Paisagem entre o oceano e a vegetação reúne dunas, lagoas sazonais, prática de sandboard e observação de baleias-francas ao longo do ano.
Foto: Prefeitura de Garopaba
Entre o azul do mar e a vegetação do litoral Sul de Santa Catarina, uma paisagem formada por quilômetros de areia vem chamando a atenção de quem visita Garopaba. As Dunas do Siriú, com cerca de cinco quilômetros de extensão, ganharam recentemente destaque na imprensa estadual pela aparência que, em determinados períodos, faz o local lembrar um deserto à beira-mar.
A comparação com os Lençóis Maranhenses surgiu principalmente por causa das lagoas que podem aparecer entre as dunas depois de períodos de chuva. Quando a água se acumula nas depressões formadas pela areia, o cenário ganha um contraste entre as dunas claras, as pequenas lagoas e o céu, criando uma paisagem que muda conforme as condições climáticas.
Mas a semelhança não se resume à aparência. Assim como acontece em outros ambientes de dunas, o cenário do Siriú está em constante transformação. A ação dos ventos desloca a areia e altera gradualmente o formato das formações.
Para o secretário de Turismo de Garopaba, Serginho Lima, a repercussão ajuda a apresentar uma característica importante do município: a variedade de experiências possíveis fora da tradicional temporada de verão.
“É um cenário que reúne natureza, aventura e contemplação durante diferentes épocas do ano, ajudando a mostrar que Garopaba é um destino que pode ser vivido muito além da alta temporada”, afirma.
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Um cenário que muda conforme a época do ano
Foto: Gabriel Sparrenberger
A paisagem das dunas não é estática. No verão, períodos de chuva podem favorecer o surgimento das lagoas entre as formações de areia. Já em dias de tempo aberto, o destaque fica para o encontro entre a areia, o oceano e a vegetação.
Essa transformação também faz com que uma visita ao local possa apresentar cenários diferentes ao longo do ano.
Segundo Serginho Lima, a própria dinâmica da natureza permite organizar diferentes experiências turísticas conforme cada período.
“A proposta é acompanhar os ciclos naturais de Garopaba. No verão, temos as praias, o surfe e as lagoas que aparecem entre as dunas; de julho a novembro, entram em cena as baleias-francas; enquanto os períodos mais amenos favorecem atividades como trilhas, sandboard e visitas às cachoeiras”, explica.
As dunas também são utilizadas para a prática de sandboard, atividade em que os visitantes descem as encostas de areia utilizando pranchas. Para quem prefere um ritmo mais tranquilo, as caminhadas pelas formações permitem chegar a pontos mais altos, de onde é possível observar a Praia do Siriú e outros trechos do litoral de Garopaba.
No fim da tarde, as dunas se transformam ainda em um ponto procurado para acompanhar o pôr do sol.
Baleias-francas também fazem parte do cenário
Entre julho e novembro, a paisagem do Siriú pode ganhar outro elemento. É durante a temporada reprodutiva das baleias-francas no litoral catarinense que os animais costumam se aproximar da costa.
Dependendo das condições do mar e do ponto de observação, as baleias podem ser vistas a partir das áreas mais elevadas das dunas.
Para o secretário, a possibilidade de combinar diferentes atrativos naturais é uma das características que ajudam a ampliar o potencial turístico da região.
“A baleia-franca acrescenta uma experiência completamente diferente ao roteiro. Do alto das dunas, o visitante pode ter contato com uma paisagem natural e, na época adequada, ainda observar os animais próximos à costa”, destaca.
A proposta de distribuir o fluxo turístico ao longo do ano também está relacionada à conservação ambiental. Para Serginho, o aumento da visitação precisa ser acompanhado de medidas que evitem a degradação do ambiente.
O desafio de preservar as dunas
Foto: Maiane Martinez
As mesmas características que tornam o local atrativo também deixam evidente a necessidade de cuidado. Dunas e restingas são ambientes sensíveis e podem sofrer impactos provocados pelo trânsito irregular de veículos, pelo pisoteio em áreas frágeis e pelo descarte inadequado de resíduos.
Outro desafio é estruturar o acesso sem comprometer o ambiente, com organização de estacionamentos, orientação aos visitantes, sinalização e infraestrutura de apoio.
“O grande desafio é ordenar o uso desse espaço. A paisagem se transforma com o vento, mas também é frágil diante da ação humana. Por isso, precisamos trabalhar com educação ambiental, sinalização, fiscalização e orientação para que o crescimento da visitação aconteça sem comprometer o atrativo”, afirma o secretário.
Segundo ele, a distribuição dos visitantes durante diferentes períodos do ano também pode contribuir para reduzir a pressão concentrada nos dias de maior movimento do verão.
“A lógica é simples: o atrativo só continua sendo um atrativo se for preservado. Por isso, conservação e turismo precisam caminhar juntos”, completa.
Dunas e cachoeira no mesmo roteiro
Foto: KomBabi Lico & Nati
A região ainda permite combinar a paisagem das dunas com outro ambiente natural. A cerca de cinco quilômetros está a Cachoeira do Siriú, cercada por vegetação e com água doce.
A proximidade dos dois pontos possibilita montar um roteiro que passa por cenários bastante diferentes: de um lado, grandes formações de areia diante do oceano; do outro, mata e água doce.
Para quem pretende explorar Garopaba para além das praias mais conhecidas, a região do Siriú reúne atividades de aventura, contemplação e contato com a natureza em diferentes épocas do ano.
A repercussão das Dunas do Siriú, portanto, vai além da comparação com os Lençóis Maranhenses. O que chama atenção é justamente a capacidade de a paisagem catarinense mudar conforme o vento, a chuva, a estação e até a presença das baleias-francas no litoral.
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