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Ilha de SC é o único lugar do mundo a abrigar mamífero ameaçado de extinção

Projeto pretende instalar câmeras de monitoramento para ajudar na conservação dos preás-de-moleques-do-sul

Divulgação

Um dos pequenos mamíferos mais raros do mundo vive em Santa Catarina: o preá-de-moleques-do-sul é uma espécie de roedor que não existe em nenhum lugar do planeta além de uma das ilhas do Arquipélago de Moleques do Sul, a cerca de nove quilômetros a sudeste da costa de Florianópolis. Sem cauda, com orelhas curtas e corpo robusto, o preá-de-moleques-do-sul foi registrado pela primeira vez em 1989 – mas, na época, foi confundido com outra espécie de preá, que vive no continente.

Só dez anos depois, em 1999, foi publicado o primeiro artigo que descreveu o roedor como uma espécie diferente, batizada de Cavia intermedia – o animal é o único de seu gênero a ter um número diferente de cromossomos, por exemplo. A família à qual pertence o preá-de-moleques-do-sul conta com bichos bem conhecidos, como a capivara e o porquinho-da-índia.

Ele está entre os vinte pequenos mamíferos mais ameaçados de extinção no mundo, e é considerado o mamífero de menor distribuição do planeta, por concentrar-se exclusivamente em uma ilha, de menos de dez hectares, nos limites do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro – maior Unidade de Conservação de Santa Catarina, administada pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente). A Cavia intermedia é a única espécie de mamífero da ilha, que tem também uma espécie endêmica (ou seja, que só ocorre ali) de réptil, a cobra-de-duas-cabeças.

– A população dos preás é muito particular, muito interessante – comenta o biólogo Carlos Salvador, especialista em ecologia de populações e conservação da natureza. Carlos está acostumado a trabalhar com populações insulares, ou seja, de animais isolados e confinados em ilhas. – Eles estão isolados há oito mil anos. Em 2003, quando fiz meu mestrado, essa população ainda não tinha status de conservação definido, ou seja, não se sabia quantos havia, se estavam ameaçados… Como resultado do meu trabalho, essa população foi classificada como “globalmente ameaçada”.

A população de preás-de-moleques-do-sul flutua entre 30 e 60 indivíduos conforme a época do ano; e cada um deles vive cerca de 400 dias.

– Para entender o conceito de raridade, é preciso levar em conta que existem duas medidas: quantidade de animais e distribuição geográfica – esclarece Carlos, a respeito do porquê de os preás-de-moleques-do-sul serem considerados alguns dos pequenos mamíferos “mais raros” do mundo. – Em relação à distribuição geográfica, poderíamos sim dizer que esse é o mais raro em vida livre, pois não se conhece outro mamífero com distribuição geográfica tão pequena. Já quanto à quantidade de indivíduos, é mais difícil afirmar, pois há outras espécies com números próximos. O rinoceronte de java, por exemplo, tem algo entre 40 e 100 individuos.

O roedor não tem predadores naturais na ilha onde vive: sua única ameaça é o homem. Por isso, um projeto organizado por biólogos e ambientalistas vai instalar cerca de quinze câmeras de monitoramento na ilha – também para estudar o comportamento dos mamíferos, mas principalmente para flagrar a presença ilegal de pessoas no arquipélago. A área tem visitação probida, sendo oficialmente classificada como “zona intangível”.

– A maior ameaça do preá é o uso indevido da ilha – afirma o biólogo Carlos Salvador. – Por exemplo, pessoas não autorizadas que fazem acampamento e fogueira: isso pode causar incêndio e acabar com a vegetação, que é o alimento da espécie. Eles também podem levar um predador, como um cachorro ou gato; um competidor, como um celho ou cabra; podem levar doença de preá.

Em 2018, foi criado um plano de ação para a conservação do preá-de-moleques-do-sul; o que, Carlos explica, é uma medida tradicional dentro da ecologia.

– Não precisávamos criar uma unidade de conservação para a espécie, porque ela já vive em uma unidade de conservação – aponta. – O plano de ação foi criado em 2018 e entrou em vigência em 2019. Ele dura cinco anos, ou seja, vai até o final de 2023. A instalação das câmeras de monitoramento faz parte desse plano de ação.

A coordenção geral do plano é do IMA, mas existe um Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) para monitoramento do projeto. O grupo é composto por outras instituições, e o biólogo Carlos Salvador, entre outros estudiosos, faz parte dele. Efaz questão de enfatizar que o plano é parte de um esforço global para conservação de espécies – ou seja, não é só uma iniciativa local.

– No caso desse projeto das câmeras, o financiamento vem do GWC (Global Wildlife Conservation) e do Centro de Pesquisa Greensboro, ambas instituições dos Estados Unidos – explica. – Lógico que sempre será preciso alguém local para botar a mão na massa, mas existem esforços em outros níveis, atuando de outras formas.

Carlos destaca também a IUCN (International Union for Conservation of Nature), que fez o contato com o Centro de Pesquisa Greensboro para financiamento do projeto.

Com informações do NSCTotal

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