecido. O suspeito confessou que enterrou a vítima entre o final de setembro e início de outubro do ano passado. Eles estavam, na época, morando juntos, apesar de o relacionamento ter idas e vindas.
Para a investigação, não há dúvidas de que se tratou de um feminicídio. Agora, a investigação aguarda o laudo cadavérico que deve apontar a possível causa da morte. O suspeito foi preso preventivamente e encaminhado ao Presídio de Tubarão.
Por Richard Vieira/ND+