Aos 56 anos, Laélio Inácio aprendeu a montar o cubo mágico adaptado e agora quer levar a ideia para outras pessoas com deficiência visual, após apresentar o projeto na Alesc e conquistar apoio da Fesporte
Foto – Divulgação
Para muitos, apenas um desafio de lógica e paciência. Para o jornalista Laélio Inácio, de 56 anos, morador de Cocal do Sul e com deficiência visual total, o cubo mágico se transformou maior do que alinhar cores em um quebra-cabeça. É, na verdade, uma ferramenta de inclusão, disciplina e superação.
O primeiro contato com o cubo adaptado aconteceu em 2020, quando Laélio iniciou o curso de jornalismo na UniSatc. Uma colega professora de matemática apresentou a versão inclusiva, inspirada em pesquisas realizadas no Paraná. A partir dali, a curiosidade virou paixão.
“Comecei a treinar, a me dedicar, a estudar. Hoje consigo resolver o cubo mágico adaptado fluentemente. O cubo tem um alcance social muito grande: ajuda na memorização, na disciplina, abre portas. Se eu consigo, todos os outros cegos também conseguem. Eu não sou melhor do que ninguém”, diz com humildade.
O empenho fez com que a ideia ganhasse força. Laélio apresentou o projeto ao deputado estadual Júlio Garcia, que abriu as portas para que a iniciativa fosse mostrada oficialmente na
Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
Durante a audiência com o presidente da Casa, Júlio Garcia, o vice Fernando Krelling e o presidente da Fesporte, Jeferson Ramos Batista, Laélio demonstrou diferentes versões do cubo mágico adaptado, com níveis variados de dificuldade, e sugeriu que a prática seja reconhecida como modalidade oficial no Estado, com estreia nos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc).
O presidente da Fesporte elogiou a proposta, convidou Laélio para realizar uma demonstração oficial durante os Parajasc, que acontecem em setembro, em Lages, e recomendou que a iniciativa seja levada também a outros municípios, ampliando a visibilidade da modalidade inclusiva.
Agora, o jornalista quer expandir o projeto, ensinando outras pessoas com deficiência visual a resolverem o cubo adaptado.
“Se eu aprendi, qualquer um pode aprender. Vamos ensinar todos os cegos a montar. Depois, eles vão competir nos Parajasc. A inclusão vai estar feita”, explica.
O prefeito Ademir Magagnin, que acompanhou Laélio em Florianópolis ao lado da vice-prefeita Roseny Cittadin (Nega) e do diretor de esportes Filipe Pacheco, falou da importância do momento.
“É uma proposta que nasceu em Cocal do Sul e pode ganhar reconhecimento em todo o estado. A iniciativa do Laélio é inspiradora e mostra como o esporte pode ser inclusivo e transformador”, ressaltou.