Um dos suspeitos teria comparecido apenas uma vez ao local de trabalho em três anos, mesmo recebendo salário regularmente
Foto: Polícia Federal/Divulgação
Dois médicos residentes em Santa Catarina estão sendo investigados pela Polícia Federal sob suspeita de participação em um esquema de fraude envolvendo escalas de plantão no Hospital de Emergência Osvaldo Cruz, maior pronto-socorro da rede pública do Amapá. Embora estivessem oficialmente escalados e recebendo salários, os profissionais não compareciam ao hospital e teriam usado o período destinado ao trabalho para atividades pessoais, como viagens.
A operação, batizada de Sinecura, cumpriu seis mandados de busca e apreensão na última terça-feira (15), sendo dois deles em cidades catarinenses — São José e Concórdia. Durante as diligências, os agentes apreenderam R$ 138 mil em dinheiro. Os outros mandados foram executados em Macapá (AP), Belém e Ananindeua (PA).
Presença simbólica e pagamentos reais
Segundo a PF, um dos médicos investigados esteve apenas uma vez em Macapá desde agosto de 2022. Ainda assim, seu nome constava repetidamente nas escalas de plantão do hospital ao longo dos últimos três anos, o que evidencia possível falsidade ideológica e enriquecimento ilícito.
Além dos indícios de peculato e associação criminosa, a investigação aponta prejuízo direto ao erário. A Polícia Federal segue apurando o envolvimento de outros servidores públicos.
Medidas administrativas
A Secretaria de Saúde do Amapá informou, por meio de nota, que os servidores investigados serão afastados administrativamente e que está implementando um novo sistema de controle de escalas por aplicativo. O objetivo é aumentar a transparência e dificultar fraudes na gestão de plantões.