Moradora natural de Criciúma, Camila Gomes vive momentos de tensão nos Emirados Árabes após ataques com drones e mísseis atingirem áreas próximas de onde trabalha.
Foto: Arquivo Pessoal
Por Kelley Alves
O que era para ser apenas mais um dia de trabalho terminou em um dos momentos mais assustadores da vida da criciumense Camila Gomes. Morando em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, ela estava no aeroporto da cidade quando ouviu uma explosão e percebeu que um ataque havia ocorrido nas proximidades.
Em entrevista do Sul In Foco, Camila contou que havia acabado de encerrar o turno e estava no estacionamento quando tudo aconteceu.
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“Eu tinha acabado de sair do serviço quando ouvi uma explosão muito forte. O chão chegou a tremer. O barulho foi extremamente alto, mas no começo achei que fosse um míssil interceptado, porque às vezes acontece isso por aqui”, relatou.
A confusão começou quando as pessoas ao redor começaram a correr. Foi naquele momento que ela percebeu que algo mais grave havia acontecido.
“Quando olhei para o lado vi todo mundo correndo. Foi aí que entendi que o aeroporto tinha sido atacado. Eu fui ver o que estava acontecendo e vi colegas de trabalho saindo machucados. Uma colega que tinha trocado de turno comigo foi levada carregada”, contou.
Foto: Arquivo Pessoal
Logo após a explosão, todos os celulares começaram a emitir um alerta de emergência ao mesmo tempo. Segundo Camila, o sistema de segurança bloqueou as telas e disparou uma sirene automática.
“Todos os celulares começaram a apitar com uma sirene muito alta. A tela ficou bloqueada dizendo para procurar abrigo imediatamente. Ninguém sabia se tinham mais drones ou mísseis vindo na nossa direção, então foi um momento de muita tensão”, relatou.
Apesar do clima de apreensão, a rotina em Dubai tenta seguir relativamente normal. Segundo ela, muitos moradores ainda circulam pela cidade, confiando nas medidas de defesa adotadas pelo governo local.
“Ao mesmo tempo que existe tensão, a vida continua. As pessoas vão ao mercado, ao shopping, na farmácia. O governo tem conseguido interceptar muitos drones e mísseis e isso tem dado um pouco mais de segurança para quem está aqui”, explicou.
Mesmo assim, por precaução, Camila decidiu se mudar recentemente para uma região mais afastada da área central da cidade.
“Eu morava no centro e atrás do meu prédio teve um hotel que foi atingido por drone. Por segurança acabei me mudando para um emirado vizinho, que é uma região mais deserta, com poucas construções grandes”, disse.
A criciumense conta que nunca imaginou viver uma situação de guerra no país onde mora atualmente.
“Eu vim de Criciúma, uma cidade muito tranquila, para Dubai, que sempre foi um lugar extremamente seguro. Se alguém dissesse uma semana atrás que isso poderia acontecer, ninguém acreditaria”, afirmou.
Segundo ela, o que mais causa tensão é a dificuldade de identificar o que realmente está acontecendo no momento dos ataques.
“O barulho é o mesmo quando um míssil é interceptado ou quando ele atinge algum lugar. Então muitas vezes a gente não sabe se deu certo ou se algo foi atingido. Isso deixa todo mundo em alerta o tempo todo”, explicou.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades locais e pela imprensa internacional, a maioria dos drones e mísseis lançados contra o território dos Emirados tem sido interceptada pelos sistemas de defesa aérea. Ainda assim, alguns ataques pontuais já atingiram áreas estratégicas, incluindo estruturas próximas ao aeroporto de Dubai, aumentando o clima de tensão na região.
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Enquanto acompanha os desdobramentos do conflito à distância de casa e da família no Brasil, Camila diz que a expectativa agora é que a situação se estabilize.
“A gente espera que tudo isso acabe logo e que a situação volte ao normal. Aqui sempre foi um lugar muito tranquilo e ninguém imaginava viver algo assim”, finalizou.