Segurança

Lojistas relatam furtos, ameaças e acampamentos improvisados na área central de Criciúma

Casos envolvendo pessoas em situação de rua são recorrentes na área central e provocam transtornos, prejuízos e insegurança.

Foto: Divulgação

Lojistas da área central de Criciúma relatam uma sequência de furtos, ameaças, acampamentos improvisados e transtornos atribuídos a moradores de rua. As situações, segundo os comerciantes, vêm se repetindo nos últimos dias, motivando chamados à Polícia Militar e registros de Boletins de Ocorrência, diante do impacto direto na segurança, no funcionamento das lojas e na imagem da área central.

Uma comerciante da rua João Pessoa afirmou que o problema se intensificou após o fechamento de um estabelecimento na via, o que teria facilitado a ocupação dos espaços por pessoas em situação de rua.

“Aqui do lado da loja eles começaram a dormir. Já chamei a polícia. É um casal, tiram até o cachorro comunitário da casinha para dormir no lugar”, relatou.

Segundo ela, os comerciantes convivem diariamente com sujeira, urina e marcas deixadas nas fachadas das lojas.

Além da ocupação dos espaços, os lojistas relatam furtos recorrentes de itens públicos e privados. “Eles estão roubando tampa de bueiro, tampa de registro de água, relógio. Tudo que dá para vender”, afirmou a comerciante.

Em um grupo de lojistas, fotos e vídeos dos crimes e prejuízos são compartilhados, comprovando os fatos relatados.

A mesma lojista disse que precisou acionar a polícia após a montagem de uma barraca ao lado loja e que, em outros momentos, os ocupantes chegaram a levar colchões e móveis para o local.

“Tu imagina, nove horas da manhã e tu tem que estar tirando morador de rua pra poder abrir a loja e limpar”, desabafou.

Ela também mencionou ocorrências semelhantes em frente a imóveis fechados, inclusive próximos a uma delegacia.

De acordo com o relato, a Polícia Militar foi acionada em mais de uma ocasião, mas o tempo de resposta gerou insatisfação. Ela também destacou que, apesar das abordagens, não houve apreensão de objetos e que dormir em frente aos estabelecimentos, por si só, não configura crime, o que limita a atuação imediata. Outra criciumense também relatou episódios de ameaça e perturbação a lojistas no Centro.

“Lojistas são ameaçados, tentaram agredir dois comerciantes”, afirmou.

Segundo ela, a Polícia Militar foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado, mas as pessoas envolvidas teriam deixado o local antes da chegada da guarnição. Ela também aponta riscos à estrutura dos imóveis e aos animais comunitários.

“Urinam ali, usam velas para se drogar, colocando em risco a instalação do ar-condicionado e a casinha do cachorro”, afirmou.

Ela citou ainda o furto de objetos de estabelecimentos próximos e questionou a ausência de policiamento ostensivo. “A cidade está abandonada?”, questionou. Os relatos indicam que os casos vêm sendo comunicados às autoridades, com registros de boletins de ocorrência e envio de informações ao poder público municipal. Enquanto isso, comerciantes afirmam viver uma rotina de insegurança e prejuízos e cobram maior presença policial e ações efetivas para lidar com a situação.

 

PM destaca ações conjuntas com a Administração Municipal

O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar de Criciúma, tenente-coronel Mário Luiz Silva, afirmou que a corporação atua de forma imediata sempre que há a prática de crime ou quebra da ordem. Segundo ele, situações envolvendo pessoas em situação de rua precisam ser comunicadas formalmente para que a intervenção policial ocorra.

“Se estiver ocorrendo, por parte do morador de rua, a prática de algum crime, nós estaremos lá fazendo a intervenção, sem sombra de dúvida. Então, a orientação é, sim, que nos acione”, destacou.

O comandante reconheceu que a situação envolvendo pessoas em condição de rua é complexa e considerada um problema grave, especialmente pelo impacto na segurança e no patrimônio. Conforme o oficial, há registros recorrentes de crimes praticados por integrantes dessa população, principalmente delitos contra o patrimônio.

“Nós temos um índice criminal por parte dessa população bastante elevado, em especial crimes contra o patrimônio, desde pequenos furtos até roubos, quando há grave ameaça à vítima”, afirmou.

De acordo com o tenente-coronel, em muitos casos, os valores obtidos com crimes ou pedidos de esmola acabam sendo utilizados para a compra de entorpecentes, o que contribui para a manutenção do ciclo de violência e desordem. Para ele, o debate precisa envolver toda a sociedade. “O mais importante é abrir os olhos da sociedade de que há necessidade de uma atuação mais enérgica, porque essas situações causam severos transtornos para a comunidade”, pontuou.

O comandante também ressaltou que a Polícia Militar mantém atuação integrada com a Prefeitura de Criciúma, por meio de ações conjuntas voltadas à população em situação de rua. Ele explicou que existem programas municipais específicos para esse público, enquanto a atuação da PM se limita às situações em que há crime ou perturbação da ordem.

“A destinação dessas pessoas que não estão cometendo delito está fora da nossa alçada. Nossa atuação se restringe à segurança pública”, concluiu.

Foto: Divulgação

 

Prefeitura de Criciúma afirma que abordagem foi intensificada

Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Criciúma, por meio da Secretaria de Assistência Social e Habitação, informou que intensificou a abordagem social na área central da cidade, com foco no reforço diário da orientação, do acolhimento e do encaminhamento adequado de pessoas em situação de rua. Ainda conforme o comunicado, o setor se colocou à disposição dos comerciantes para esclarecimentos, sugestões e possíveis encaminhamentos relacionados à situação relatada.

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