Óbito ocorreu em junho e levou a Secretaria de Estado da Saúde a emitir alerta às regionais sobre a importância da imunização em adultos
SECOM Governo do Estado
Um idoso morador da área rural de Içara, no Sul de Santa Catarina, morreu em junho após contrair tétano. O caso, confirmado com exclusividade pela reportagem, foi consequência de um ferimento simples na mão, mas que evoluiu de forma grave, já que o paciente não estava vacinado. Segundo a família, ele nunca quis tomar a vacina por medo de agulha.
O idoso chegou a ser transferido para o Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, por necessidade de UTI, mas não resistiu. Esse é o primeiro óbito por tétano registrado na região nos últimos anos. A situação levou a Secretaria de Estado da Saúde a emitir sinal de alerta às regionais para reforçar a orientação sobre a importância da imunização em adultos, especialmente os mais velhos.
“É um comportamento comum entre idosos: recusar vacinas por medo ou por achar que não precisam. A família contou que ele nunca aceitou se vacinar, mesmo com as orientações”, relatou a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Içara, Graziela Macarini Zuchinali.
A gerente regional de Saúde, Moyra Salute Gonçalves Feltrin Lopes, reforçou que o tétano pode ser contraído de formas mais comuns do que muitos imaginam. “A contaminação não vem só de objeto enferrujado. Pode estar na poeira, na terra, em qualquer ferimento. É um risco real, especialmente em áreas rurais”, alertou.
O esquema vacinal, segundo ela, começa ainda na infância, mas pode ser atualizado a qualquer momento. “A vacina está disponível gratuitamente. Quem não recebeu quando criança pode iniciar o esquema com três doses a partir dos sete anos. E reforços devem ser feitos a cada dez anos. Até gestantes recebem durante o pré-natal”, lembrou.
Além da vacinação preventiva, a rede pública oferece atendimento em casos de acidentes. “Se a pessoa se feriu e não sabe se está vacinada, deve procurar o hospital. Temos soro antitetânico e imunoglobulina para aplicar. Isso pode evitar que o quadro evolua”, ressaltou.
Diferente da vacinação infantil, a imunização de adultos não tem uma meta formal de cobertura, o que dificulta o controle. “A gente orienta, sensibiliza, mas não existe um número. Isso não pode ser desculpa para adiar a vacina”, pontuou Graziela.