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Julgamento do 1º pedido de impeachment contra governador de SC ocorre nesta sexta

Integrantes do tribunal especial de julgamento decidem se Carlos Moisés volta ao posto ou perde o cargo. Defesa nega que houve crime e acredita na absolvição.

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O julgamento do primeiro pedido de impeachment contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL), ocorre nesta sexta-feira (27) em Florianópolis. A sessão está marcada para começar às 9h no plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). No julgamento, os cinco desembargadores e cinco deputados estaduais que integram o tribunal especial de julgamento vão decidir se Moisés volta ao posto ou perde o cargo de forma definitiva.

O governador é acusado de crime de responsabilidade no aumento salarial dado aos procuradores do estado, com o intuito de equiparar os salários aos dos servidores do legislativo. A equidade foi concedida em setembro de 2019. O TCE mandou suspender o pagamento do aumento em maio. A defesa de Moisés nega que houve crime e acredita na absolvição dele no julgamento desta sexta.

Ele está afastado do cargo de governador desde 27 de outubro. Isso ocorreu porque o tribunal especial de julgamento, em sessão de 24 de outubro, decidiu aceitar a denúncia contra ele e rejeitar a parte referente à vice-governadora, Daniela Reinehr (sem partido). Por causa disso, ela assumiu como governadora interina desde que Moisés foi afastado.

Nesta sexta, caso o governador seja absolvido, ele volta ao posto. Porém, caso seja condenado, perde o cargo de forma definitiva e Reinehr passa a ser a governadora do estado. Moisés também fica inabilitado para o exercício da função pública. Para que haja condenação, é preciso um mínimo de sete entre os 10 votos possíveis.

Validação da Justiça

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) validou a equiparação dos salários dos procuradores do Estado em julgamento realizado na quarta (25) em Florianópolis.

A decisão pela legalidade do aumento do salário saiu um dia após a governadora interina anular o ato administrativo de janeiro de 2019 que autorizava o pagamento.

Os desembargadores decidiram que o reajuste dado aos procuradores do Estado é legal e que deve ser retroativo à data em que foi autorizada por Carlos Moisés, em janeiro de 2019. O julgamento levou quase quatro horas.

Como será o julgamento?

A sessão começa com a leitura dos pontos principais do processo. Após eventuais questões de ordem, Moisés e o autor da denúncia, o defensor público Ralf Zimmer Junior, têm 30 minutos cada um para se manifestarem.

Depois, podem ser interrogados pelo presidente do tribunal de julgamento, o desembagardor Ricardo Roesler, pelos demais integrantes do tribunal e pelos advogados de defesa e acusação.

Após essa etapa, ocorrem os debates orais. Os advogados de defesa e acusação podem falar por até uma hora e meia cada um, com possibilidade de réplica e tréplica para cada parte por uma hora.

Em seguida, o presidente do tribunal especial de julgamento chama os cinco deputados e cinco desembargadores integrantes, um a um, para discutir a denúncia. Depois, Roesler vai apresentar um relatório resumido dos fundamentos da acusação e da defesa, além das provas.

Após esta etapa, pode ser iniciada a votação. Porém, se houver necessidade de esclarecimentos, poderá ser concedida vista coletiva pelo prazo de cinco dias.

Para que a votação ocorra, é preciso um quórum mínimo de sete integrantes do tribunal especial de julgamento. Eles vão responder sim ou não se Moisés cometeu crime no reajuste dos procuradores e se deve ser condenado à perda do cargo. Caso não haja quórum, a sessão será suspensa e marcada em outra data.

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Como a denúncia chegou até o tribunal de julgamento?

Pedido de impeachment foi aceito pela Alesc em 22 de julho. Oito dias depois, 29 de julho, a assembleia abriu oficialmente o processo. Foi feita uma comissão especial dentro da Alesc para analisar a denúncia e o relator escolhido foi Luiz Fernando Vampiro (MDB).

Em 15 de setembro, a comissão votou por unanimidade por aprovar o relatório e seguir com a denúncia. O alvo, além de Moisés e da vice, também era o ex-secretário de Administração, Jorge Tasca, mas ele pediu exoneração e foi retirado do processo. Votação do relatório em plenário na Alesc por todos os deputados, o que ocorreu em 17 de setembro. Foi feita, primeiramente, votação da denúncia contra a vice-governadora, depois em relação ao governador. Nos dois casos, os deputados escolheram dar prosseguimento ao processo de impeachment. Após a etapa, foi formado o Tribunal Especial de Julgamento, que afastou Moisés, mas absolveu Reinehr.

Quem faz parte do tribunal de julgamento?

Os integrantes do tribunal de julgamento foram escolhidos em 23 de setembro. No Tribunal de Justiça catarinense, foi feito um sorteio para a seleção dos cinco desembargadores.

Os nomes definidos foram os da desembargadora Cláudia Lambert, desembargador Rubens Schulz, desembargador Sérgio Rizelo, desembargador Carlos Alberto Civinski e desembargador Luiz Felipe Siegert Schuch.

Já na Alesc, houve uma votação. Os deputados selecionados foram: Kennedy Nunes, Laércio Schuster (PSB), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Maurício Eskudlark (PL), e Sargento Lima (PSL).

2° pedido de impeachment

Além do processo que o afastou temporariamente do cargo, Moisés se defende de outro Tribunal de Julgamento.

O governador responde por crime de responsabilidade na compra de 200 respiradores a R$ 33 milhões pagos antecipadamente e sem garantia de entrega e pela tentativa de contratação de um hospital de campanha em Itajaí.

Em 12 de novembro, a relatora do segundo processo entregou o relatório ao tribunal misto, formado por outros cinco deputados e cinco desembargadores. A data da leitura e votação da denúncia ainda não foi definida.

Um terceiro pedido de impeachment contra o governador foi entregue pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Respiradores à Alesc em 8 de setembro. De acordo com a assembleia, esse documento seguia em análise até a publicação desta reportagem. Um quarto pedido, feito pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL), também é analisado.

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