Ademir Magagnin denuncia abandono na gestão anterior e se recusa a arcar com prejuízo de escavadeira afundada Ex-vice-prefeito contesta e promete ação judicial.
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O prefeito de Cocal do Sul, Ademir Magagnin, fez uma revelação em entrevista a rádios locais que segue repercutindo: uma escavadeira hidráulica avaliada em R$ 1 milhão, jogada no lodo por ordem da antiga gestão, está hoje sob disputa judicial e o município não vai pagar a conta. “Alguém vai ter que responder por isso. Já deixei claro que Cocal do Sul não vai arcar com essa irresponsabilidade”, disparou Magagnin.
Segundo o prefeito, o episódio da escavadeira simboliza o estado crítico em que encontrou a cidade: máquinas quebradas, prédios públicos em ruínas e dívidas que superam R$ 2 milhões. “A primeira patrola só voltou a funcionar no início de março e a segunda faz só 15 dias que está rodando. Encontramos tudo abandonado, até caminhões que não andavam”, detalhou.
Ele também mencionou o que chamou de ‘quadro alarmante na saúde’: pessoas esperando desde maio de 2024 por exames e consultas, gerando um passivo de quase R$ 1,7 milhão. “Mas mesmo assim já investimos mais de R$ 1,5 milhão extra para reduzir essa fila. E todo o asfalto que vocês veem por aí está sendo feito com recurso próprio, não tem nada de financiamento ou emenda”, reforçou o prefeito.
Contraponto
O ex-vice-prefeito Erik Pereira Zeferino, que estava no comando de Cocal na época dos fatos (já que o titular estava afastado), rebateu as acusações. “O atual prefeito não sabe nem o maquinário que tem na prefeitura, que sequer possui escavadeira hidráulica. Essa máquina é da AMREC, cedida pelo Estado”, argumentou.
Zeferino também criticou o que considera “desculpas” do atual governo. “O prefeito precisa parar de culpar a antiga gestão e começar a trabalhar. Se está tão preocupado com o dinheiro público que invista onde realmente é necessário”, provocou.
Ele ainda ameaçou acionar a Justiça caso as declarações de Magagnin continuem: “Se for a máquina que estou pensando, vou processá-lo por calúnia e difamação”.
Contexto do afastamento
Na época em que a escavadeira foi danificada, o prefeito titular Fernando de Fáveri estava afastado do cargo devido à Operação Fundraising, que investiga supostos ilícitos contra a administração pública, como desvios de recursos e fraudes em licitações. Ele foi preso em junho de 2024 e passou 29 dias no Presídio Santa Augusta. Após ser liberado em julho, permaneceu afastado por medidas cautelares até dezembro, quando retornou ao cargo para concluir o mandato.
Apesar das críticas, o prefeito Ademir finalizou as entrevistas afirmando que a atual gestão vai virar a página do abandono. “Eu amo esse município e não vou deixar que Cocal do Sul viva de mentira e promessa. Vamos viver de trabalho e compromisso. Esse é o caminho para reconstruir essa cidade”, pontuou.