Anticorpo que protege contra o vírus sincicial respiratório começa a ser aplicado em prematuros no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina.
Foto: Divulgação Hmisc
Uma nova estratégia de prevenção contra infecções respiratórias graves em bebês já começou a ser aplicada em Criciúma. O Hospital Materno-Infantil Santa Catarina (HMISC) iniciou a aplicação do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal que protege crianças contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite e de internações pediátricas.
O medicamento passou a integrar recentemente o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) e representa um avanço importante na proteção de bebês, especialmente durante o período de maior circulação do vírus, que costuma ocorrer entre os meses de março e agosto.
Diferente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe oferece proteção imediata após a aplicação. A dose é única, aplicada por via intramuscular, e garante proteção por cerca de seis meses, justamente o período em que o vírus circula com mais intensidade.
A infectologista do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, Marina Spricigo Maragno, explica que o VSR é uma das infecções respiratórias mais comuns e também uma das que mais levam crianças à internação.
“Hoje sabemos que o vírus sincicial respiratório é a principal causa de bronquiolite e de infecções respiratórias em crianças. Ele é uma das infecções mais prevalentes que levam à internação e pode até evoluir para óbito em alguns casos”, afirma.
Segundo a médica, o diferencial do anticorpo está justamente na rapidez da proteção.
“Ele é diferente de uma vacina porque age imediatamente após a aplicação. Não precisamos esperar 10 ou 14 dias para o organismo produzir defesa. A proteção começa logo após a aplicação e dura cerca de seis meses”, explica.
O tratamento é destinado principalmente a bebês prematuros, aqueles que nascem antes de 37 semanas de gestação, e também a crianças de até dois anos com comorbidades consideradas de alto risco, como doença pulmonar crônica, cardiopatias, síndrome de Down e fibrose cística.
No Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, o medicamento já começou a ser aplicado em bebês prematuros internados na unidade.
Além do anticorpo, o Brasil também passou a contar com outra estratégia de prevenção contra o vírus sincicial respiratório: a vacinação de gestantes.
“Hoje no Brasil temos duas formas de prevenção contra o vírus sincicial respiratório. Uma é esse anticorpo, indicado para bebês prematuros ou crianças com fatores de risco. A outra é a vacina Abrysvo, indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação”, destaca Marina.
De acordo com a infectologista, a vacina já está disponível pelo SUS e protege o bebê ainda durante a gestação.
“Após cerca de 14 dias da aplicação, a gestante já começa a transferir anticorpos para o bebê. Assim, quando a criança nasce, ela já tem proteção contra o vírus”, completa.
A médica explica ainda que, na prática, normalmente é utilizada uma das estratégias de proteção.
“Geralmente fazemos ou a vacinação da gestante ou, se o bebê tiver indicação, ele recebe o anticorpo após o nascimento”, afirma.
Pais e responsáveis que acreditam que seus filhos podem se enquadrar nos critérios devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para avaliação e encaminhamento.
A introdução dessas novas estratégias de prevenção representa um avanço importante na proteção da infância, reduzindo o risco de quadros graves e internações causadas por doenças respiratórias nos primeiros meses de vida.
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