Sobrevoo e acompanhamento com drone contabilizaram dezenas de animais na região da Ribanceira, considerada área de berçário da espécie.
Foto: Instituto Australis
Imbituba voltou a se destacar como um dos principais pontos de concentração de baleias-francas no litoral catarinense durante a temporada de 2026. Dois monitoramentos realizados neste mês identificaram dezenas de animais na região, com destaque para a enseada da Ribanceira.
No dia 18 de agosto, um sobrevoo realizado pela SCPar Porto de Imbituba contabilizou 173 baleias entre Florianópolis, em Santa Catarina, e Torres, no Rio Grande do Sul. Desse total, 90 estavam em Imbituba, o equivalente a pouco mais da metade dos animais observados.
A maior concentração foi registrada entre a Praia do Luz e a Ribanceira. Nesse trecho, foram identificadas 62 baleias, distribuídas em 31 pares formados por mães e filhotes.
Seis dias depois, nesta segunda-feira (24), um novo levantamento foi realizado na mesma região, desta vez por meio de drone pelo Projeto Franca Austral (ProFRANCA). O monitoramento, que percorreu a área entre Ibiraquera e Ribanceira, encontrou 59 baleias, sendo 29 pares de mãe e filhote e um adulto solitário.
A proximidade entre os números registrados pelos dois métodos de monitoramento reforça a presença constante das baleias na enseada. Para os pesquisadores, a região tem papel importante durante o período reprodutivo da espécie.
“Avistar 30 grupos em uma enseada pequena, com apenas 5 km de extensão, é um índice expressivo. Isso reforça a Ribanceira como uma área importante para a conservação da espécie no Brasil”, afirma Kevin S. Christmann, coordenador de monitoramento com drone do ProFRANCA.
A enseada está localizada no interior da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, unidade de conservação criada para proteger áreas importantes para a reprodução e sobrevivência da espécie no país.
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Drones ampliam acompanhamento em Imbituba
O uso sistemático de drones faz parte da terceira fase do Projeto Franca Austral, desenvolvida pelo Instituto Australis em parceria com a Petrobras. A nova etapa começou em junho deste ano e estabeleceu uma rotina de monitoramento semanal na região da Ribanceira.
Além de contar animais, a metodologia permite acompanhar indivíduos ao longo da temporada. Um dos registros já identificados pela equipe mostra a permanência do mesmo par de mãe e filhote na área desde 27 de junho até o levantamento realizado nesta segunda-feira.
A pesquisa também pretende avaliar se os drones podem ser utilizados como uma ferramenta padronizada para a identificação e o acompanhamento das baleias-francas, comparando os resultados com aqueles obtidos em sobrevoos tripulados.
“A ideia deste projeto é verificar se o uso de drones é uma alternativa viável em estimar a quantidade de baleias que visita nosso litoral anualmente”, explica Eduardo Renault, diretor de Projetos do ProFRANCA.
Segundo ele, os pesquisadores pretendem utilizar modelos matemáticos de marcação e recaptura para estimar a quantidade de baleias que visitam anualmente a costa brasileira e, posteriormente, comparar os resultados com os dados obtidos diretamente nos sobrevoos.
Fêmea semi-albina é reavistada
Foto: Instituto Australis
A temporada deste ano também trouxe um registro considerado raro para o monitoramento científico da espécie. Uma fêmea semi-albina voltou a ser observada no litoral brasileiro.
O indivíduo é o primeiro com essa característica registrado no catálogo nacional desde o início dos monitoramentos, em 1987. Ao longo das décadas, o projeto já identificou cerca de 1,2 mil baleias-francas.
O semi-albinismo está relacionado a uma alteração genética ligada ao cromossomo sexual e é uma característica especialmente rara entre as fêmeas da espécie. A baleia já havia sido observada pelo ProFRANCA em 2023, quando estava acompanhada de um filhote.
Neste ano, o animal voltou a ser registrado na região, novamente acompanhado de um filhote. A coloração escura do filhote permitiu aos pesquisadores confirmar que se trata de uma fêmea.
“Devido às características genéticas dessa condição, mães semi-albinas vão ter filhotes machos sempre semi-albinos. O filhote deste ano tem a coloração escura, o que nos permite afirmar que se trata de uma fêmea”, explica Renault.
Avistamentos podem ser registrados pelo público
Quem estiver no litoral e encontrar uma baleia-franca também pode contribuir com o monitoramento. O Projeto Franca Austral mantém um mapa interativo com registros atualizados diariamente pela equipe.
Os avistamentos podem ser consultados pelo site baleiafranca.org.br/avistagens ou pelo aplicativo ProFRANCA, disponível para Android e iOS.
A plataforma também permite que moradores, turistas e outros observadores registrem diretamente novos avistamentos, ajudando os pesquisadores a ampliar o acompanhamento da presença das baleias-francas no litoral brasileiro.
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