Código-fonte, testes públicos, mecanismos de proteção e auditorias fazem parte dos procedimentos adotados antes e durante a votação.
Foto: Jeso Carneiro / Flickr
A Justiça Eleitoral adota uma série de procedimentos para verificar a segurança e o funcionamento das urnas eletrônicas antes e durante as eleições. Nas Eleições Gerais de 2026, as medidas incluem análise do código-fonte, testes públicos de segurança, proteção contra acessos externos e auditorias realizadas no dia da votação.
Segundo o desembargador eleitoral substituto Marcelo Volpato, presidente de uma comissão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) voltada à integridade das urnas, os preparativos começam cerca de um ano antes do pleito.
Nesse período, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza às entidades fiscalizadoras o código-fonte dos sistemas que serão utilizados na eleição. A abertura permite a análise dos programas e a identificação de possíveis vulnerabilidades.
Também é realizado o Teste Público de Segurança, que permite a participação de cidadãos brasileiros maiores de 18 anos interessados em propor tentativas de ataque aos sistemas eleitorais. As sugestões são analisadas pelo TSE e podem resultar em aperfeiçoamentos nos mecanismos de proteção.
Proteção das urnas
De acordo com Volpato, as urnas eletrônicas não possuem conexão com internet, Wi-Fi ou Bluetooth, o que impede acessos remotos por essas vias.
Os equipamentos utilizam sistemas desenvolvidos pelo TSE e são programados para aceitar apenas programas elaborados pelo próprio tribunal. O sistema operacional também utiliza mecanismos de assinatura digital e criptografia para verificar a autenticidade dos programas instalados.
O procedimento inclui uma dupla verificação: o sistema operacional confere o programa instalado, enquanto o programa verifica a autenticidade do sistema operacional.
Auditoria no dia da votação
No primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, também será realizado o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, conhecido como votação paralela.
Na véspera da eleição, urnas já preparadas para o pleito são sorteadas e retiradas dos locais onde seriam utilizadas. Em Santa Catarina, os equipamentos selecionados são levados para Florianópolis e submetidos a uma votação pública.
A previsão é que o procedimento ocorra na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), durante o horário oficial de votação, das 8h às 17h.
Durante o teste, votos previamente definidos são registrados em cédulas de papel e posteriormente digitados nas urnas sorteadas. Ao final, o resultado eletrônico é comparado com os votos registrados nas cédulas.
Segundo Volpato, o procedimento é realizado há 24 anos e, de acordo com a Justiça Eleitoral, não foram identificadas inconsistências entre os resultados eletrônicos e os votos utilizados na conferência nesse período.
Conferência dos resultados
A fiscalização também ocorre após o encerramento da votação. Às 17h, cada urna imprime o boletim de urna, documento que apresenta o resultado daquela seção eleitoral.
Os dados dos boletins podem ser utilizados para conferir a totalização oficial. A transmissão dos resultados é feita por uma rede própria e criptografada da Justiça Eleitoral.
Dessa forma, o resultado registrado na urna e impresso no boletim pode ser posteriormente comparado com os dados da totalização divulgada pelo TSE.
Fonte: Agência ALESC