Carolina Valim relata exclusão, omissão e falta de apoio especializado ao filho de sete anos com autismo nível 2; instituição nega as acusações.
Foto: Reprodução / Sulinfoco
Uma moradora de Jaguaruna denunciou a Escola Básica Municipal Professora Dalcy Ávila de Souza e a Secretaria Municipal de Educação por suposta discriminação e negligência no atendimento ao filho, uma criança, de sete anos, com diagnóstico de autismo nível 2 de suporte. O caso, que veio a público nesta quarta-feira, dia 5, envolve acusações de isolamento, maus-tratos e omissão diante de situações de violência e exclusão escolar.
Segundo a mãe, Carolina Valim da Silva da Luz, quando chegou de surpresa à instituição de ensino, constatou que o filho estava sendo mantido isolado dentro da secretaria da escola, onde foi encontrado dormindo em um colchonete no chão, fato que foi filmado por ela. A mãe também afirma que a instituição fez uma denúncia infundada alegando que o menino não estava sendo medicado, o que nega, dizendo que a sonolência observada era efeito da própria medicação prescrita.
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A denúncia inclui ainda a falta de uma professora auxiliar, direito garantido por lei a estudantes com deficiência, que só teria sido atendido após insistência junto à Secretaria de Educação. Carolina relata também que a escola tinha conhecimento de que o filho era agredido por colegas ao descer do ônibus escolar, mas não tomou providências.
Outro ponto relatado é a exclusão em sala de aula. Segundo a mãe, uma professora teria afirmado que o menino ficava na secretaria para não “atrapalhar o desenvolvimento das outras crianças” e teria dito que “era mais fácil ele bater do que apanhar, porque é autista”. Carolina alega que o filho passou a apresentar episódios de autoagressão após o ocorrido e precisou ter a medicação ajustada por recomendação médica.
Após o episódio, a família tentou transferi-lo para outra escola da rede, mas teve a matrícula negada. A mãe então registrou um Boletim de Ocorrência e procurou apoio nas Secretarias de Assistência Social e de Educação, além do Conselho Tutelar. Segundo ela, também deverá acionar a Defensoria Pública. “Nos outros lugares que ele frequenta, como a APAE, todo mundo fala que ele é calmo e eu nunca peguei ele agressivo na escola. E em outras escolas nunca tive problema com ele. Ele está sem ir à escola porque está se autoagredindo depois desse acontecimento”, relatou Carolina.
Escola alega que acusações não correspondem à verdade
Em nota de esclarecimento, a Escola Básica Municipal Professora Dalcy Ávila de Souza negou as acusações e afirmou que as informações “não correspondem à verdade”. A instituição declarou manter compromisso com o acolhimento, o respeito e a inclusão de todos os alunos, reforçando que “a direção, juntamente com as professoras envolvidas, tomará as devidas providências legais cabíveis”.
Confira, abaixo, a nota na íntegra:
“A Escola Básica Municipal Professora Dalcy Ávila de Souza vem a público esclarecer que as informações recentemente divulgadas sobre nossa instituição não correspondem à verdade.
Reafirmamos nosso compromisso com a transparência, o respeito e o acolhimento, garantindo que todos os alunos sejam valorizados, incluídos e tratados com dignidade. Nossa missão é abraçar cada estudante, oferecendo apoio, amor e uma educação de qualidade.
A escola mantém sempre o diálogo aberto com as famílias e trabalha pela construção de um ambiente cada vez mais humano e comprometido com o bem de todos. Informamos ainda que a direção, juntamente com as professoras envolvidas, tomará as devidas providências legais cabíveis.
Direção da EBM Professora Dalcy Ávila de Souza”